Arte/Humor

Diário do Bolso, 25 de dezembro de 2021

 

25/12/2021 10:31

 

 

Diário, ontem fiz uma fala em cadeia nacional (não sei por quê, me dá um arrepio cada vez que eu escrevo cadeia...).

Mas foi uma fala bem curta, pra não dar tempo do pessoal bater panela. Teve um minuto e vinte segundos. E a Micheque, digo, Michelle falou mais que eu. Ainda bem que dessa vez ela falou em português, e não naquela língua alienígena dela. Já pensou, Diário, se ela começasse a soltar um “"Cantarabaiaxuia, shalaramarai decantas”? Mas não, ela falou direitinho. Até melhor que eu, que parecia que tava prendendo o peido (e tava mesmo).

A gente não falou de covid, nem de inflação e muito menos de fome. Só de Deus, Pátria e Família, que por sinal é o lema de uns integralistas aí.

Uma coisa curiosa é que o Moro fez igualzinho que nem eu. Será que a gente está com o mesmo marqueteiro? O cara anda trabalhando em dois períodos?

Pode ver lá, Diário: a fala dele durou o mesmo tanto que a minha, também tinha uma árvore de Natal no fundo, ele também estava com roupa escura do lado esquerdo e a mulher dele também estava com roupa clara do lado direito, e a conja do Moro também falou mais que ele. É um imitão!

Aliás, falando em Natal, um seguidor me perguntou: “o senhor deixaria que o menino Jesus se vacinasse?”. Eu não respondi, mas pensei assim: “Só se ele tivesse autorização da mãe, do José e de Deus (com firma reconhecida), mais uma receita médica do Espírito Santo”.

E, falando em vacina, a nossa consulta pública foi uma grande sacada. Atrasa o negócio todo por uns dias edá a ideia de que a gente quer ouvir o povo. Mas só 50 mil podiam votar. E dava pra botar um monte de robô respondendo.

Pra piorar, as perguntas foram bem confusas, do tipo:

“Você é contra ser a favor da obrigatoriedade da dispensa da vacina obrigatória?”.

Inventaram uma língua mais complicada que a da Micheque, digo, Michelle.

#diáriodobolso




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