O jornalismo de esquerda precisa de você. Venha ser parceiro Carta Maior. Doe agora!
Seja Parceiro Carta Maior

Cinema e Realidade em Casa 6

Os três filmes que sugerimos assistir cada fim de semana dentro do projeto Cinema e realidade em casa, desta vez são quatro

11/08/2017 05:44

Carta Maior

Os três filmes que sugerimos assistir cada fim de semana dentro do projeto Cinema e realidade em casa, desta vez são quatro. Explicamos. Um deles, Boa noite e boa sorte, tem George Clooney atuando como diretor. É uma das histórias da época do macarthismo. O mensageiro é um emocionante filme baseado em dramática história verídica que ocorreu com o jornalista americano Gary Webb. E o documentário Muito além do cidadão Kane, cuja exibição foi proibida no Brasil, ainda hoje é alvo de polêmicas e contestações. Incomodou e ainda hoje irrita o grupo de mídia Globo.
 
Todos eles mostram o viés de hipocrisia da mídia de massa quando divulga notícias, produz análises através dos seus cães de guarda - expressão cunhada pelos franceses quando se referem aos jornalistas que se prestam ao papel de porta vozes dos ‘’donos’’ - e ao criar contra-informação que atenda aos seus próprios interesses econômicos. A manipulação de corações e de mentes de indivíduos de vastos segmentos da sociedade e o escandaloso resultado da radicalização da mídia hegemônica, no Brasil, servem como ponto de partida para conversas e debates, neste fim de semana.
 

Mas há uma obra clássica, mãe dessas três produções, que de vez em quando deve ser revisitada. O magnífico filme de Orson Welles, Cidadão Kane, de 1941, um dos mais discutidos e analisados e, para muitos, considerado o melhor filme já realizado. Sugerimos assisti-lo durante a semana, se não houver disponibilidade para tanta atividade cinéfila em três noites e dois dias.
(CLIQUE AQUI PARA LER A RESENHA)
 
Lembramos que Cinema e Realidade em Casa está em cartaz há quase dois meses. Sua repercussão aumenta a cada semana. É um projeto que procura oferecer entretenimento e estímulo à reflexão sobre o mundo e, em particular sobre o drama econômico, social e político que atualmente se desenrola no Brasil.
 
 
Good night and good lucky (2005) mostra como o jornalista Edward R. Murrow, âncora de um programa da Rede CBS, enfrentou o senador Joseph McCarthy, político que transformou uma Comissão de Investigação do Congresso dos Estados Unidos em palco de uma campanha anticomunista falaciosa e baseada em acusações levianas, usadas para constranger e desmoralizar cidadãos, na década de 1950. “Época na qual era perigoso divergir da opinião e das atitudes de quem tinha o poder de espalhar acusações (e até insinuações) por intermédio da mídia. A imprensa publicava o que lhe caía nas mãos, sem questionar a fragilidade de denúncias, a falta de consistência das evidências,” escreveu Artur Breve em Carta Maior.
(CLIQUE AQUI PARA LER A RESENHA)
 

O mensageiro, de Manuel Cuesta (Kill the messenger/2014) conta a saga de Gary Webb, jornalista investigativo americano, da Califórnia. Webb teve vida curta. Morreu antes de completar 50 anos. Trabalhava como repórter num pequeno jornal inexpressivo, o San José Mercury, quando descobriu a conivência e o acordo bilionário do governo americano de Ronald Reagan com traficantes de países da América Central para introduzir no país o crack em escalas descomunais. Ele desvendou e divulgou o esquema. A investigação de Webb foi reconhecida por colegas honestos e de prestígio. Alexander Cockburn e Jeffrey St.Clair, do famoso site Counterpunch.com, e autores do livro Whiteout: the CIA, Drugs and the Press contam, detalhadamente, como Webb foi vítima de uma campanha da CIA destinada a destruir sua reputação. Nunca mais ele conseguiu emprego na mídia, depois de publicar a sua denúncia.
(CLIQUE AQUI PARA LER A RESENHA)
 
 Resultado de imagem para Beyond Citizen Kane, 1993
‘’Aos 50 anos do golpe militar de 1964 é necessário revisitarmos o documentário Muito Além do Cidadão Kane (Beyond Citizen Kane, 1993), dirigido por Simon Hartog para o Channel Four da Inglaterra,” escreveu Wilson Ferreira em Cinegnose. “A Globo venceu na justiça e o filme foi banido do país, mas acabou assistido e debatido nos meios universitário e acadêmico. Tornou-se um documento fundamental para conhecermos o Brasil e a nossa TV. Ficou famoso internacionalmente pelas suas denúncias sobre as manipulações do telejornalismo da Globo e o favorecimento econômico da emissora de Roberto Marinho desde o início do regime militar. Mas o documentário de Hartog diz mais, que só o olhar de um estrangeiro poderia ver: os detalhes que contribuíram para a Globo formar a primeira rede de TV do país, capaz de criar um conteúdo tão genérico que passou por cima da diversidade cultural e regional brasileira.” O plim-plim e a linguagem do globês alteraram a identidade idiomática do brasileiro, Ferreira escreveu.
(CLIQUE AQUI PARA LER A RESENHA)
 
Aproveitamos para lembrar que, na qualidade de Mídia Alternativa, e com poucos recursos, nós estamos lutando pela democratização da comunicação.  Carta Maior está nesta trincheira há mais de 16 anos e hoje depende, integralmente, da colaboração de seus leitores. Para que possamos continuar nesta luta precisamos que você se torne nosso parceiro. (saiba como aqui).
 
Confira os filmes desta semana. Não deixe de chamar os seus amigos e parentes para debatê-los e, se quiser, envie um texto para nós, um resumo dessa discussão.
 
Desejamos um ótimo fim de semana, parceiros, e com bons filmes.
 
* Estas produções estão disponíveis em DVD, no Now, Netflix e youtube.
 



Créditos da foto: Carta Maior