Economia Política

O colapso das criptomoedas

 

10/01/2022 10:50

(Reprodução/Diario Tecnología/bit.ly/31GbkLw)

Créditos da foto: (Reprodução/Diario Tecnología/bit.ly/31GbkLw)

 
O Bitcoin está despencando, assim como outras criptomoedas, em outro sinal de que a aversão ao risco está aumentando nos mercados financeiros. O Bitcoin teve uma queda de 8% na primeira semana de janeiro, ficando em seu nível mais baixo desde dezembro. Ethereum, a segunda maior criptomoeda, chegou ter uma queda de 17,4%, depois teve uma leve recuperação, que reduziu suas perdas para algo próximo de 10%.

O setor global de criptomoedas perdeu cerca de um quinto de seu valor nos últimos dias, caindo para 2,2 trilhões. Nesta quinta-feira (6/1), a líder das criptomoedas está sendo negociada a 42.808, seu menor valor nos últimos quatro meses. Apesar do mau momento para o mercado, o incentivo à compra é crescente, enquanto se especula sobre os fatores que impedem o retorno à trajetória ascendente.

Ao tentar conter a inflação, as criptomoedas, assim como o ouro, diminuem seu apelo. No entanto, segundo os preços atuais, o Bitcoin ainda é mais acessível para investir.

A Reserva Federal (Fed) do Banco Central estadunidense decidiu, no dia 5 de janeiro, que vai acelerar a redução das compras de divisas para controlar a inflação, medida que está desencadeando uma forte alça nos juros de títulos soberanos dos Estados Unidos, e também nos de outros países do mundo – como os títulos espanhóis ou franceses. Menos compras de títulos resultará em menor demanda por uma determinada oferta, que será elevada por déficits fiscais, o que se traduzirá em taxas de juros mais altas e maior custo de financiamento.

“O Fed é muito agressivo”, disse Stephane Ouellette, CEO e cofundador da plataforma de criptomoedas FRNT Financial. “As reações viscerais tendem a levar as criptomoedas a serem tratadas exclusivamente como ativos de risco, apesar das tendências a longo prazo com respeito à inflação e à reserva de valor”, completou.

Ainda assim, a o poder de processamento, ou “taxa de hash”, dos detentores de Bitcoin caiu 13%, devido à instabilidade política no Cazaquistão, país da Ásia Central que abriga 18% do poder de processamento da mineração de Bitcoin. Devido aos protestos que levaram à renúncia de seu governo, os mineradores teriam parado de trabalhar.

A instabilidade política do país decorre de protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis em todo o país. A repressão foi acompanhada por interrupções no fornecimento de energia e no serviço de internet, o que teria afetado as atividades dos mineradores de Bitcoin.

A verdade é que o nível de comércio de bitcoins diminuiu conforme o entusiasmo também diminui. Após meses de tendência de queda, o volume nas bolsas era de apenas 4,8 bilhões de dólares na terça-feira (4/1), número abaixo dos 13,1 bilhões da mesma data do ano anterior, e bem abaixo da média do último ano, de cerca de 9,2 bilhões.

O volume não ultrapassa 10 bilhões de dólares desde o dia 4 de dezembro, quando o preço do Bitcoin despencou mais de 20% em questão de minutos. Durante o crash, foram liquidados cerca de 2,4 bilhões em criptomoedas, tanto em posições “long” como “short”.

Além disso, o mercado de futuros opera de maneira semelhante, em queda. Depois de atingir um recorde histórico de 17,4 bilhões de dólares no final de outubro, a quantidade de contratos futuros em Bitcoin em aberto na Bolsa Mercantil de Chicago passou a cerca de 10,6 bilhões, o que representa uma queda de 39%.

As perdas também impactaram o crescimento dos investidores ativos, um indicador do nível de atividade e das operações. A contagem atualmente é de cerca de 971 mil, acima dos 1,2 milhão de um ano atrás, de acordo com dados da consultora CoinMetrics.

Para Aya Kantorovich, chefa cobertura institucional da FalconX, isso poderia preparar o terreno para uma crise de liquidez rápida e aguda, semelhante à crise repentina de dezembro. “Quanto menos contas ativas houver, mais ativos serão armazenados na câmara fria. Se há menos Bitcoin operando no mercado, mais volatilidade pode ser esperada nas bolsas, já que a liquidez na carteira de pedidos diminui”, analisou.

“Acho que pode haver um ‘flash crash’ (colapso súbito) muito rápido e muito em breve, e que acabar com o interesse aberto no mercado muito rapidamente, semelhante ao que vimos em dezembro”, acrescentou.

Mirko C. Trudeau é integrante do Observatório de Estudos Macroeconômicos de Nova York e associado do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

*Publicado originalmente em estrategia.la | Tradução de Victor Farinelli


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