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Ativista Cédric Herrou condenado em França por ajudar migrantes

Cédric Herrou reafirmou que agiu perante as 'falhas do Estado' e considera a sentença 'escandalosa'

09/08/2017 15:51

Sebastien Nogier Lusa/EPA

 
A história do agricultor de vale de Roya, Cédric Herrou remonta a 2015 quando de forma voluntária começou a prestar auxílio a migrantes, a maioria do Sudão e da Eritreia, que tentavam entrar em França, através do vale de Roya, na fronteira com a Itália. É um dos principais mentores da associação de defesa e ajuda a migrantes (roya-citoyenne.fr)que acabou por fundar com mais ativistas nesta pequena vila francesa.
 
Esta terça-feira, o tribunal de segunda instância da cidade francesa de Aix-en Provence voltou a condenar o ativista a quatro meses de prisão com pena suspensa.  Na declaração aos jornalistas Cédric voltou a reafirmar que “não se arrepende” de que fez pelos migrantes e que a sentença “é escandalosa por parte da justiça francesa”.
 
“Mais valia prenderem-me, era mais simples” declarou à porta do tribunal aos jornalistas. “Nós agimos porque o Estado falhou”, acrescentou.
 
Em seguida e ainda aos jornalistas convidou o presidente do tribunal a ir ao vale de Roya para “ver os migrantes a serem detidos pela policia e a conversar com a família dos 15 migrantes já falecidos na fronteira franco-italiana”.
 
O juiz do tribunal declarou que a punição se tratava de uma advertência avisando que “se for condenado novamente, corre o risco de que esta sentença ser executada”.
 
Cédric Herrou considera não estar a fazer nada de ilegal, pois a lei francesa dá o direito aos cidadãos de protegerem e prestarem auxilio humanitário a migrantes. Mas o procurador de Nice não tem o mesmo entendimento da lei. 
 
Em causa está a acusação do ministério público de que Cédric Herrou subverteu a lei, pois usava o seu carro pessoal para transportar imigrantes da cidade italiana de Ventimiglia, até à de Vale de Roya, onde vive e trabalha como agricultor.
 
Foi detido inúmeras vezes tendo sido já condenado pelo tribunal de primeira instância, cidade de Nice, com uma multa de 3 mil euros, com pena suspensa. Mas o procurador de Nice recorreu da sentença e agora, em segunda instância, o tribunal determinou a pena de quatro meses de prisão, com pena suspensa.
 
Na cidade do vale de Roya, na fronteira com Itália, a polícia e os militares franceses têm usado o estado de emergência do país para deter os migrantes que chegam a território francês, deportando-os para a Itália. Estes migrantes aguardam meses em Itália à espera de resposta aos pedidos de asilo de forma a poderem passar a fronteira. 



Créditos da foto: Sebastien Nogier Lusa/EPA