Soberania Nacional

Investindo no petróleo da Amazônia

 

16/03/2020 13:55

 

 

Neste exato momento, dezenas de milhões de acres de territórios indígenas da Amazônia e de floresta tropical isolada estão designados para serem leiloados para novas perfurações de petróleo na Amazônia ocidental, colocando em risco a floresta tropical com maior biodiversidade do mundo e a sobrevivência dos povos indígenas que nela vivem, abrindo caminho para uma mudança climática global catastrófica.

A floresta amazônica é essencial para mitigar as mudanças climáticas. Ela absorve aproximadamente 2 bilhões de toneladas de CO2 por ano (5% das emissões globais) e, embora cubra apenas 4% da superfície da Terra, contém 33% da biodiversidade vegetal e animal do mundo.

A floresta tropical faz parte do termostato natural da Terra, orientando os padrões climáticos e regulando as temperaturas climáticas globais. Constituindo 1/5 da floresta tropical, a região oeste abrange a Colômbia, Equador e Peru e é o lar de quase metade dos povos indígenas da Amazônia.

Os povos indígenas protegem essa abundância ecológica, que ostenta a maior concentração de biodiversidade encontrada em qualquer lugar da Amazônia. A Amazônia ocidental também contém depósitos de petróleo e gás, muitos dos quais ficam sob dos territórios indígenas ancestrais.

Este relatório descreve em detalhes as maneiras pelas quais cinco das instituições financeiras mais poderosas do mundo estão contribuindo ativamente para as mudanças climáticas, fornecendo financiamento via crédito e participação acionária em projetos de extração de petróleo na Amazônia.

O texto destaca exemplos-chave de resistência indígena local à extração de petróleo, deixando claro que essa extração na Amazônia não é apenas terrível para o clima, mas também um grande risco financeiro para essas instituições, dado o precedente da resistência legal e força intervenção de comunidades indígenas.

Somente nos últimos três anos, essas cinco instituições financeiras disponibilizaram dezenas de bilhões de dólares para empresas de petróleo que operam na Amazônia, incluindo GeoPark, Amerisur, Frontera e Andes Petroleum.

As cinco instituições financeiras investigadas neste relatório são:

- Citigroup (Banco e Gestão de Recursos): a pesquisa da Amazon Watch descobriu que, entre o terceiro trimestre de 2017 e o último trimestre de 2019, o Citi contribuiu com US$ 827 milhões em créditos para permitir a expansão regional das operações de petróleo da Amazônia para Geopark, Frontera Energy e Andes Petroleum.

- JPMorgan Chase (Banco e Gestão de Recursos): a pesquisa da Amazon Watch descobriu que, desde o último trimestre de 2019, o JPMorgan Chase detém US$ 401 milhões em ações e títulos no Geopark, Frontera Energy e Andes Petroleum. Além disso, entre o terceiro trimestre de 2017 e o último trimestre de 2019, o banco concedeu créditos no montante de US$ 490 milhões para permitir a expansão regional das operações dessas empresas, elevando sua contribuição total à extração de petróleo da Amazônia para mais de US$ 890 milhões.

- Goldman Sachs (Banco e Gestão de Recursos): a pesquisa da Amazon Watch constatou que, entre o terceiro trimestre de 2017 e o último trimestre de 2019, a Goldman Sachs contribuiu com US$ 998 milhões em créditos para permitir a expansão regional das operações de petróleo da Amazônia para a Andes Petroleum e Geopark, e desde o último trimestre de 2019 detém US$ 25 milhões em ações e títulos nas duas empresas, elevando o financiamento total para empresas de petróleo que atuam Amazônia a um total geral superior a US$ 1 bilhão.

- HSBC (Banco e Gestão de Recursos): a pesquisa da Amazon Watch descobriu que, desde o último quarto de 2019, o HSBC detém US$ 595 milhões em ações e títulos da Geopark e da Andes Petroleum, e que, entre o terceiro trimestre de 2017 e o último trimestre de 2019, contribuiu com US$ 648 milhões em financiamento para permitir a expansão regional das operações de petróleo dessas empresas. Isso eleva a contribuição total do HSBC para a extração de petróleo da Amazônia a mais de US $ 1,2 bilhão.

- BlackRock (Gestão de Recursos): A partir do último trimestre de 2019, a BlackRock detém US$ 2,5 bilhões em ações e títulos da Geopark, Frontera Energy e Andes Petroleum. A BlackRock anteriormente tinha uma posição na Amerisur no segundo trimestre de 2018, mas a vendeu no final de 2018.

Embora muitos desses financiadores tenham expressado publicamente compromissos com a responsabilidade corporativa ambiental e social e com iniciativas climáticas como o Acordo de Paris, eles continuam financiando a destruição da Amazônia e a violação dos direitos territoriais indígenas.

Devido à sua cumplicidade nas violações dos direitos humanos e no caos climático inerente à extração de petróleo na floresta amazônica, eles passaram a objeto de escrutínio de grupos de defesa dos direitos humanos e ambientais.

A Amazon Watch, em colaboração com uma coalizão de outras organizações preocupadas com o clima, está focando nesses atores com uma nova campanha chamada Stop the Money Pipeline [Interrompam o Duto de Dinheiro], pedindo uma mudança radical no setor financeiro, que se afastem dos combustíveis fósseis e do desmatamento em direção a uma transição energética justa e limpa.

Para baixar em inglês, PDF (6,2 MB): “Investindo no petróleo da Amazônia: a rede de financistas globais e empresas de petróleo levando a Amazônia ao colapso''

*Publicado originalmente em Amazon Watch | Tradução de César Locatelli 



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