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Pelo Mundo

"Trump governa como um representante da classe bilionária"

Em entrevista à ABC, o senador e ex-candidato Bernie Sanders diz que o preocupam mais as políticas de Trump do que o tom "ofensivo" das suas declarações

09/01/2018 07:42

 

Este domingo, Bernie Sanders comentou as recentes polémicas em torno do presidente dos EUA e da sua campanha, expostas no livro “Fire and Fury: Inside the Trump White House”, do jornalista Michael Wolff, que recolheu depoimentos das figuras mais próximas de Trump antes e depois de chegar à Casa Branca, em geral pouco abonatórios para a capacidade de Trump liderar o país.

“O que me preocupa neste presidente não é tanto aquilo que diz, embora ele seja tão ofensivo”, afirmou o ex-candidato às primárias das presidenciais no Partido Democrata. “Estou mais preocupado sobre aquilo que representam as políticas deste presidente, que durante a campanha disse aos trabalhadores deste país que ia estar ao lado deles”, prosseguiu Bernie Sanders.

“E no entanto ele agora governa como um representante da classe bilionária - benefícios fiscais para os ricos, tirar pessoas dos seguros de saúde, ignorar as necessidades das crianças, não resolver a crise das drogas receitadas [opióides] neste país, que ele prometeu que resolveria”, acrescentou Sanders.

Para o senador norte-americano, as políticas de Trump são o lado mais negativo do mandato, embora não tenha deixado passar em claro o estilo do atual inquilino da Casa Branca. “Ainda há poucas semanas atacou um senador dos EUA com insinuações sexuais. Ele fala de prisão para a sua adversária nas eleições presidenciais. Isto não é o que os presidentes dos EUA fazem”, apontou Sanders, reconhecendo que também se preocupa “por ele ser um mentiroso patológico”.

“Gastar 18 mil milhões num muro não faz qualquer sentido”

A entrevista a Bernie Sanders centrou-se na possibilidade de uma paralisação do governo por causa da decisão de Trump em acabar com a proteção legal aos filhos dos imigrantes que cresceram nos EUA. À proposta dos Democratas para uma lei que volte a proteger estes jovens, Trump respondeu com uma proposta para os senadores e congressistas darem luz verde a uma despesa de 18 mil milhões de dólares para o alargamento das barreiras ao longo da fronteira com o México.

“São os republicanos, que controlam a Casa Branca, o Senado e a Câmara de Representantes, que irão decidir se haverá uma paralisação do governo”, afirmou Bernie Sanders, lembrando que “foi Trump que precipitou esta crise em setembro”, ao revogar esta proteção aos jovens imigrantes (DACA).

“Agora temos 800 mil jovens criados neste país, que estudam, trabalham e servem nas forças armadas, e que estão a viver uma ansiedade extraordinária sobre se irão perder o estatuto legal e ser deportados. Foi isso que o presidente fez e temos de lidar com isso”, acrescentou Sanders, defendendo que “o que temos de fazer é aprovar a lei DREAMERS, que protege e garante estatuto legal a estes jovens, e depois fazer uma reforma mais profunda das leis de imigração”.

Na campanha, Trump prometeu que faria os mexicanos pagarem o muro que foi uma das bandeiras eleitorais. Mas agora já não se trata de um muro, mas de barreiras e vedações, e à custa dos contribuintes norte-americanos. Para Bernie Sanders, a proposta de Trump para estender as barreiras a um total de 1600 quilómetros de extensão ao longo da fronteira, “não faz qualquer sentido”.

“Não acho que alguém discorde que temos de ter segurança forte nas fronteiras. Se o presidente quiser trabalhar connosco para nos asseguramos de que temos uma forte segurança de fronteiras, vamos a isso. Mas a ideia de irmos gastar 18 mil milhões de dólares num muro que toda a gente diz que não fará o que ele diz que fará, isso não faz qualquer sentido”, diz o senador. 



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