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O jornalismo de hoje: uma escolha entre o mercado e as pessoas

A tarefa do jornalismo pós-Reagan (ou do pós-ápice do neoliberalismo) é corrigir a escala de valores e recolocar o homem no centro do mundo.

29/03/2014 00:00

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Por ser uma pessoa com uma longa carreira na profissão, me foi pedido para proporcionar às novas gerações minha opinião sobre o que é o jornalismo.

O fato é que, em pouco mais de uma geração, o jornalismo viveu profundas mudanças. Cabe recordar que ele foi criado pelas elites. No apogeu da era colonial, o Times de Londres tinha uma circulação de apenas 50 mil exemplares, todas para a elite e os funcionários públicos do Império Britânico.

O jornalismo só se transformou em um meio de “massas” quando, no século 19, os Estados Unidos receberam uma onda de imigrantes e precisaram adaptar seu jornalismo às necessidades de seu “cadinho de culturas”, no qual milhões de pessoas de diferentes lugares e antecedentes tiveram que se adaptar a ou assumir a identidade americana.

É assim que surge o jornalismo moderno, com sua bagagem das denominadas “técnicas” devidamente estudadas nas escolas de jornalismo. Por exemplo: todas as notícias devem conter um “quem, onde, quando e como” ou “se um cachorro morde um homem não é notícia, mas se um homem morte um cachorro, é”, e assim sucessivamente. No entanto, após uma análise cuidadosa, essas técnicas não ensinam como ser um jornalista melhor, mas indicam como empacotar a informação da maneira mais clara e atraente para o leitor médio.

Desde a criação dos meios de comunicação, um elemento muito importante da profissão jornalística é que você é responsável diante de seus leitores. Espera-se que você os ilustre, para que conheçam seu tempo e seu mundo. Pediu-se aos jornalistas que proporcionassem esse vínculo da maneira mais equilibrada e justa possível, apresentando seus textos com informações oriundas de diferentes pontos de vista e fontes. Os diretores dos meios basicamente compartilham desse ponto de vista deontológico, mas na ótica de seus interesses pessoais, é claro.

Os jornais foram capazes de sobreviver ao surgimento do rádio e da televisão, com cada um desses três meios de comunicação adotando um caminho especializado. Mas, depois de ter trabalhado nos três, estou convencido de que o mundo da informação mudou com dois eventos, sem dúvida alguma: a chegada da internet e a presidência de Ronald Reagan.

A internet marcou o começo de uma mudança de época: pela primeira vez na história, as pessoas podiam ter acesso à comunicação. A informação é uma estrutura vertical, na qual poucos enviam fatos e pontos de vista a um grande número de destinatários, um processo em uma só direção que os regimes autoritários ou ditatoriais foram rápidos em utilizar para apoiar suas relações verticais com os cidadãos. Ao contrário, a comunicação é um processo horizontal, no qual os que enviam também estão prontos para receber. É por isso que a China tem 30 mil censores em tempo real para o monitoramento da rede.

Com o aparecimento da internet, os meios de comunicação foram de repente desafiados como guardiões da sociedade. Permitam-me dar apenas um exemplo: a voz das mulheres. Na Primeira Conferência Mundial sobre a Mulher, organizada pelas Nações Unidas em 1975, as vozes das mulheres nos meios de comunicação eram muito escassas e marginais.

Na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher de Pequim, em 1995, a cobertura midiática foi igualmente patética, se excluirmos os quase 80% da cobertura jornalística da conferência que foi dada a Hillary Clinton (mulher do então presidente dos Estados Unidos). A cobertura midiática não abordou temas reais das mulheres, mas sim o que aconteceu na conferência. O importante é que, na conferência de Pequim, as mulheres chamaram para si a responsabilidade utilizando a internet para criar uma plataforma comum, marginalizando os funcionários – em sua maioria, homens. Sem sombra de dúvidas, as mulheres com consciência de gênero em todo o mundo não podiam depender dos meios de comunicação para divulgar a informação que queriam. Graças à internet, de repente foram criadas milhares de redes para discutir os temas reais da mulher, questões que os meios não eram capazes de tratar em profundidade. O mesmo acontece com os direitos humanos, o meio ambiente, a sociedade civil etc., nos quais os meios de comunicação não podem competir.

O segundo fato importante foi registrado em 1981, com a chegada de Ronald Reagan à presidência dos Estados Unidos. Um homem que, habilmente assessorado pela primeira ministra britânica Margaret Thatcher, quase sozinho alterou o próprio conceito das relações internacionais, até então baseadas na ideia de cooperação internacional. Reagan foi o primeiro político que deu respostas simples a perguntas complexas, as que foram os “bytes” de suas convicções políticas. Desdenhou do movimento ecologista ao declarar: “As árvores causam mais contaminação do que os automóveis”. Reduziu os impostos para os ricos asseverando que “os ricos produzem riqueza, os pobres a utilizam”. Thatcher fez eco: “... não existe essa coisa de sociedade. Existem homens e mulheres, individualmente”.

Foi nesse período que as Nações Unidas começaram a entrar em declínio e, bem como a ideia do desenvolvimento e da solidariedade internacional. O lema do dia foi: “Comércio, não Ajuda”. O Consenso de Washington , que defende o desmantelamento do Estado de Bem-estar e a redução de tudo o que é público, foi impulsionado em todo o mundo pelo Banco Mundial, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Departamento do Tesouro dos EUA. Essa nova visão de mundo penetrou em todas as instituições internacionais, especialmente na União Europeia.

Logo o Muro de Berlim foi derrubado, em 1989. E a vitória não era simplesmente de um lado contra o outro, ou seja, do capitalismo contra o socialismo. Foi “O fim da história”, como escreveu Francis Fukuyama em 1992. A globalização havia chegado, e todos conhecemos os resultados. As 300 pessoas mais ricas do mundo têm a mesma riqueza que outras 3 bilhões de pessoas. E, durante os últimos cinco anos, 75% de toda a riqueza produzida foi destinada ao 1% dos já imensamente ricos. Os cem homens mais ricos do planeta aumentaram sua riqueza em 2012, até chegar ao equivalente aos orçamentos nacionais de Brasil e Canadá.

Eu defendo que ambos os fatores tiveram um impacto muito profundo nos meios de comunicação e em seu sistema de valores. Os jornais diminuíram sua circulação, pois um número crescente de jovens não os compra, e o rádio e a televisão são utilizados devido a seu valor de entretenimento. Eles recorrem à internet, em que podem adaptar sua informação e análise diárias de acordo com seus interesses. Como consequência, os meios de comunicação já não são um bom negócio e a reação foi concentrá-los com a finalidade de reduzir os custos.
 
Rupert Murdoch é o melhor exemplo desse fenômeno. A concentração se traduziu em uma redução de diversidade e estilo. Desde que Murdoch o assumiu, o Times, de Londres, “perdeu” 20% de seu vocabulário. A linguagem perdeu valor literário, usando orações mais curtas em que os adjetivos são “proibidos”. A cobertura mundial, que é complexa, vai perdendo espaço. Enquanto a homogeneização dos meios de comunicação era antes um fenômeno superestrutural, agora está chegando a nível nacional.

Isso foi acompanhado por uma séria mudança de deontologia. Os meios de comunicação têm que vender para sobreviver. A informação se tornou cada vez orientada a eventos, e não a processos. O sociólogo norueguês Johan Galtung escreveu, na década de 1970, sobre uma “escala de valores da informação”: o que ocorre perto de você vende mais do que aquilo que é de longe. Uma pessoa conhecida venderá mais do que um cidadão comum; algo dramático e pouco usual vende mais do que uma análise econômica pouco atrativa, ou o que se pode descrever como normalidade. O negativo atrais mais do que o positivo, e assim sucessivamente. Pois bem, isso agora chegou ao extremo.

O primeiro jornal online, o Huffington Post, abriu suas páginas para o mundo todo. Paga-se conforme o número de cliques que um texto recebe. O que compensa mais: um texto sobre as histórias de amor do presidente francês, François Hollande, ou um sobre suas políticas relacionadas ao emprego? Como resultado, as pessoas interessadas sobre a questão central do impacto das políticas de austeridade devastadoras na Europa podem clicar aqui (http://www.troikawatch.net/2nd-newsletter-of-troikawatch) e encontrar o que os meios não proporcionam.

Falo por experiência pessoal. Cansado do fato de meus amigos estarem menos informados do que eu sobre temas globais, comecei um serviço de informação diária (Other News) com critérios de uma agência de notícias, mas usando a internet como fonte, e não os jornalistas, a fim de ser capaz de proporcionar um serviço gratuito. Dos 60 destinatários originais, agora já são mais de 20 mil usuários em inglês e espanhol. Se você estiver interessado, clique em http://www.other-news.info/noticias e veja o que não encontrará em seu trabalho diário. Milhares de ativistas sociais, funcionários internacionais e acadêmicos já enviaram mensagens de agradecimento por lhes ter proporcionado outro horizonte... o que um bispo chamou de “a outra cara da lua”.

O verdadeiro problema é que o jornalismo se converteu em tão somente um espelho de nosso tempo, abdicando de qualquer função social, para limitar-se a ser um abastecedor da informação como uma mercadoria. Nossos temos estão marcados pelo neoliberalismo, e vícios como a cobiça e o individualismo se transformaram em virtudes exaltadas por Hollywood e pela homogeneização dos meios de comunicação. Os valores do desenvolvimento, consagrados em todas as constituições modernas, eram a justiça social, a igualdade, a solidariedade e a participação, entre outros. Pelo contrário, a globalização é a riqueza e o êxito, o triunfo do indivíduo, com o Mercado no lugar do homem. O desenvolvimento é um processo ao final do qual você é mais – a globalização significa ter mais.

Cabe acrescentar a essa mudança de valores o fator sem precedentes de que hoje gastamos mais (per capta) em publicidade do que em educação; que as instituições políticas perderam a visão e a ideologia para se transformar em pragmáticas (de fato, utilitárias), com cada vez menos participação das pessoas; que o mundo das finanças se apoderou do mundo da produção em termos globais (um bilhão de dólares ao dia na produção, 40 bilhões de dólares em transações financeiras); que agora temos apologistas de uma “nova economia”, que conceitualizam o desemprego estrutural como uma necessidade. É isso o que está refletido no espelho.

Em 1980, o analista financeiro norte-americano Bernard Baruch provocou um escândalo quando defendeu que o gerente de uma empresa pode ganhar 50 vezes o salário de seus trabalhadores. Agora, passamos a mais de 500 vezes, e a distância continua crescendo. A cada mês, os bancos são multados em dezenas de milhões de dólares por atividades fraudulentas, mas isso já não é notícia, e a mesma coisa acontece com as revelações da corrupção política e econômica. Basicamente, as pessoas de deram por vencidas. Ou já renunciaram ou se converteram em passivas, auxiliadas pelo efeito anestésico de programas de televisão como o Big Brother.

Para salvar os bancos, gastamos o equivalente a mil dólares por habitante. Em 2012, apenas na Espanha, salvar os bancos foi mais caro do que o orçamento anual para saúde e educação... mas são incapazes de proporcionar uma alimentação adequada para cerca de 1 bilhão de pessoas, e o número de obesos encurta a distância em relação ao número de pessoas desnutridas. A London School of Economics publicou um estudo em que, para 2030, projeta-se um retorno aos tempos da rainha Vitória, quando um filósofo desconhecido chamado Karl Marx estava na biblioteca do Museu Britânico escrevendo seus ensaios sobre o capital, o trabalho e a exploração, e elaborando seu manifesto.

Encontramo-nos em uma etapa de transição entre um mundo que já não é viável – um mundo no qual as finanças não têm quem lhes dite normas e um capitalismo em roda livre que está avançando em direção a sua destruição –, um mundo que deve encontrar a governança global. Somos incapazes de resolver apenas um problema global, desde o meio ambiente té a fome, desde o desarme nuclear até a imigração, atoe os controles sobre o capital nos paraísos fiscais (onde está depositado dez vezes o capital necessário para resolver a fome, a saúde e a educação em todo o mundo). E assim poderíamos continuar e continuar.

Tudo isso mostra como estamos falhando para assegurar um mundo melhor para as gerações vindouras. É sabido que a ética protestante foi amplamente aclamada como mais estrita do que a ética católica. No entanto, nos últimos anos, Wall Street e a City se converteram em ninho de cobiça e de fraudes sem precedentes.
 
Atualmente, o Papa Francisco é a única voz em defesa dos pobres, lutando por justiça social, denunciando a desigualdade e exortando a paz e a cooperação. Mas quem na escola de negócios ou na faculdade de economia escutou falar da doutrina social cristã?

Portanto, existe a necessidade de um novo jornalismo, e não apenas de uma atualização do anterior. Está claro que não será um trabalho associado ao glamour e à boa vida, tal como foi até uma geração atrás. Inclusive, os meios de comunicação que sobrevivem estão reduzindo custos (em outras palavras, demitindo seu pessoal). Aos repórteres, paga-se por texto, e não muito.

E os meios sociais, para sobreviver, precisam de publicidade e atenção, que são dificultadas devido à enorme oferta da internet. Portanto, para aqueles que querem ser jornalistas nos dias de hoje, a primeira lição é: se o fizer, deve ser porque acredita que está fazendo uma coisa útil, e que a está realizando quando faz... do contrário, vá trabalhar em um banco, onde há menos estresse e mais dinheiro e respeito. Mas, atualmente, poucas profissões oferecem um impacto tão importante, necessário e quantificável na sociedade.

A tarefa do jornalismo pós-Reagan (ou, para ser menos provocativo, do pós-ápice do neoliberalismo, que agora está perdendo o brilho) é corrigir a escala de valores e recolocar o homem no centro do mundo. Isso não deveria ocorrer como resultado dos ensinos do Papa Francisco. Não é necessário usar a graça da fé para se dar conta de que esse mundo é muito injusto e polarizado, em que a classe média está se reduzindo. Os novos jornalistas devem estar conscientes de que o status quo está mantendo uma situação insustentável para bilhões de pessoas, especialmente para as mulheres, as crianças e os jovens. Portanto, ele/ela devem evitar as armadilhas que ajudam o status quo.

A primeira é cair no mito da objetividade. Os filósofos e os cientistas lhes dirão que ela não existe. Aqueles que estão surfando com êxito nas ondas da globalização lhes dirão que seja objetivo e, para sê-lo, não deve escutar e reportar sobre minorias descontentes. A única maneira de ver o país é por meio da macroeconomia, que divide a riqueza por habitante, e não da microeconomia, que se detêm em fatores complicados, como o nível de renda, a redistribuição, a mobilidade social, e assim sucessivamente. Em nome da objetividade, é preciso se informar sobre o que o sistema diz, sem ficar entorpecido com tantas vozes diferentes na rua. Os políticos são eleitos, os líderes da sociedade civil não são. Apenas as estatísticas oficiais são confiáveis. As estatísticas da Oxfam sobre a fome ou as do Greenpeace sobre o meio ambiente não são objetivas. O mesmo acontece com as conclusões do Grupo Intergovernamental de Especialistas para o Controle do Clima, que defende a tomada de decisões ambientais para salvar o planeta e que é contra o crescimento econômico e nosso estilo de vida. Quando pedirem que vocês sejam objetivos, abram seus ouvidos: estão lhes pedindo para ajudar o status quo.

A segunda armadilha consiste em acreditar que apenas quem detém o poder detém toda a informação e, portanto, está mais capacitado para dar declarações. Eles têm toda a informação, mas frequentemente não a leem, ou fazem pouco caso dela quando não se adapta a seus pontos de vista. Nunca ninguém na história teve tanta informação como o governo dos EUA, que, como a Agência Nacional de Segurança (NSA), controla todas as comunicações do planeta. Isso representou uma melhoria na política norte-americana?

A terceira armadilha é: você é mais respeitável porque tem maior acesso ao poder estabelecido. Isso é apenas uma forma de cooptação. A respeitabilidade deve ser com você mesmo, ser capaz de fazer o correto, e isso não é o que estão fazendo. Dar voz aos sem poder, às pessoas reais, e não aos ganhadores em um mundo de cassinos.

E todos os números os apoiarão: a grande maioria não está no 1% que detém 54% dos recursos do mundo, mas sim entre os 75% que detêm apenas 15%. essa é a realidade de nosso tempo e temos que dar voz aos 75% e a seus problemas para encontrar uma vida cotidiana digna. Quando observamos o mundo, devemos ser igualmente capazes de sublinhar o que pode significar a paz e a justiça internacional, assim como expor as consequências da guerra e da injustiça. Tudo isso deve ser realizado com um critério profissional simples: dar voz a todas as partes, e informar da maneira mais fiel possível o que está acontecendo.

O problema é que um jornalista hoje não pode permanecer sempre imparcial. Tomemos como exemplo a mudança climática. Não se pode colocar os interesse das companhias petroleiras e os da raça humana no mesmo nível. Ao fazer isso, perpetua-se um mito que é o resultado de uma visão peculiar do mundo, inclusive se não tiver qualquer base científica: de que o mercado vai redistribuir a riqueza, com um efeito dominó até o último ser humano no mundo, eliminando as guerras e a pobreza. Sob esse enfoque, deve-se levar em conta que as companhias petroleiras oferecem trabalho a dezenas de milhares de pessoas, e que quando mais dinheiro ganham, melhor será para todos nós – a mesma lógica que levou a Corte Suprema dos EUA a determinar que as corporações têm os mesmos direitos que as pessoas, e que portanto podem contribuir livremente e sem limitação nas campanhas políticas.

Atualmente, os jornalistas têm uma ferramenta inestimável com a qual não contávamos no meu tempo: a possibilidade de pesquisar na internet, entrevistas pessoas sem a necessidade de viajar e se reunir com elas, inclusive com o uso de telefones inteligentes para aplicações como Skype, ou com uma câmera de vídeo. Nos meus dias, os custos das comunicações e das viagens eram enormes, e a norma era ter um fotógrafo conosco. Uma equipe de televisão era composta por pelo menos cinco pessoas, com mais de 300 quilos de equipamentos. Atualmente, é o jornalista com seu smartphone, e isso é tudo.

Estamos vivendo em tempos diferentes – em muitos sentidos, melhores –, mas com um grande avanço na tecnologia, o que confere a um jornalista a liberdade para investigar. O problema, portanto, é o que Leonardo da Vinci chamou de “saper vedere”: ser capaz de ver. O jornalismo, enfim, é a capacidade de ver e colocar o que se observou em uma ordem adequada para comunicar a seus leitores. O que faz a diferença não é a forma de escrever, mas a capacidade de observar.

É evidente que estamos em uma época de transição para um novo mundo difícil de prever. Antonio Gramsci, um pensador comunista italiano, escreveu em seus Cadernos do Cárcere: “O velho mundo está morrendo à distância e o novo mundo luta para nascer: chegou o momento dos monstros”. Precisamos de um novo jornalismo que nos conduzirá através desse século, identificará os monstros e converterá as vozes da humanidade em seu conjunto em uma rota em direção ao novo mundo.

(*) Cofundador e ex-Diretor Geral do Inter Press Service (IPS). Nos últimos anos, também fundou o Other News, um serviço que proporciona “informação eliminada pelos mercados”


Tradução: Daniella Cambaúva

Créditos da foto: Arquivo