Economia Política

O grupo Evergrande ''não é grande demais para falir''

Analista chinês responde ao exagero estrangeiro: aqueles que criticam a China carecem de profissionalismo ao dar publicidade exagerada a um caso isolado

23/09/2021 17:15

(Noel Celis/AFP)

Créditos da foto: (Noel Celis/AFP)

 
Enquanto a discussão sobre o grupo Evergrande continuava a fermentar, a gigante imobiliária chinesa disse que vai pagar juros a investidores profissionais, a partir de quinta-feira (23), pelos títulos corporativos emitidos em 2020, com juros de 58 iuans (US$ 8,98), impostos incluídos, por lote com um valor nominal de 1.000 iuan.

As ações da Evergrande fecharam em alta de 17,62 por cento, a HK $ 2,67 (US$ 0,34) no mercado de Hong Kong na quinta-feira.

Analistas disseram que as análises negativas sobre as perspectivas econômicas da China com base no caso isolado do grupo Evergrande mostra uma falta de compreensão do modelo de desenvolvimento da China e também reflete uma falta de profissionalismo.

"A crise do grupo Evergrande não é inesperada, já que seu desenvolvimento foi influenciado por acumular capital e espalhá-lo por negócios não relacionados, como água engarrafada e veículos movidos a novas energias", disse Cong Yi, professor da Universidade Tianjin de Finanças e Economia, ao Global Times na quinta-feira.

Cong disse que o mercado reagiu de forma exagerada ao problema da dívida da Evergrande.

"O governo central deu a direção da mercado imobiliário doméstico no início de 2016: as casas são para as pessoas viverem, não para as pessoas especularem. Portanto, a exposição da crise do grupo Evergrande ressalta a firme determinação das autoridades em regular um setor em rápida expansão, cujo desenvolvimento depende de montanhas de dívidas", disse ele.

Investidores ocidentais, como o analista Jim Chanos, disseram que o colapso do grupo Evergrande poderia ser "muito pior" para os investidores na China do que uma "situação do tipo Lehman", segundo relatos da mídia.

Aqueles que detratam as perspectivas econômicas chinesas por causa do caso isolado da Evergrande não entendem o modelo de desenvolvimento da China, apontou Cong. “O futuro desenvolvimento econômico da China depende da inovação e da economia real, ao invés do estímulo de curto prazo do setor imobiliário”, disse ele.

No 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, o país deu um sinal claro de que vai colocar a qualidade e a eficiência do crescimento antes da velocidade ao entrar em uma nova era de desenvolvimento, com foco na modernização da estrutura econômica e na inovação.

Analistas também disseram que a calúnia infundada contra a economia chinesa se tornou o principal tema da mídia ocidental.

Por exemplo, a empresa de notícias Bloomberg publicou um artigo intitulado "O Banco Central da China injeta 120 bilhões de iuans (US $ 18,6 bilhões) no sistema bancário após a preocupação com a crise da dívida do grupo Evergrande turvar os mercados globais", como se o governo chinês fosse socorrer a empresa, observaram analistas.

"Essa manchete é pouco profissional ou sensacionalista, já que [as operações monetárias regulatórias] não têm nada a ver com o caso do grupo Evergrande", disse, ao Global Times em condição de anonimato, um analista de Xangai que trabalha em um banco de investimento.

Ele acrescentou que os meios de comunicação estrangeiros gostam de exagerar nesses temas, de forma a impactar o mercado de capitais ou o mercado de títulos, para provar que as reportagens da mídia são "profissionais".

O foco atual está principalmente nos pagamentos em atraso por seus produtos de gestão de patrimônio de alto rendimento, disse Cong, observando que a responsabilidade deve ser assumida pelo próprio grupo, e é muito cedo para se falar sobre um resgate do governo.

"O grupo Evergrande não é grande demais para falir. Além disso, um resgate do governo não está de acordo com os princípios do governo central para lidar com a volatilidade financeira nos últimos anos", observou Cong.

Durante uma conferência na madrugada de quarta-feira, o presidente da Evergrande, Xu Jiayin, disse que a empresa vai garantir a qualidade e a entrega tranquila dos edifícios dos empreendimentos da Evergrande, afirmando que essa é a obrigação e responsabilidade da empresa.

“Houve muitas reportagens não confirmadas sobre a reestruturação e aquisição da Evergrande pelos governos locais. Mas a possibilidade dos governos locais assumirem é condizente com as expectativas", disse Yan Yuejin, diretor de pesquisa do E-house China R&D Institute, com sede em Xangai, ao Global Times. “O grupo Evergrande tem um grande número de projetos. Se eles não forem concluídos ativamente em vários lugares, ele estará realmente sujeito a riscos."

Espera-se que surjam várias políticas contra a Evergrande, o que também pode ser o ponto de partida para o ajuste fino das políticas relacionadas ao mercado imobiliário, acrescentou Yan.

*Publicado originalmente por Global Times | Tradução por César Locatelli

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