Que Justiça é essa?

A moral, os imorais e os amorais

Segundo Kant duas coisas o enchiam de admiração: o céu estrelado e a moral dentro de si. A mim me admira igualmente a despudorada imoralidade dentro dos outros

04/12/2020 14:33

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Numa definição simplista podemos dizer que a conduta considerada moral é a que não se afasta do que a sociedade, de uma determinada época e lugar, considera os bons costumes e as regras de conduta, obedecendo ao conjunto dos princípios de honestidade e decência ali vigentes. É a forma de agir que está moldada pela sociedade à qual pertence aquele grupo de seres humanos e foi interiorizado por eles.

Assim, na nossa sociedade, um professor buscar orientar seus alunos, um passante ajudar um cego a atravessar a rua, um adulto proteger uma criança ou não prejudicar o outro conscientemente e em proveito próprio, são consideradas atitudes morais.

Em contraposição à moralidade temos a imoralidade. O agir de forma contrária à decência, aos valores que regem a sociedade e que esta reconhece como seus, aos princípios éticos elementares e fundamentais. É indecoroso. É vergonhoso.

Seria como alguém se valer de um cargo, que ocupa com a obrigação de ser imparcial, jogar a imparcialidade para o alto, ajudar um tenente a se eleger presidente e virar seu ministro. E aí, esse mesmo homem, depois de anteriormente ter ajudado a quebrar, com suas decisões ilegais, uma das maiores empreiteiras do país, fazer uma indecente sociedade com a empresa de consultoria que se ocupará de administrar a falência dessa empresa.

Essas ações se chamam ações imorais, e quem as cometeu se chama Sérgio Moro, que criou, para seu uso, leis processuais próprias e um conceito de ética personalíssimo.

Segundo Kant, duas coisas o enchiam de admiração. O céu estrelado e a moral dentro de si. A mim me admira igualmente, por não conseguir entendê-la, a despudorada imoralidade dentro dos outros.

Mas há também a amoralidade e que com a imoralidade não guarda qualquer semelhança. Nela inexiste a moral e, consequentemente, a imoralidade que é seu oposto.

É o vazio de qualquer vislumbre do que seja moral. É a inexistência do conceito do que seja o outro. É o mal que extravasa a esmo. Sem freios, sem amarras, sem ser contrário à moral por não haver moral e, portanto, não poder ser o seu contrário.

É o rir da dor alheia, é o vazio da empatia, é difícil de encontrar.

Mas é o que se encontra, por exemplo, quando alguém defende a tortura e tem como seu herói um torturador.



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