Sociedade e Cultura

Brasil: deputadas defendem Escola Sem Mordaça

As mulheres do PSOL apresentaram nesta quarta-feira o seu primeiro projeto conjunto nesta legislatura. O 'Escola Sem Mordaça' pretende defender a liberdade e o pensamento crítico nas escolas contra os ataques a que estes têm sido submetidos devido ao chamado 'Escola Sem Partido'

08/02/2019 14:43

(Psol)

Créditos da foto: (Psol)

 

Liberdade de ensino e aprendizagem, gratuidade do ensino público, pluralismo de ideias, educação contra o preconceito, respeito pela liberdade religiosa e a pluralidade. Estes são os princípios que norteiam o projeto apresentado no Congresso Nacional brasileiro pelo conjunto das deputadas do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

As proponentes partiram de um projeto anterior, o “Escola Livre”, que tinha sido elaborado por Jean Wyllys, o deputado do PSOL que foi levado a abandonar o mandato e a sair do país na sequência de reiteradas ameaças à sua vida. O projeto é, assim, também uma homenagem declarada a “um árduo defensor de direitos humanos, um homem gay, um jornalista e escritor, eleito por três vezes consecutivas para um mandato nesta Casa” que “renunciou ao seu mandato por não se sentir seguro de viver em nosso país” e que “foi alvo de inúmeras mentiras”, “de intolerância por ser quem é e expressar-se publicamente com orgulho”.

Este projeto foi pensado como sendo um contraponto ao movimento “Escola sem Partido” que se constituiu como uma forma de censura e perseguição seletiva de professores nas escolas. Por isso, para além de homenagear Wyllys, as deputadas fazem questão de prestar homenagem aos “aguerridos professores e professoras que têm, mesmo diante de ameaças, se posicionado contra qualquer tipo de censura em sala de aula e em defesa do conhecimento técnico e científico”.

Para além destes, são ainda incluídos nesta homenagem os outros profissionais do ensino e os estudantes, classificando-se todos estes como resistentes, “em condições muitas vezes extremamente precárias” apostados “em construir uma democracia mais forte, um país mais próspero e cidadãos cientes de que sua liberdade, suas crenças e modos de vida não podem cercear outras existências, liberdades crenças e modos de vida.”

O Escola Sem Mordaça pretende ainda “combater a discriminação, o preconceito e o discurso de ódio no âmbito da educação, garantindo o respeito pelas diferenças que nos enriquecem como sociedade e prevenindo todas as formas de violência, bullying e assédio escolar”. Para além disso, procura-se prevenir a “intolerância religiosam fanatismo e fundamentalismo”, defendendo-se uma escola laica em que convivam a “liberdade de crença e de não-crença”.

*Publicado originalmente em esquerda.net

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