Sociedade e Cultura

Em polos opostos do planeta, dois apelos à salvação da humanidade

 

13/10/2020 15:08

(Reprodução/AsiaNews.it)

Créditos da foto: (Reprodução/AsiaNews.it)

 
Na semana passada, os dois maiores líderes mundiais falaram de maneiras diferentes. Por um lado, Xi Jinping, chefe de 1,3 bilhão de cidadãos do seu país. Por outro, o Papa Francisco, guia espiritual de 1,3 bilhão de católicos em todo o mundo. São oriundos de polos opostos do planeta, e também em posições filosóficas e ideológicos antagônicas. O primeiro é chinês, comunista e marxista. O segundo é argentino, cristão e idealista. Ambos concordam, no entanto, sobre a necessidade de o mundo voltar a um caminho que o conduza à paz e à harmonia, que nos permita superar os graves problemas que afligem a humanidade.

Ao participar do 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Xi foi claro ao rejeitar que um país pretenda aproveitar-se do sofrimento alheio e permanecer “de braços cruzados perante os infortúnios alheios”. Ele apelou a que seus pares aceitassem o fato de que vivemos em um mundo interdependente, no qual não há espaço para jogos que não levam a nada, e também falou em “superar a armadilha do choque de civilizações e respeitar mutuamente o caminho e o modo de desenvolvimento soberanamente escolhido por cada país”.

O presidente chinês apelou para a compreensão de que a diversidade do planeta é uma força poderosa, que pode levar os cidadãos ao progresso, desde que seja preservada a condição humana de todas as civilizações. Sobre o papel da China no futuro, Xi foi enfático: “nunca buscamos hegemonia ou expansão, e nunca buscamos as supostas esferas de influência. Não temos intenção de entrar na guerra fria ou na guerra quente com qualquer país. Ao contrário, sempre persistimos em resolver divergências através do diálogo e realizar as disputas por meio de negociações. A supremacia não é o nosso objetivo, e o jogo do ‘você perde e eu ganho’ não é a nossa lógica”.

Do mesmo modo, em sua nova encíclica “Fratelli Tutti” (“Todos os Irmãos”), Francisco exorta o mundo a “reabilitar a política” para enfrentar a pandemia e “possibilitar o desenvolvimento de uma comunidade mundial”, afirmando que “o mercado simplesmente não resolve tudo”. Pelo contrário, ele acredita que a especulação financeira “causa estragos no mundo”.

O Papa se perguntou: “o que algumas expressões como democracia, liberdade, justiça, unidade significam hoje? Foram adulteradas e desfiguradas para serem usadas como instrumento de dominação, como títulos vazios e conteúdos que podem servir para justificar qualquer ação”.

Ele conclui com uma forte crítica ao mercado, que, segundo ele, é uma solução mágica para todos os problemas, “embora mais uma vez queiram que acreditemos neste dogma da fé neoliberal”, e afirma que esta proposta nada mais é do que “um pensamento pobre e repetitivo, que sempre propõe as mesmas receitas diante de qualquer desafio que surja”.

*Publicado originalmente em 'El Comun' | Tradução de Victor Farinelli

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