Dinheiro contra a democracia

Se o governo Dilma não conseguir quebrar a resistência do mundo do dinheiro para voltar a investir, a democratização social encontrará grandes obstáculo.

16/01/2015 17:08

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Créditos da foto: Arquivo


A contradição fundamental que vive o Brasil hoje, e que explica a crise atual, é aquela entre um modelo de desenvolvimento econômico com distribuição de renda, que amplia, como nunca, o mercado interno de consumo popular, e a falta de disposição do grande empresariado de adequar-se a esse modelo. Como estamos numa sociedade capitalista, este dispõem, nas suas mãos, dos grandes capitais que poderiam permitir que o modelo apoiado pela maioria do povo brasileira há 12 anos – e projetado por pelo menos mais 4 anos – se intensifique e acelere. Ou, como tem acontecido nestes últimos tempos, canalize esses recursos para a especulação financeira - na Bolsa e nos paraísos fiscais – ou a seguir produzindo para a alta esfera do mercado e para a exportação.

 Pela primeira vez um presidente é eleito no Brasil “contra o mercado”, isto é, contra o grande empresariado, que não apenas mostrou, ha tempos, que preferia qualquer candidato opositor – Aécio, Eduardo Campos, Marina – à Dilma, como militou firmemente por esses candidatos, até o nível de manipulação da Bolsa, além de atuar sabotar diretamente a economia, valendo-se do terrorismo econômico e favorecendo a especulação financeira, contra a retomada da expansão econômica. Esse é o poder do grande capital numa sociedade de mercado. Pode ser uma ínfima minoria, mas exerce seu poder através do grande capital que concentra nas suas mãos.

O Brasil vive um processo de democratização social como nunca havia vivido em toda sua história. Pais conhecido como o mais desigual do continente mais desigual, a questão da desigualdade social é a central do pais. Os governos do PT a erigiram na maior das prioridades, por isso obtiveram o apoio da maioria do povo nas últimas quatro eleições. Por isso fizeram do Lula o maior líder popular da sua história.

 A transição da ditadura à democracia não havia tocado na desigualdade social. Esses governos vieram para dar conteúdo social à democracia brasileira. Mas se chocam com os donos do capital, com a sua lógica de maximização dos lucros, que vai em outras direções: especulação financeira, exportação de capitais, produção de soja e de autos, entre outros, que se distanciam totalmente do modelo de desenvolvimento com distribuição de renda, apoiado pela maioria da população.

Dilma foi eleita, em grande medida, com o voto popular, resultados das políticas sociais dos últimos 12 anos. Mas teve a grande maioria da opinião pública – fabricada pelo monopólio privado da mídia – contra ela. A prioridade das políticas sociais foi mantida no primeiro mandato da Dilma, que fortaleceu e estendeu as politicas sociais, mesmo com a economia estagnada.

Seu maior desafio no segundo mandato é conseguir retomar um ciclo expansivo na economia. Porém, os arranjos das finanças públicas que até aqui tem sido postos em prática, incluem novos aumentos das taxas de juros, que conspiram diretamente contra a expansão da economia, tem um acento fortemente recessivo.
 
Se a Dilma não encontrar a equação que permite cumprir com o objetivo proposto em 2010, de baixar as taxas de juros aos níveis internacionais, desincentivando a especulação financeira, a própria centralidade das políticas sociais estará em questão, pela limitação dos recursos do governo.

Em outras palavras, se o governo não conseguir quebrar a resistência do mundo do dinheiro para voltar a investir e acompanhar a implementação do modelo apoiado majoritariamente pela população, a própria democratização social – a alma dos governos do PT – encontrará grandes obstáculos para seguir em diante.



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