Arte/Humor

Diário do Bolso, 3 de janeiro de 2019

 

03/01/2019 14:54

José Roberto Torero

Créditos da foto: José Roberto Torero

 
Eu nunca pensei que ia fazer um diário. Isso é meio coisa de menina. Mas tenho que escrever tudo pra lembrar quando eu tiver Alzheimer (esse corretor automático é jóia). 

Só não vou começar escrevendo “Querido Diário” porque isso é coisa de boiola.

Bom, anteontem foi a posse. Papa fina!

Gostei daquela história de deixar os jornalistas esperando sete horas, presos num cercadinho, sem maçãzinha, sem garrafinha de água, sem cadeira, sem banheiro, sem cafezinho e com um sniper fazendo mira neles. Tem que meter medo. Agora aquelas bichas vão saber onde enfiar as canetinhas. 

Falando em canetinha, assinar a posse com uma Bic foi demais. Opa! Bic, não. Compactor. Eu devia cobrar mercham deles. Só espero que não façam um modelo com tinta vermelha.

Falando em vermelho, na festa só o tapete é que tinha essa cor. Gostei de pisar nele, he, he.

Uma boa sacada foi a Michelle fazer um discurso em libras antes de mim. Agora quero ver se me chamam de machista. Se bem que aposto que vai ter algum comuna dizendo que eu não deixei ela abrir a boca. 

Bom, o importante é que cheguei chutando a porta! 

A ideia de passar a demarcação das terras para o Ministério da Agricultura foi muito genial. A Funai sifu. Quinze por cento das terras do país para essa gente é um exagero. Quilombola tem que trabalhar para emagrecer. E vamos botar calça nesses índios! 

A mexida no Itamaraty também foi supimpa. Agora qualquer um pode ser chefe. Não precisa mais ser um diplomatinha de carreira, falar catorze línguas e blábláblá. Chega daquela bicharada mandando!

Outra bola na caçapa foi o Moro ficar com a Coaf. Agora aquela história do Queiroz vai pra debaixo do carpete. Ou será que o certo é falar pra debaixo do tapete? É melhor carpete, que o tapete é fácil de levantar. Bom, tanto faz. Já assinei o decreto que proíbe qualquer um do Coaf de falar qualquer coisa. Sem dar carniça para os urubus, daqui a pouco todo mundo esquece o assunto. Acho que vou chamar isso de Operação Lava Carro.

E acabei com o Ministério da Cultura. Intelectual é tudo marxista. Agora o dinheiro vai secar para eles. Nos primeiros dias de desmame os bezerros vão chorar muito. E se depender de mim vão morrer de fome. Artista bom não precisa de ministério da cultura. Olha aí o Zezé di Camargo, a Mara Maravilha e a Regina Duarte.

Bom, agora chega. Prum primeiro dia já escrevi bastante. Tá na hora da reunião com o Onyx, com o Mourão e com os ministros. Reunião é um saco. Se pelo menos fosse num churrasco... 

Depois escrevo aqui como foi. 

Até amanhã, querido diário. Opa, querido, não!

@DiariodoBolso



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