Primeiros Passos

Diário de uma ocupação nº 29 - Os conflitos internos

Apesar dos conflitos, pensemos nos resultados da luta. Vale a pena lutar e continuar lutando.

19/12/2016 16:27

Geralda Mangaba, nosso símbolo de luta e resistência.

Créditos da foto: Geralda Mangaba, nosso símbolo de luta e resistência.

Depois de mais de 50 dias ocupados a sensação que fica nos diários que nada de ruim acontece na ocupação, dentro dela, sendo mais explícito, os conflitos. É algo que existe sim, pessoas com pensamentos diferentes não pensam o tempo todo no coletivo. Existem estresses em alguns momentos, discordar um do outro e os assuntos irem para a votação é muito normal. Se querem unanimidade, uma ocupação é o último lugar para isso. Sempre tem alguém que falar o contrário, mente ou quer aparecer para o seu grupo. “Panelinhas” existem sim e os (as) solitários (as) também.  Existe de tudo em uma ocupação. Muitas pessoas abandonaram as ocupações devido a conflitos, alguns para evitar conflitos e outros por não entender a seletividade ou a amplitude de algumas lutas. Algumas falas podem desanimar as pessoas, como: “Cada um tem seu tempo para fazer as coisas”, ou, “as decisões são do coletivo”, mas nestas o que é certo ou errado? Na primeira, se o trabalho é coletivo, esperar o outro pode atrapalhar a coletividade, será mesmo necessário uma rotina, muitos acreditam que sim, a maioria pelo menos. No segundo caso, será que as decisões do coletivo são mesmo respeitadas? Uma questão complementa a outra. O coletivo deveria ser mais importante, mas os individualismos causam problemas e certo desgaste.
 
Alguns ânimos se exaltam às vezes. Somos todos humanos. Temos saudades de casa, da família, da nossa “rotina”. Sabemos que a luta é importante, mas quase dois meses ocupados é desgastante. Falamos um pouco isso no Diário 27, que o que mantém às vezes a ocupação ainda inteira, são os radicais que ainda querem continuar lutando mesmo quando a maioria quer evoluir o movimento, deixar de ser físico apenas, deixar assim, as ocupações. A evolução é necessária, mesmo o IGC tendo se tornado uma casa ou ampliado essa sensação. Algumas pessoas não querem sair de casa. Isso é normal.
 
No dia 16, ocorreu a festa de despedida de muitas das ocupações. A desocupação já começou em muitos prédios, a evolução necessária, mas difícil. A luta vai continuar em um movimento diferente, uma como dizem: “Reocupação”, mais ampla, fora dos muros das ocupações e da bolha universitária.
 
Os conflitos sobre a decisão de ficar no IGC, dos dias 19 a 23 de dezembro e suas repercussões ainda vão acontecer. Nesta segunda (19) foram poucos os ânimos exaltados, mas a ocupação vai estar aqui. Não sabemos quem vai estar ainda entre os ocupantes, não sabemos se teremos aumento ou diminuição do efetivo. Sabemos pouco do futuro, como sabemos pouco do que os outros pensam. Podemos tentar entender. Mas dificilmente vamos saber, ainda mais saber como conflitos sobre as necessidades básicas da ocupação continuam acontecendo. Somos humanos e erramos como todos e um coletivo ainda tem suas individualidades.
 
Entretanto, apesar dos conflitos, pensemos nos resultados da luta. Vale a pena lutar e continuar lutando. As ocupações são um movimento novo, ainda mais nas universidades. Aprendemos com os secundaristas, mas o movimento de ocupações universitárias têm suas próprias especificidades.
 
Fora Temer! Viva um novo IGC!





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