Pelo Mundo

A América Latina vai mudar

Boletim Semanal de Notícias da Carta Maior - de 11 a 17 de outubro de 2021

17/10/2021 10:17

(Arte/Carta Maior)

Créditos da foto: (Arte/Carta Maior)

 


PRESIDENTE BOLIVIANO

Arce lidera gigantescas manifestações contra o frustrado locaute patronal

Centenas de milhares de bolivianos voltaram às ruas na terça-feira (12), nos nove departamentos do país, para defender a política desenvolvimentista implementada pelo governo do presidente Luis Arce e em repúdio à tentativa frustrada de greve patronal fomentada pelos opositores na última segunda-feira (11), na tentativa de impedir a promulgação da Lei Contra a Legitimação dos Lucros Ilícitos.

Os manifestantes espalhados pelo país também exaltaram a Wiphala, símbolo pátrio que expressa a unidade dos bolivianos e que voltou a ser ultrajado recentemente em Santa Cruz por seguidores do governador Fernando Camacho, de extrema-direita.

Ao lado dos movimentos sociais, Arce participou em Cochabamba, La Paz e Santa Cruz, das gigantescas manifestações, onde assinalou que “os que não ganharam nas urnas querem nos ganhar no grito, com golpes, com atitudes antidemocráticas”. “Não puderam ganhar nas urnas e querem tomar o poder através de grupos mafiosos e criminosos”, frisou. | bit.ly/2YVtJmr



MÉXICO DEFENDE SOBERANIA

Obrador denuncia transnacionais pelo contrabando de combustível e suspende licença da Trafigura

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, denunciou que empresas transnacionais estão envolvidas em crimes de “contrabando de combustível” no país e anunciou que será implacável diante do crime.

“Descobrimos que algumas dessas famosas empresas estrangeiras estavam transportando combustível contrabandeado, e a licença de importação da Trafigura foi suspensa”, informou o presidente mexicano na segunda-feira (11), frisando que o gabinete do procurador-geral está investigando o caso.

No mês passado, o Ministério da Energia do México suspendeu cinco licenças de importação de combustível da Trafigura. De acordo com um gráfico apresentado pelo governo, são desviados diariamente uma média de 4.300 barris de petróleo para o mercado ilícito no país.

O México também está sondando a Vitol, maior comerciante independente de energia do mundo, sobre “irregularidades” na documentação de seus produtos petrolíferos refinados que entram no país, o que poderia levar a acusações criminais de sonegação fiscal. | bit.ly/3FUbHla



PANDORA PAPERS NO MÉXICO

Peso pesado do governo de Peña Nieto acusado de lavagem de dinheiro no estrangeiro

Ex-diretor da Petróleos Mexicanos (Pemex) e peso pesado no governo de Enrique Peña Nieto (2012-2018), Emilio Lozoya Austin é acusado na investigação Pandora Papers de participar da venda fraudulenta de uma unidade industrial, construindo uma rede de lavagem de dinheiro no estrangeiro.

De acordo com o levantamento, houve uma triangulação de recursos – na maioria subornos de construtoras – que terminaram regressando ao país, constituindo a base de sua fortuna, conforme a Unidade de Inteligência Financeira (UIF).

Antes de se integrar ao gabinete de Peña Nieto, em 2012, Austin tinha empresas fora do país que terminariam sendo o instrumento por meio do qual os milionários subornos foram camuflados pela brasileira Odebrecht, pela mexicana Altos Hornos de México (AHMSA) e pela espanhola OHL.

Pandora Papers são informações compiladas e divulgadas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), envolvendo cerca de 600 jornalistas de dezenas de meios de comunicação e estão fundamentadas em cerca de 11,9 milhões de documentos de 14 empresas de serviços financeiros em todo o mundo. | bit.ly/3BPynjP



PANDORA NO CHILE

Deputados acusam Piñera de “infringir abertamente a Constituição”

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, foi formalmente acusado, na quinta-feira (14), por “infringir abertamente a Constituição”, ter violado a legislação em matéria de probidade administrativa, “comprometendo gravemente a honra da nação”. A petição foi encaminhada por 15 deputados de toda a ampla gama de partidos de oposição para destituir urgentemente o mandatário.

O julgamento de Piñera é resultado direto das revelações da operação Pandora Papers, em que ele e sua família aparecem, desde o seu primeiro governo, em 2010, acertando a venda no paraíso fiscal das Ilhas Virgens – antro de corrupção e sonegação tributária – de 33% de um projeto mineiro. Para que isso fosse possível, havia a condição de que a região onde se instalaria a mina não fosse declarada zona protegida, o que efetivamente não ocorreu.

A investigação também traz à tona uma longa história de conflitos de interesse e negócios obscuros, mesclando dinheiro e política, como a manipulação de informações privilegiadas, que fizeram do bilionário especulador a quarta fortuna do país, com US$ 2,9 bilhões.

“O que chama nossa atenção não é um erro específico ou, ainda, um ato isolado de cobiça ou uso do poder para benefício próprio. Não, é um comportamento que sempre acompanhou Piñera, conhecido de todos, e que prejudicou muitos compatriotas e ao país inteiro”, apontam os parlamentares. | bit.ly/3AJD11y

MANDATÁRIO CHILENO

''Piñera é viciado em um jogo em que ele ganha e o país sempre perde'', afirma estudioso

“São centenas de milhões de dólares, principalmente com o domínio político do sistema financeiro, mas há também a manipulação de informações privilegiadas em proveito próprio, para enriquecimento ilícito. Na verdade, Piñera é viciado em um jogo em que ele ganha e o país sempre perde”, afirmou o estudioso chileno Nicolás Retamal Rivera.

Especialista em relações internacionais contemporâneas pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA-Brasil), em Direitos Humanos pela Fundação Henry Dunant (Chile) e mestrado em Comunicação Estratégica. Conforme Retamal, “sua carreira política, a partir de que foi senador e duas vezes presidente do Chile, esteve na corda bamba entre a política e os negócios. Ele nunca deixou clara a linha divisória entre os dois”.

“Temos muita gente que está nos cárceres sem nenhum delito comprovado, enquanto temos um presidente com um problema de ludopatia financeira [Transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na sua classificação Internacional de Doenças, que afeta as pessoas de forma patológica, as quais ficam reféns da compulsão pelo jogo]. Este tipo atua na Bolsa de Valores, joga na Bolsa, o país perde milhões, e nenhum deles está preso. Como analista, eu diria que o povo chileno se cansou deste tipo de abusos”, sublinhou. | bit.ly/3n3Doix



DEBATE PRESIDENCIAL NO CHILE

À frente nas pesquisas, plano de Gabriel Boric prioriza criação de empregos

Semanas antes da eleição no Chile, prevista para o dia 21 de novembro, seis dos sete candidatos à presidência participaram do segundo debate televisionado, na segunda-feira (11).

Um dos destaques do debate foi o projeto de Gabriel Boric (Apruebo Dignidad), de criar 500 mil empregos. Boric, que está na liderança da disputa, ressaltou que as mulheres terão um papel chave nestes novos postos de trabalho. A geração de empregos foi apontada como um primeiro e decisivo passo para que o país inicie a saída da política neoliberal aplicada por Piñera, caracterizada por diminuir o investimento e o poder do Estado para administrar as riquezas nacionais.

O debate foi marcado pelas críticas ao presidente Sebastián Piñera, pelas consequências e revelações da investigação dos Pandora Papers, e pela crise migratória que atravessa o país. | bit.ly/3pb2YF9



PRESIDENTE DO EQUADOR EM XEQUE

Congresso unicameral decide investigar contas de Lasso em paraísos fiscais

O Congresso unicameral do Equador aprovou, domingo (10), a abertura de investigação para determinar se o presidente Guillermo Lasso violou a lei ao manter dinheiro em paraísos fiscais, conforme revelado pela operação Pandora Papers. “O plenário da Assembleia Nacional com 105 votos afirmativos – dos 137 possíveis -, resolveu levar adiante a correspondente investigação”, anunciou o parlamento.

Diante da gravidade da denúncia, a Comissão Constitucional ficou responsabilizada para que, em 30 dias, elabore um relatório - que será debatido antes no plenário. A investigação da Assembleia visa “esclarecer” se Lasso “possivelmente haja descumprido o mandato legal do pacto ético, que proíbe candidatos e funcionários públicos de terem os seus recursos ou bens em paraísos fiscais” e de apontar a relação do presidente com “os depósitos em dinheiro” nestes refúgios da tributação.

De acordo com a publicação jornalística, Lasso controlou 14 sociedades offshore, a maioria com sede no Panamá, e as fechou depois que o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) aprovou uma lei em 2017 que proibiu os candidatos à presidência de ter empresas em paraísos fiscais. | bit.ly/3BUhPHx



REPÚBLICA DOMINICANA

Luis Abinader é denunciado por práticas lesivas aos interesses nacionais

Apontado como sócio de duas empresas panamenhas (Littlecot Inc. e Padreso SA), criadas antes de que ele assumisse a presidência da República Dominicana, Luis Abinader, declara não saber detalhes sobre os seus investimentos.

Citado pelos Pandora Papers, da mesma forma que os mandatários do Chile e do Equador, diz desconhecer o volume dos negócios, que seriam administrados por terceiros desde 2020, quando decidiu concorrer à presidência. “São consultores que contratamos para comprar empresas nessa jurisdição. Serve para facilitar transações comerciais com clientes e reduzir travas administrativas”, tergiversou.

Comandando a oposição, o Partido da Liberação Dominicana (PLD), aponta que a prática do mandatário é lesiva aos interesses nacionais, e o acusa de “sequestrar os organismos de controle” e de “desconhecer a transparência”, uma vez que as duas empresas panamenhas não aparecem na sua declaração jurada de bens.

O PLD está pressionando o parlamento para que abra uma investigação, mas precisa da maioria qualificada para levar adiante um processo contra Abinader, que conta com a maior parte das 32 cadeiras. | bit.ly/3AUdeUh



PARTIDO PERU LIVRE

“Industrialização garantirá soberania e menor preço dos alimentos”

“Com apoio técnico e injeção de recursos na agricultura familiar, a segunda reforma agrária romperá a dependência da importação de trigo, soja e milho, commodities mundiais controladas pelo estrangeiro e que explodem nos preços da cesta básica da população”, afirmou Yuri Castro, membro do comando nacional do Peru Livre – partido do presidente do país, Pedro Castillo. E a alta no primeiro semestre de 2021, em dólares, foi mais do que abusiva em relação a igual período do ano passado, quando o preço já se encontrava nas nuvens: trigo (24,4%), soja (65,9%) e milho (72,3%).

A nova reforma agrária busca orientar as políticas públicas em favor do desenvolvimento da agricultura familiar e das cooperativas agrícolas, e foi lançada precisamente em um três de outubro, data que iniciou em 1968 o governo nacionalista de Juan Velasco Alvarado. Como a reforma anterior, feita por Velasco, a atual luta por garantir independência ao país em um mercado dominado por cartéis que manejam as sementes, a engenharia genética, os maquinários, adubos e fertilizantes. | bit.ly/3ayNouv



SELVA ENTRE COLÔMBIA E PANAMÁ

Unicef alerta para número de crianças migrantes ter triplicado no ano

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou um alerta para os riscos a que estão submetidas as crianças migrantes ao atravessarem a inóspita e perigosa selva de Darién, que separa a Colômbia e o Panamá. Somente neste ano, números oficiais apontam que mais de 19 mil meninos e meninas passaram pela região em direção aos Estados Unidos – alguns deles também ficam na Costa Rica ou no México –, triplicando as cifras totais registradas nos cinco anos anteriores.

O chamado Tapón del Darién, área de selva de 266 quilômetros, converteu-se em um corredor para a migração irregular. Na região, de espessa vegetação que muitas vezes impede que se veja o sol, há serpentes venenosas, rios caudalosos e grupos criminosos.

De acordo com a Unicef, se no ano passado oito crianças haviam viajado desacompanhadas, neste ano já foram 153. “A maioria não viaja só, viajam acompanhados de seus pais, porém no trajeto da selva passam por muitas coisas. Às vezes os pais ficam para trás, a mãe fica ferida ou se veem separados no momento de cruzar um rio”, informou Laurent Duvillier, coordenador de comunicação do Unicef. | bit.ly/3vy39f3



AMÉRICA LATINA

Famílias resistem à "estratégia de desgaste" orquestrada por mineradoras transnacionais

O Observatório de Conflitos de Mineração na América Latina (OCMAL) registrou 284 “conflitos sociais” sobre a mineração, a maioria concentrada no México, Chile e Peru, seguida pela Argentina, Brasil e Colômbia. Atrás desses números estão as pessoas. E atrás de cada um deles, uma família e uma comunidade resistindo à expansão de transnacionais que controlam setores estratégicos e altamente lucrativos da economia de seus países.

Conforme o último relatório da ONG Global Witness, mais ativistas ambientais são assassinados na América Latina do que em qualquer outra região do mundo, com dois terços dos casos ocorridos em 2019. A Colômbia encabeça esta lista horrível.

Mais da metade das empresas que dirigem a mineração na América Latina ainda são de propriedade de empresas canadenses – que muitas vezes mascaram o controle estadunidense -, havendo presença significativa de transnacionais britânicas e crescente participação do capital chinês.

Segundo dados do ano passado, as 50 maiores empresas de mineração do mundo acumularam um patrimônio superior a US$ 1 trilhão. A maior do mundo é a BHP, com US$ 129 bilhões, sócia da Vale na Samarco, responsável pelo rompimento da barragem de Mariana em 2015, que ceifou a vida de 19 pessoas e contaminou a bacia do Rio Doce. | bit.ly/3lMWV7y



ELEIÇÕES NA NICARÁGUA

Organizações sociais e políticas repudiam processo “ilegítimo e nulo”

Um amplo espectro de organizações sociais e políticas nicaraguense manifestou seu “repúdio e desconhecimento” às eleições previstas para o próximo 7 de novembro, considerando-as “ilegítimas e nulas”.

Em documento divulgado na Costa Rica - país escolhido para o encontro frente às perseguições do regime -, os opositores afirmaram que não existem condições para eleições livres na Nicarágua, já que o presidente Daniel Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, tentam “terminar com qualquer vestígio de verdadeira disputa eleitoral, levando à prisão sete pré-candidatos presidenciais, forçando ao exílio outros dois e cancelando a personalidade jurídica dos três últimos partidos políticos de oposição em condições de disputar”.

A declaração é assinada por organizações como a Unidade Nacional Azul e Branca (UNAB), Frente Democrática da Nicarágua (FDN), União Democrática Renovadora (UNAMOS), Movimento Camponês (MC), Articulação de Movimentos Sociais (AMS), Iniciativa pelo Câmbio (IPC) e grupos de exilados da Nicarágua. A manifestação ganha peso pela presença de forças herdeiras do sandinismo – do qual o atual governo se pretende o único representante - que estiveram à frente do movimento que derrubou a ditadura criminosa de Anastácio Somoza.

A União Democrática Renovadora (UNAMOS), por exemplo, que tem origem no Movimento Renovador Sandinista (MRS), é um Partido fundado em 1995 por dissidentes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) por profundas divergências com Ortega. Na sua direção estão a comandante guerrilheira Dora María Téllez, o ex-vice-presidente e escritor Sergio Ramírez, o ex-membro do diretório Nacional da FSLN, Luis Carrión Cruz, e o comandante guerrilheiro Hugo Torres. Aderiram posteriormente o ex-prefeito de Manágua, Herty Lewites, e o ex-vice-chanceler Victor Hugo Tinoco. | bit.ly/3j8b4KI



HONDURAS PERSEGUE

Regime de JOH criminaliza o protesto social­­­

Em Honduras, o regime de Juan Orlando Hernández já cataloga como “delito de usurpação” o fato de que duas ou mais pessoas se organizem para protestar em um espaço público. A medida foi incluída na reforma do código penal realizada recentemente para infundir medo na população, que tem expressado cada vez mais seu descontentamento com a continuidade do desgoverno.

Em repúdio a essas medidas, militantes do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh) organizaram uma manifestação em frente à Corte Suprema de Justiça, alertando que além de tentar blindar a impopularidade de JOH, as reformas visam criminalizar a luta e a defesa pela terra. | bit.ly/3DOeOsL



ATAQUE DOS EUA AO PANAMÁ

Encontrada mais uma vala comum com vítimas da invasão de 1989

Relatos de sepultamentos de corpos não identificados enterrados após a invasão dos Estados Unidos no Panamá por mais de 27 mil soldados, em 20 de dezembro de 1989, levaram ao aparecimento de mais sacos fúnebres na sexta-feira (15) no cemitério Monte Esperanza, na cidade caribenha de Colón.

Os restos mortais emergiram de valas comuns, enquanto as buscas prosseguem, informou Geomara Guerra, promotora encarregada das investigações, que conta com a ajuda de antropólogos, juristas e pesquisadores

Oficialmente foram cerca de 500 mortos, mas organizações sociais e especialistas afirmam que foram milhares de vítimas. As tropas estadunidenses mantinham a prática de sepultamentos massivos, mas também incineraram e jogaram corpos de panamenhos ao mar.

Com navios, aviões, helicópteros e tanques, os EUA invadiram o Panamá para derrubar o governo do general Manuel Antonio Noriega (1983-1989), que atuava para nacionalizar o Canal do Panamá. O pretexto usado por Bush para o crime foi o de combate às drogas. Após a deposição de Noriega, o repasse do Canal foi adiado por uma década. | bit.ly/3p87Vyz



ESCÂNDALO NA COLÔMBIA

Mais seis generais afastados da cúpula militar por crimes

Pelo menos seis generais vão abandonar a cúpula militar da Colômbia nos próximos dias devido a vários escândalos, incluindo o dos "falsos positivos", que ceifou a vida mais de 3.700 jovens inocentes. Pela macabra prática, rapazes, na maioria camponeses, eram assassinados e apresentados como “guerrilheiros” mortos em combate.

Os generais envolvidos nos crimes são dos setores da inteligência militar, do Comando Geral e de várias divisões.

Nas zonas com maiores índices de assassinatos e ameaças, existem disputas entre atores ilegais e paramilitares pelo controle das economias ilegais como a extração do ouro e o narcotráfico. | bit.ly/3DQ1CDW

Conteúdo Relacionado