Sociedade e Cultura

Não somos da mesma espécie

Os profissionais de nossa imprensa não são uma urubuzada. Urubus se refastelam com carniça. São aqueles que acham que ganharam por terem conseguido interromper os testes de uma vacina. Estes não pertencem à minha espécie

13/11/2020 13:59

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Quando vejo um tenente, que parece um lobisomem, com seu riso alvar desrespeitar os mais elementares sentimentos de humanidade tenho a certeza de que não pertencemos à mesma espécie.

Sua baba escorre de prazer quando minimiza a morte daqueles que deveria proteger. Sem noção de onde pisa considera a pandemia uma invenção da esquerda e da imprensa mundial. Cai na real, tenente. Cada morte evitável um dia lhe será cobrada.

Quem defende a tortura e, torturador frustrado, transforma o abjeto Ustra em herói, quem quer nos impor uma nova história ao dizer que a ditadura não existiu e quer apagar nossa memória, quem só tem como sentimento o ódio, não pertence à minha espécie.

Seu gozo com a morte alheia, seu desprezo por tudo aquilo que não satisfaça seu ego boçal, sua falta de empatia e de civilidade me fazem, a cada dia que passa, ter mais certeza de que não pertence à minha espécie.

Não tenente, não somos um país de maricas. Somos um país de homens que se bastam sem a necessidade de apoiar sua virilidade no símbolo fálico de uma arma. Somos um país de mulheres que, independentemente de sua aparência, não merecem ser estupradas e sim respeitadas.

Os profissionais de nossa imprensa não são uma urubuzada. Urubus se refastelam com carniça. São aqueles que acham que ganharam por terem conseguido interromper os testes de uma vacina. Estes não pertencem à minha espécie.

A nossos chanceleres nunca lhes faltou saliva nem cérebro. Mas o senhor conseguiu criar a exceção. Tenente, recomendo que não recorra à pólvora. Pólvora é coisa de comunista, já que foi criada na China. Além disso não se esqueça que o outro lado não precisa de pólvora. Basta o botão vermelho, sempre ao alcance da mão. Não é Ernesto?

Tome tenência, tenente e pare de arrotar bobagem na sua meia língua de analfabeto funcional. O senhor não deveria ter sido afastado do exército. Deveria ter sido afastado da escola primária por total incapacidade. Deveria, e não é tarde, frequentar uma aula de dicção para tentar não falar aos solavancos. Mas entendo. De um cérebro inoperante à boca a distância é grande.

Seu Deus não é o meu deus. Meu deus está em mim e no próximo, próximo que o senhor não reconhece, pois pertence a outra espécie, a que gosta de carniça. Meu deus está em cada um daqueles a quem achincalha com seu palavreado chulo – talvez por não conhecer outro. Assim, não coloco Deus acima de todos. Eu o coloco em todos. Em todos aqueles que pertencem à minha espécie.

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