Luta no Campo

Movimentos renovam voto em Lula pela reforma agrária

Movimentos renovam voto em Lula pela reforma agrária

21/11/2003 00:00

Brasília - A última reunião entre ministros - José Dirceu (Casa
Civil), Luiz Dulci (Secretaria Geral da República) e Miguel Rossetto
(Desenvolvimento Agrário) - e líderes dos movimentos sociais camponeses
antes do lançamento do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) do governo
Lula, que deve ser apresentado às 11h desta sexta-feira (21), foi desfeita
quando os ponteiros sincronizados do relógio já se aproximavam da marca das
23h desta quinta-feira (21). A resistência apresentada no encontro, que
durou quase três horas, não demonstra uma sincronia como a dos ponteiros,
mas reflete o voto de confiança que as organizações estão depositando nas
decisões do Palácio do Planalto.

Essa postura dos movimentos foi reforçada nas palavras das principais
lideranças que discursaram na Conferência da Terra, realizada nesta
quinta-feira (20). "Nós não estamos contra o Lula. Nossa crítica vai no
sentido de cobrar a realização da reforma agrária", declarou dom Tomás
Balduíno, presidente da CPT (Comissão Pastoral da Terra) aos cerca de 2.000
trabalhadores rurais que vieram em marcha à capital nacional desde Goiânia e
ouviam o discurso na ExpoBrasília, no Parque da Cidade.

"O nosso papel, com relação ao governo, não é nem puxar o saco, nem fazer
uma análise simplista e dizer que ele não faz nada", avalia o economista
João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST).

De acordo com Stédile, "é preciso que fique claro que nós não viemos aqui
apenas para discutir metas, mas para discutir idéias". "Qual é a prioridade
do governo? Nós não podemos mais aceitar que digam que não existem recursos
para a reforma agrária. Não adianta deixar o Rossetto segurando o abacaxi na
mão, com meia dúzia de trocados, enquanto os bancos recebem 89 bilhões só de
pagamentos de juros da dívida", disse.

O membro da coordenação nacional do MST completou sua linha de pensamento
com um recado aos camponeses. "Vocês acham que a velocidade e o volume da
reforma agrária vai depender do número de assentamentos que o Rossetto
coloque no plano? Não. Vai depender do poder popular, que deve continuar
ocupando os latifúndios, porque esse é o momento de continuar lutando."

"O nosso movimento é para dar apoio ao governo Lula. Forçá-lo a cumprir os
seus compromissos. E não para desestabilizá-lo", defendeu Manoel José dos
Santos, presidente da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores em
Agricultura). "Se o governo Lula cair, não é só ele que cai. Somos nós que
caímos."

A síntese da "aula aberta" do ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio,
que coordenou a elaboração da proposta inicial de PNRA encomendada pelo
ministério de Rossetto, foi bastante clara aos participantes do encontro.
"Com o nosso PNRA, ganhamos metas muito claras. Se não for possível
realizá-las hoje, nós vamos conseguir amanhã."


Leia também





> Rossetto afirma que 2004 será o ano da reforma agrária

> "Acertos" favorecem mudanças no plano de reforma agrária

> Plano promete criar 3 milhões de empregos

> Contag reivindica R$ 7,7 bilhões para a reforma agrária

> Proposta elimina rendimentos de títulos de desapropriação






Conteúdo Relacionado