Cinema

Documentário sobre Leila Diniz abre o 54ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Já que ninguém me tira pra dançar, dirigido por Ana Maria Magalhães, será exibido virtualmente no dia 07 de dezembro

03/12/2021 10:00

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Créditos da foto: (Reprodução)

 
Já que ninguém me tira pra dançar é um longa inédito, realizado originalmente em U-Matic, e depois restaurado. Entrevistas e gravações novas juntaram-se às originais, de 1982, digitalizadas recentemente. Finalizado em HDTV, o filme resgata a participação de Leila Diniz na cultura moderna, artista que se posicionou pela liberdade das mulheres durante os anos mais duros da ditadura militar.

Realizado pela diretora e atriz Ana Maria Magalhães, que foi amiga de Leila, Já que ninguém me tira pra dançar é o registro de um período e mostra imagens de filmes, fotos e cenas ficcionais vividos pela atriz Leila Diniz, revelando seu modo libertário de ser e agir numa época que inspirou avanços culturais e comportamentais no mundo inteiro. A famosa entrevista de Leila ao Pasquim, em 1969, despertou indignação dos militares e o desprezo das feministas que achavam-na apenas vulgar.

Autêntica e espontânea, Leila Diniz foi porta-voz de uma geração censurada. Conquistou corações e mentes sob o signo do amor e ao mesmo tempo gerou hostilidade dos defensores da moral e dos bons costumes, principalmente após posar de biquíni para uma revista, aos oito meses de gravidez. Leila falava abertamente sobre tudo, incluindo sua sexualidade. Como as rebeldes Janis Joplin e Amy Winehouse, Leila Diniz morreu aos 27 anos, em um acidente de avião na Índia, quando voltava de um festival de cinema na Austrália, onde recebeu o prêmio de melhor atriz.

Já que ninguém me tira pra dançar tem coprodução do Metrópoles e apoio do Instituto Itaú Cultural.

Sinopse

Remasterizado a partir de sua versão original e inédita, o documentário é o registro de uma época e, acima de tudo, faz um resgate da participação na cultura brasileira da revolucionária atriz Leila Diniz (1945-1972), cinquenta anos após o seu desaparecimento.

Ana Maria Magalhães

Nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Trabalhou como atriz em mais de 25 filmes, entre eles Como Era Gostoso o Meu Francês (1970), de Nelson Pereira dos Santos, Lucio Flávio, Passageiro da Agonia, de Hector Bavenco, Os Sete Gatinhos, de Neville D’Almeida, O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira e A Idade da Terra (1980), de Glauber Rocha. Depois de participações na televisão, passou à direção, com os curtas Assaltaram a Gramática (1984), Spray Jet (1985), O Bebê (1987), Mangueira Amanhã (1992) e um segmento do filme Erotique (1994), além dos longas Lara (2002), Reidy, a Construção da Utopia (2009) e Mangueira em 2 Tempos (2020).

Depoimento da diretora | Ana Maria Magalhães

“Dez anos após o desaparecimento de Leila fui convidada a dirigir um documentário sobre ela, a minha melhor amiga. Relutei porque não tinha o distanciamento necessário. Por outro lado, tinha consciência da importância de transmitir o legado de Leila, sabia que seus amigos poderiam expor cada uma de suas facetas, e aceitei a missão porque eu conhecia muito bem o seu modo de pensar, agir e se relacionar. E até aqui, este é o único documentário que existe sobre ela.

Os depoimentos foram colhidos quando a lembrança de Leila ainda estava fresca na memória dos diretores de cinema, atores, jornalistas e familiares. Entretanto, assim que iniciamos as filmagens o Centro Cultural Cândido Mendes, que idealizou o projeto para ser exibido na Mostra “Leila Diniz – Dez anos depois”, desistiu de produzi-lo porque o seu plano de investimento não funcionou como esperava. Havia apenas um investidor: a atriz Sonia Braga.

Mas as filmagens iam bem e eu decidi produzi-lo com meus próprios recursos. A instituição concordou em nos repassar o saldo do valor do investimento que obtivera. Contei com a ajuda de Walter Salles, que emprestou a câmera para o fotógrafo José Guerra - o Guerrinha, e de Marcelo Machado e Fernando Meirelles, que montaram o documentário em sua produtora “Olhar Eletrônico”, em São Paulo.

O filme mostra o modo de ser e viver dos artistas e das jovens brasileiras nos anos 60, plenos de entusiasmo e ingenuidade. As novas gerações não sabem quem foi Leila, atriz que valorizou a verdade, a liberdade e o amor, porque acreditava que as pessoas podem realizar as suas melhores potencialidades e não as piores.

O Brasil vive hoje tamanho retrocesso em relação às liberdades femininas, que as mulheres têm saído às ruas das principais cidades para protestar. E não é um revival dos anos 60. Mas a assombrosa perspectiva do fundamentalismo evangélico dos anos 2000, com o apoio de setores do Congresso e de parte da sociedade brasileira.

Leila esteve à frente das mudanças sociais do seu tempo e a preservação de sua memória e divulgação de seu pensamento e ações são fundamentais para a manutenção dos avanços que fizemos graças a ela, uma atriz de cinema”.

Coordenação de Restauro | Fábio Fraccarolli

Ao tempo em que trabalhou na principal instituição oficial brasileira de preservação de filmes, a Cinemateca Brasileira, ele viu o documentário e procurou a diretora Ana Maria Magalhães para conversar sobre o que poderia ser feito.

Fabio restaurou filmes como O Bandido da Luz Vermelha, Os trabalhos de Mauricio de Sousa; Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e A Idade da Terra.

Já que ninguém me tira pra dançar

Depoimentos: Albino Pinheiro * Betty Faria * Carlos Leite* Chico Nelson * Claudio Marzo * Domingos de Oliveira * Eli Diniz * Hugo Carvana * José Carlos De Oliveira * Luciana De Moraes * Luiz Carlos Lacerda * Luiz Eduardo Prado * Marcelo Cerqueira * Marieta Severo * Maria Gladys * Martha Alencar * Nelson Sargento * Nelson Pereira dos Santos * Paulo Cezar Saraceni * Paulo José * Tarso De Castro.

Elenco: Lídia Brondi, Louise Cardoso e Ligia Diniz como LEILA

Participação Especial: Nina de Pádua, Antonio Pitanga * Lita Cerqueira * Neném * Cristina Aché * Beatriz Moura Costa * Pardal * Juanita Dias Costa * Gilda Guilhon * Daniela * Luiz Sergio Lima e Silva

Locução depoimento Chico Nelson: Hugo Carvana

Equipe da Remasterização | 2021

Roteiro, Produção e Direção: Ana Maria Magalhães

Produtor Associado: Lino Meireles

Restauração de Imagens de Vídeo: Fabio Fraccarolli

Direção de fotografia: Jacques Cheuiche, abc

Texto e Locução Ana Maria Magalhães

Pesquisa: Garimpo/Rita Marques e Ana Maria Magalhães

Montagem: Paula Sancier

Música: Fernando Moura

Produção de finalização Ade Muri

Edição de som e Mixagem Vânius Marques

Equipe Original | 1982

Roteiro, Produção e Direção: Ana Maria Magalhães

Fotografia e Câmera: José Guerra (In Memoriam)

Som: Jorge Saldanha

Assistente de Direção: Juanita Dias Costa

Assistente de Produção: Neném

Pesquisa: Ana Maria Magalhães/ Neném

54ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Abertura 07 de dezembro, às 20h, pelo Canal InnSaei.TV (acesse aqui)






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