Duas pesquisas importantes

09/07/2006 20:15

As manchetes da Folha de São Paulo e do Globo deste domingo falam sobre a transferência de 6 ou 7 milhões de brasileiros para a classe média. O governo Lula produziu uma melhora considerável na classificação econômica dos eleitores a partir de 2003, diz pesquisa Datafolha, publicada pela Folha. Segundo esse levantamento, cerca de 6 milhões de eleitores saíram da classe D/E, sendo que a maioria deles migrou para a C. A manchete do Globo afirma: ¿Sete milhões de pessoas sobem para classe média¿. Segundo a matéria, mais de dois milhões de famílias brasileiras conseguiram ascender na pirâmide do consumo este ano e chegaram a classe média, o que representa cerca de sete milhões de pessoas.

As duas pesquisas oferecem três questões importantes para debate:

a) Para a direita: como propor ¿desenvolvimento, emprego e renda¿, melhor do que isso? Pela primeira vez se altera o ponteiro da desigualdade social no Brasil;

b) Para os críticos de esquerda: como são possíveis políticas sociais de efeito tão significativo, sem mudar a política econômica?

c) Para o governo: esgotou-se a forma de melhoria social, sem mudar significativamente a política de emprego (que, na situação atual, gera mais emprego formal, mas de muito baixo nível).

O jogo não acabou no México

Manifestação de meio milhão de pessoas no Zócalo, na capital mexicana, convocada pela campanha de Lopez Obrador. A confiança de quem já contornou a tentativa de incriminá-lo e impedir sua candidatura mediante grande mobilização popular e convocação para marchas de todo o México na direção da capital, na próxima quarta-feira, fazem prever que a decisão das eleições presidenciais ainda não é definitiva. Embora o primeiro-ministro da Espanha tenha reconhecido a vitória de Calderón, até mesmo o New York Times pediu recontagem dos votos.

Que lição o Brasil e sua esquerda podem tirar das eleições mexicanas? Em comum, um candidato da direita ortodoxamente liberal - Calderón e Alckmin se assemelham até na adesão ao Opus Dei -, uma polarização clara entre pobres - que votaram por Lopez Obrador - e ricos - que depositam suas
esperanças em Calderon.

Entrevista com Fidel

A edição brasileira do maior livro de entrevistas feitas com Fidel Castro - desta vez pelo jornalistas espanhol, editor do Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet -, a ser publicada pela Boitempo no começo de agosto - coincidindo com os 80 anos do líder cubano -, terá trechos inéditos. Depois de publicadas as edições espanhola e cubana, Fidel decidiu fazer algumas correções e acrescentou vários trechos novos no capítulo final, atualizando a visão sobre os problemas contemporâneos enfrentados por Cuba.

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