Movimentos Sociais

Moradores da periferia de São Paulo protestam contra a fome e o desemprego

Em 15 bairros da capital paulista, com faixas, cartazes, ossos, panelaços e ''Fora, Bolsonaro!'', manifestantes denunciaram a carestia dos alimentos e a escalada dos preços de itens básicos

22/12/2021 13:46

(Arquivo Pessoal)

Créditos da foto: (Arquivo Pessoal)

 
São Paulo – Moradores de 15 bairros da periferia de São Paulo realizaram nesta terça-feira (21) atos simultâneos para denunciar o avanço da fome e da miséria que assolam o país. Em 15 pontos da capital, trabalhadores e desempregados saíram às ruas para protestar contra a alta dos alimentos. A inflação dos alugueis, dos combustíveis e da energia também foram lembrados. Além disso, os manifestantes também acusaram a “fome de direitos”, denunciando o desmantelamento de políticas públicas durante o governo Bolsonaro.

Organizadas pela Central dos Movimentos Populares (CMP), as “marchas da panela vazia” resgatam os movimentos contra a carestia que ocorreram no final dos anos 1970 e início dos 1980. Naquele momento, ainda durante a ditadura, as populações das periferias da capital realizaram, até mesmo, saques em supermercados, tamanho o desespero das famílias famintas.

“O custo de vida está assustando a população. O Brasil é um país rico, o terceiro maior produtor mundial de alimentos. Mas a população não tem dinheiro”, declarou o coordenador da CMP e da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim. “O Brasil inteiro está passando fome. Antes o trabalhador ia no mercado comprar 10 quilos de arroz. Hoje, não leva um. É fome do desemprego, a fome de políticas públicas, que estamos denunciando”, disse a secretária-geral da CUT, Carmen Foro.

“Tudo caro”, “Abaixo à carestia” e “Fora Bolsonaro”, gritavam os manifestantes em frente à Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Eles também levaram ossos e fizeram um panelaço representando o avanço da fome. Além disso, portavam cartazes denunciando os preços do arroz (R$ 24,99 o pacote de cinco quilos), do feijão (R$ 7,80 o quilo) e da gasolina (R$ 7 o litro), dentre outros itens básicos.

Drama que se repete

“Há 40 anos, teve saques nos supermercados em São Paulo, na zona sul, na zona norte, na zona leste. Foi quando cheguei em São Paulo”, ressaltou Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, uma das lideranças pelo movimento por moradia na capital paulista. “Novamente, o osso é o que sobrou para os pobres”, acrescentou. Nesse sentido, ele atribuiu a culpa ao governo “desgraçado e assassino” de Jair Bolsonaro. “Um governo que se nega a dar vacinas pras crianças é porque quer ver mais cadáver.”

“Como diz a música, ‘então é Natal’. Mas, Natal para quem? Essa é a questão. O centro da cidade virou um acampamento a céu aberto. Antigamente, eram só pessoas em situação de rua. Hoje são famílias inteiras morando em barracas”, lamentou outro manifestante. Além da manifestação no centro, as marchas ocorreram nas comunidades de Heliópolis e Paraisópolis, na zona sul, bem como no Tucuruvi, zona norte, Vila Prudente (leste) e outras regiões. Ao final de cada ato, os manifestantes leram uma carta aberta.

“Temos assistido a cenas que nos causam indignação. Imagens de pessoas revirando lixo em busca de sobras de alimentos. Nos açougues, a fila do osso para retirarem restos de carne. No Nordeste, pessoas disputam carniça com urubus. Cenas que têm revelado ao Brasil e ao mundo a tragédia humana e social pela qual passam milhões de pessoas em todos os cantos do país.”

O diagnóstico da CMP, no entanto, é que a situação tende a piorar ainda mais em 2022. Os movimentos também destacaram que o Bolsa Família e o auxílio emergencial atenderam a 37 milhões de pessoas ao longo deste ano. Enquanto o novo Auxílio Brasil vai cobrir apenas 17 milhões de brasileiros.

Além disso, sobre a carestia dos alimentos, denunciaram o governo Bolsonaro por ter promovido o desmonte dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

*Publicado originalmente em 'Rede Brasil Atual'

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