Saúde

Desenvolvedores da Sputnik V rejeitam críticas do Brasil

Denis Logunov, o principal desenvolvedor da Sputnik V, negou que os dois vetores virais, ou adenovírus, usados para produzir a Sputnik V pudessem se replicar

29/04/2021 00:13

Um médico especialista segura um frasco da vacina Sputnik V contra o coronavírus em uma loja de departamentos em Moscou, Rússia, 18 de janeiro de 2021 REUTERS / Shamil Zhumatov reuters_tickers

Créditos da foto: Um médico especialista segura um frasco da vacina Sputnik V contra o coronavírus em uma loja de departamentos em Moscou, Rússia, 18 de janeiro de 2021 REUTERS / Shamil Zhumatov reuters_tickers

 

Os desenvolvedores russos da Sputnik V rejeitaram as críticas do Brasil à vacina contra a COVID-19, dizendo na terça-feira que sua recusa em aprovar o uso da vacina não era justificada por motivos científicos.

A diretoria da agência reguladora de saúde, Anvisa, votou por unanimidade pela não aprovação da vacina, após equipe técnica alertar sobre falhas em seu desenvolvimento e dados incompletos sobre a segurança e eficácia da vacina.

Governadores estaduais no Brasil já haviam pedido permissão para usar a Sputnik V enquanto lutam contra uma segunda onda mortal do vírus.

Uma questão crucial para o regulador brasileiro era o risco de outros vírus usados para fazer a vacina se reproduzirem em pacientes, o que o gerente de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, chamou de defeito "grave".

Denis Logunov, o principal desenvolvedor da Sputnik V, negou que os dois vetores virais, ou adenovírus, usados para produzir a Sputnik V pudessem se replicar.

Ele disse que cada lote passa por verificações rigorosas pelo Instituto Gamaleya e pela agência de saúde russa e não houve qualquer constatação da presença de adenovírus que pudessem se replicar.

"A vacina é limpa ... e não contém adenovírus capazes de se replicar", disse Logunov a repórteres.

Logunov disse que a injeção passa por um processo de limpeza e filtração de quatro estágios, o que ele disse ser raro entre os fabricantes de vacinas.

“Isso torna a nossa produção muito mais cara porque perdemos uma parte do nosso produto. Mas alcançamos um nível incrível de pureza ", disse ele.

Assim como a injeção da AstraZeneca, a Sputnik V é uma vacina de vetor viral. Ela usa adenovírus para transportar as instruções genéticas para as células metabolizarem proteínas de coronavírus para gerar imunidade contra a COVID-19 no corpo, mas a vacina é desenhada para privar esses vetores da capacidade de replicação.

O Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), que comercializa a vacina Sputnik V no exterior, disse nesta segunda-feira que a Anvisa teve acesso total aos locais de pesquisa e produção da Sputnik V.

O Fundo disse que a rejeição da Sputnik V pela Anvisa pode ter sido motivada politicamente por pressão dos Estados Unidos e que a vacina foi aprovada para uso em 61 países.

O programa de vacinação do Brasil tem sido prejudicado por atrasos e falhas nas compras, transformando o país em um dos focos de COVID-19 mais mortíferos do mundo neste ano e levando o sistema nacional de saúde à beira do colapso.

*Publicado originalmente por SWI swissinfo.ch | Traduzido por César Locatelli