Luta no Campo

Rossetto afirma que 2004 será ano da reforma agrária

Rossetto afirma que 2004 será ano da reforma agrária

20/11/2003 00:00

Brasília - Na abertura da Conferência da Terra pelo Plano Nacional de Reforma Agrária, o ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) afirmou que 2004 será o ano da reforma agrária no Brasil. “Sabemos que fizemos muito pouco este ano. As coisas vão mudar e têm que mudar. 2004 será o ano da reforma agrária no Brasil. Hoje é um dia de muito trabalho, não só para conseguir melhores e maiores metas, mas para concluir um plano que traduza a alegria e a força de vocês”, disse Rossetto à platéia de cerca de 1.500 partipantes da Conferência, no pavilhão ExpoBrasília.

Também no evento, o presidente do PT, José Genoino, tentou dividir a responsabilidade pela reforma agrária entre os três Poderes. Ele afirmou que a reforma “precisa subir três rampas” - a do Planalto, a do Congresso e a do Judiciário. “Sabemos que grande parte dos processos de desapropriação de terras esbarra na decisão de algum juiz”, declarou.

A primeira das rampas deve ser vencida nesta sexta, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com representantes do Fórum Nacional pela Reforma Agrária. “Amanhã vocês vão conquistar o direito à terra, ao respeito e a ser tratados como cidadãos e cidadãs”, disse Rossetto. “Não vou falar em meta aqui – quem fala é o presidente Lula.”

“Vamos firmar um marco para que haja mais clareza do compromisso do presidente. Nossas metas serão obrigações. Não vamos escolher o caminho mais fácil de ficar apenas na promessa”, disse o ministro.

O deputado federal Jamil Murad (PCdoB/SP) tentou assegurar apoio à proposta em gestação no governo. “Eu já sei que o plano que todos nós queremos, aquele que acaba de uma vez por todas com o latifúndio, não vai sair, mas nós temos que garantir que este governo continue a ser nosso e não podemos empurrá-lo para o colo do inimigo.”

Na mesa do debate, além de Rossetto (Desenvolvimento Agrário), estavam João Pedro Stédile, do MST, o advogado especialista em questões fundiárias Plínio de Arruda Sampaio, ex-deputado federal contratado pelo MDA para coordenar o PNRA, dom Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), parlamentares, representantes da CUT e dos outros movimentos do FNRA.

Sampaio fez algumas indagações em sua fala: “Até que pontos nós chegamos? O que nós ganhamos? Não acho que chegaremos ao um milhão que queríamos, mas hoje ganhamos a unidade. É isso que vai garantir a continuidade da luta. Ganhamos também uma inflexão do governo Lula. Os recursos necessários vão ter que ser modificados nos números do Orçamento e do PPA, e isso é uma grande vitória.”


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