Soberania Nacional

PNG 2018/2022 da Petrobrás sumiu com US$ 25 bilhões da geração de caixa

Nenhuma explicação foi dada para justificar esta diferença, que a nosso ver pode ter sido causada por uma premissa de excessivos valores sendo distribuídos aos acionistas (dividendos). Levantamos esta hipótese baseada no fato de que em 2017 a BR Distribuidora entregou aos acionistas 95% de seu lucro o que é inédito na história da Petrobras.

29/07/2018 10:18

 

Esperamos que a palavra “venda de ativos” suma das previsões e os investimentos voltem com força.

O primeiro Plano de Negócios e Gestão – PNG elaborado pela atual administração da Petrobras cobria o período de 2017 a 2021. O quadro de Usos e Fontes apresentado neste plano, mostrava uma geração operacional de caixa de US$ 158 bilhões, já descontados os dividendos pagos, conforme vemos a seguir:

Na época do seu lançamento nós criticamos muito o fato do plano prever vendas de US$ 19 bilhões de ativos e utilização de apenas US$ 2 bilhões do caixa sendo que no início de 2017 a empresa dispunha de US$ 21 bilhões em caixa e tinha a receber US$ 6 bilhões da Eletrobras e US$ 11 bilhões referentes à vendas de ativos feitas em 2016.
 
Portanto já naquela época o próprio plano mostrava que não havia qualquer necessidade financeira que justificasse a venda de ativos.
 
Os US$ 158 bilhões de geração operacional de caixa previstos para este período significavam uma média de US$ 31,6 bilhões por ano, já descontados os dividendos, conforme informado.
 
No período 2012/2016 a geração operacional de caixa da Petrobras girou em torno de US$ 26 bilhões sem descontos de dividendos, conforme segue:
 

Assim, mesmo o plano não mostrando detalhes, podíamos imaginar que na ponta ( 2021 ) a geração operacional de caixa da companhia deveria estar girando em torno de US$ 35 bilhões.
 
Qual não foi nossa surpresa quando da apresentação do segundo PNG da atual administração cobrindo o período 2018/2022 o quadro de Usos e Fontes mostrava uma geração operacional de caixa de apenas US$ 142 bilhões, uma queda de US$ 16 bilhões em relação ao plano anterior (US$ 158 bilhões ) , conforme vemos abaixo:
 
Ora, a diferença entre um plano e outro foi a retirada do exercício de 2017 e a inclusão do exercício de 2022. Ou seja a retirada de um exercício com geração operacional de caixa girando em torno de US$ 26 bilhões (2017) e a inclusão de um exercício com geração operacional de caixa girando em torno de US$ 35 bilhões, uma diferença de US$ 9 bilhões.
 
Sendo assim a geração operacional de caixa no PNG 2018/2022, dentro da normalidade, deveria ser de US$ 167 bilhões ( 158 9 ), ou seja US$ 25 bilhões superior aos US$ 142 bilhões apresentados.
 
Nenhuma explicação foi dada para justificar esta diferença, que a nosso ver pode ter sido causada por uma premissa de excessivos valores sendo distribuídos aos acionistas (dividendos). Levantamos esta hipótese baseada no fato de que em 2017 a BR Distribuidora entregou aos acionistas 95% de seu lucro o que é inédito na história da Petrobras.
 
Mas este Usos e Fontes mostra também vendas de ativos no montante de US$ 23 bilhões sem nenhuma utilização do caixa da empresa que no final de 2017 era de US$ 22 bilhões e a empresa tinha ainda a receber os US$ 6 bilhões da Eletrobras e US$ 8 bilhões da venda de ativos feitas em 2016.
 
Mais absurdo ainda é quando olhamos no lado dos Usos e vemos uma aplicação de US$ 8,1 bilhões no caixa. Ou seja estão vendendo ativos para aumentar o caixa , que já era enorme.
 
Portanto, o caixa que estava em US$ 22 bilhões será aumentado em US$ 8,1 bilhões, além dos US$ 6 bilhões a receber da Eletrobras e os US$ 8 bilhões de venda de ativos em 2016 , sem contar os US$ 25 bilhões que sumiram (dividendos ?)

O fato é que não dá mais para esconder os resultados dos investimentos feitos no período 2009/2014 que agora começam a aparecer. Não tem mais como justificar venda de ativos.
 
A atual administração vai lançar até o final deste ano um novo PNG cobrindo o período 2019/2023. Esperamos que a palavra “venda de ativos” suma das previsões e os investimentos voltem com força.

Vamos aguardar.

Cláudio da Costa Oliveira
Economista da Petrobras aposentado
 



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