Que Justiça é essa?

Que Justiça é essa? III
Lava Jato entra de vez na eleição

Força tarefa de Curitiba reclama da ''proliferação de advogados'' do ex-presidente, que o visitam todos os dias, e diz que o local de sua prisão virou um ''comitê de campanha''

16/08/2018 11:15

 

 
Leia também:
QUE JUSTIÇA É ESSA? - Ministro do STJ autoriza deputado a deixar prisão para se candidatar, por André Richter
→ QUE JUSTIÇA É ESSA? II - Poderes eleitorais, por Janio de Freitas

_____

A Lava Jato entrou de vez na eleição. Desde a semana passada, repercutem no noticiário novos depoimentos sobre assuntos meio requentados, como o de Mônica Moura sobre pagamentos da Odebrecht ao PT, denúncias como a que o Ministério Público fez contra Antônio Palocci e Guido Mantega – aceita pelo juiz Sérgio Moro em relação a este último – e  outros movimentos inequívocos de Curitiba. Se alguém tinha alguma dúvida, surge hoje a petição da força tarefa à juíza de execuções penais contra as visitas a Lula na carceragem da PF.

O UOL obteve o documento assinado pelos procuradores da LJ e divulgou há pouco: a força tarefa de Curitiba reclama da “proliferação de advogados” do ex-presidente, que o visitam todos os dias, e diz que o local de sua prisão virou um “comitê de campanha”.  Reclama sobretudo de petistas como Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad que, advogados, tem usado essa prerrogativa para entrar e sair da PF de Curitiba fora do horário das visitas comuns. Pedem à juíza Carolina Lebbos – aquela que não permite nada – restrições a essas visitas.

Mais do que atrapalhar a vida de Lula – que, todo mundo sabe, em poucos dias transferirá a candidatura a Fernando Haddad – o gesto expõe a força tarefa e a própria Justiça. Se a petição for aceita, o ex-presidente será vitimizado à máxima potência, num grau que poderá ser facilmente explorado por seu partido na campanha eleitoral. Além de julgado em tempo recorde, preso e proibido de falar, Lula não poderá mais nem receber as visitas de Gleisi e Haddad – e isso reforçará a narrativa da perseguição a ele.

Ao que parece, o juiz Sérgio Moro já percebeu o risco da politização e não terá sido outra a razão pela qual decidiu adiar para novembro o depoimento de Lula no caso do sítio de Atibaia, inicialmente marcado para setembro – momento de um confronto esperado entre os dois. Preferiu não arriscar. Com isso, porém, deixa claro que o ex-presidente não será condenado novamente antes das eleições.

*Publicado originalmente em Os Divergentes

_____

Leia também:
QUE JUSTIÇA É ESSA? - Ministro do STJ autoriza deputado a deixar prisão para se candidatar, por André Richter
→ QUE JUSTIÇA É ESSA? II - Poderes eleitorais, por Janio de Freitas




Conteúdo Relacionado