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Supremacistas brancos, armados com tochas e ódio, denunciados na Universidade da Virgínia

Não podemos deixar que sua visão de mundo se normalizar. Temos que ser unidos e vocais em nossa oposição

12/08/2017 21:42

common dreams

Depois de algumas centenas de supremacistas brancos marcharem pelo campus da Universidade da Virgínia (UVA) em Charlottesville com tochas havaianas compradas no mercado, na sexta-feira à noite, sua manifestação terminou com violência depois de brigas entre estudantes da UVA e outros que também se organizaram para se opor e denunciar sua reunião racista e odiosa que foi cunhada pelos reacionários como “Unir a Direita”.

 

Os protestantes empunhando tochas – que planejavam fazer uma manifestação maior na tarde de Sábado – gritaram “Sangue e  Terra!” e “Vocês não vão nos substituir!” enquanto marchavam em linha pelo campus enquanto a polícia procurava amenizar a tensão entre eles e os opositores denunciando seu comportamento “patético”.

 

Aqueles de contrapondo às facções racistas – que alguns descrevem como a “extrema direita” – disseram que não foi suficiente, enquanto alguns diziam que seria melhor ignorar e deixar o movimento nacionalista se deteriorar sem repressão.

 

“Não podemos julgar a extrema direita como piada”, disse Matthew Owens, membro do Showing Up for Racial Justice (SURJ), parte da coalizão Solidarity C'Ville organizando os protestos de oposição essa semana. “Não podemos ignorá-los enquanto seus números crescem e sua influência se expande. Não podemos deixar que sua visão de mundo se normalize. Devemos ser unidos e vocais em nossa oposição.”

 

A presidente da UVA, Teresa A. Sullivan, condenou a violência de sexta-feira e o ataque aos estudantes. “Estou profundamente triste e perturbada pelo comportamento odioso demonstrado pelos protestantes carregando tochas que marcharam em nosso chão essa semana”, declarou Sullivan. “Condeno fortemente o ataque aos membros de nossa comunidade, incluindo a equipe da Universidade que tentavam manter a ordem”. Os estudantes da UVA não estavam impressionados com as facções racistas que escolheram usar seu campus para se reunir.

 

Enquanto isso, ao passo que os supremacistas marchavam com suas tochas, um serviço de reza holístico e uma reunião comunitária aconteceram perto, onde os organizadores comunitários, lideres religiosos, e outros falaram sobre a importância de se opor à essa mensagem de ódio e divisão dessa semana.

 

 

“Esse é um momento chave na nossa nação”, disse a Reverenda Susan Frederick-Gray, presidente da Associação Unitária Universalista, no evento. “Estou aqui para estar ao lado do amor. São tempos nos quais foram dadas permissões à violência, ao medo e ao ódio radicalizado. É importante que as pessoas com consciência vociferem que o amor e a igualdade são nosso futuro”.

 

Como relatou o jornalista local, Jackson Landers, na Rewire, muitos moradores e negócios em Charlottesville também estão encontrando jeitos criativos de vociferar sua oposição aos supremacistas.

 

Muitos negócios ficaram fechados no que seria um dia normal e agitado na alta do período de turismo. Alguns reforçaram suas janelas.  Se os últimos eventos nacionalistas servem de prefácio, os membros da chamada extrema direita não serão bem-vindos e não será permitida sua entrada em restaurantes do centro. Placas indicando posicionamentos políticos e ideológicos se tornaram uma das formas mais visíveis de preparação para a manifestação. Algumas placas dizem, “se a igualdade e a diversidade não são para você, então nós também não somos”.

 

No Sábado de manhã, a coalizão aliada contra a supremacia branca realizou uma marcha de oposição em Charlottesville usando as hashtags #DefendCville e #LoveOverFear para espalhar a mensagem de que aqueles se enamorando do ódio e do racismo devem ser confrontados e desafiados e não simplesmente ignorados.

 

Assista aos vídeos aqui:

https://www.commondreams.org/news/2017/08/12/white-supremacists-armed-tiki-torches-and-hate-denounced-uva



Créditos da foto: common dreams