Trabalho

Dia do Agricultor é para celebrar o trabalho de quem planta e colhe nossa comida, não homenagear a violência no campo

 

29/07/2021 14:44

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Créditos da foto: (Divulgação)

 
O Dia do Agricultor (28 de julho) é uma data para celebrarmos trabalhadoras e trabalhadores rurais que garantem a comida de nosso dia-a-dia e também denunciarmos todas as violações aos seus direitos, por meio de práticas estruturais que os mantêm entre os mais pobres e também por meio da violência no campo, muitas vezes submetidos a condições análogas à escravidão.

Por isso, causa consternação a publicação da Secretaria de Comunicação do governo federal (Secom) nas redes sociais nesta quarta-feira de uma imagem com um homem armado para celebrar a data. A Secom desrespeita assim cerca de 15 milhões de trabalhadoras e trabalhadores rurais brasileiros. Não se planta com armas, não se colhe com armas. A imagem mais parece celebrar aqueles semeiam a violência no campo, aqueles que matam e violam direitos em nome de interesses privados e aprofundam a desigualdade no meio rural.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram registradas 2.045 ocorrências de conflitos violentos no campo no Brasil em 2020 – um aumento de 8% em relação ao ano anterior. É o maior número de ocorrências de conflito no campo já registrados pela organização desde 1985.

Os conflitos por terra também aumentaram. Segundo a CPT, 81.225 famílias tiveram suas terras ou territórios invadidos em 2020 – também um recorde. Desse total, 71,8% são indígenas.

O trabalho escravo também é uma violência sistemática aos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Segundo o radar da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, 580 pessoas foram resgatadas no campo em 2020 em condições análogas à escravidão.

Trabalhadoras e trabalhadores rurais foram os últimos a terem seus direitos trabalhistas contemplados pela CLT, só garantidos a partir da Constituição de 1988.

A Oxfam Brasil homenageia os milhões de trabalhadoras e trabalhadores rurais ressaltando sua importância para a sociedade e sua permanente luta por mais justiça e menos desigualdades.

Enquanto o Brasil não garantir direitos e paz a quem vive e trabalha no campo, é nosso dever lutar para mudar esse cenário.






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