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A América Latina vai mudar

Boletim Semanal de Notícias da Carta Maior - de 22 a 28 de novembro de 2021

28/11/2021 11:45

(Arte/Carta Maior)

Créditos da foto: (Arte/Carta Maior)

 


SEGUNDO TURNO NO CHILE

Urnas confrontam democrata Boric a fascismo de Kast

Em um clima de acirrada polarização, o candidato de extrema-direita à presidência do Chile, José Antonio Kast, líder do Partido Republicano, obteve 27,91% dos votos, acima dos 25,83% de Gabriel Boric, do Aprovo Dignidade, a frente progressista de oposição.

Para o segundo turno, marcado para 19 de dezembro, ao que tudo indica nada falará tão forte como o ensinamento político de que “quanto mais amigos, menos inimigos”. De um lado, uma ampla coalizão de forças em defesa de um projeto de desenvolvimento nacional, de fortalecimento do papel do Estado, respeito à natureza e aos direitos humanos, e de ruptura com as estruturas herdadas da sangrenta ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). De outro, a de Kast, o Bolsonaro chileno que, entre outras ações, faz questão de visitar na prisão membros da ditadura condenados a até 800 anos por crimes bárbaros contra presos políticos.

No último debate, Boric fez questão de apontar alguns dos pontos do programa do candidato ultradireitista. “Quando falamos de discriminação, José Antonio Kast”, recordou Boric, “você explicita que subsídio somente para famílias casadas, na página 172 do teu programa; aos aposentados, queres aumentar as pensões somente para as Forças Armadas, página 51; coordenação para perseguir ativistas de esquerda, página 27; proibição do matrimônio igualitário, página 81; eliminação do Ministério da Mulher e obrigação de meninas estupradas serem mães, na página 171”, enumerou. | bit.ly/3EgpwJv



GABRIEL BORIC

''Chile se reencontrará com o caminho da independência, da soberania e dos direitos''

Na reta final para as eleições de domingo (21), em meio ao quadro de pandemia e um processo constituinte a pleno vapor, seis dos sete candidatos à presidência terminaram suas campanhas, na quinta-feira (18), com uma certeza: é preciso derrotar o fascismo. Já a extrema-direita adepta da repressão e da ditadura, dos campos de concentração e da desnacionalização, do neoliberalismo atroz, do arrocho salarial e do desaparecimento de direitos tem nome e sobrenome: José Antonio Kast.

Mais do que uma convicção na fala dos candidatos dos mais diferentes matizes, o repúdio ao retrocesso revelou-se uma unanimidade entre todos os demais.

Fortalecendo um movimento “popular, democrático e antifascista”, Gabriel Boric disse que sua “campanha está demonstrando que os trabalhadores e os povos temos futuro, estamos construindo uma alternativa e vamos nos reencontrar com o caminho que nos cortaram em 1973 [com o golpe contra o presidente Salvador Allende], vamos nos reencontrar com o caminho da independência, da soberania, dos direitos dos trabalhadores”.

Conforme assinalou Boric, “o Chile terá de escolher entre duas alternativas que são muito distintas: uma que, por um lado, nega direitos e discrimina. Do outro lado está a nossa candidatura, que promete mudanças ambiciosas. Não será fácil, mas será feito com responsabilidade, passo a passo e criando maioria”. | bit.ly/3E4xhSo



LÍDER SOCIALISTA DO CHILE

''Derrotar Kast e o neofascismo com um projeto de transformação que una o país''

“Estamos diante de uma batalha estratégica que é derrotar o neofascismo com um projeto de transformação que una a maioria do nosso povo e supere a grave crise em que estamos mergulhados”, afirmou Fernando Krauss, ex-vice-presidente do Partido Socialista do Chile, e atual responsável pelo programa de Meio Ambiente do Instituto Igualdade, que contribui para a formação de quadros do PS.

Vindo de uma família de esquerda, teve o pai militante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) assassinado pela ditadura de Augusto Pinochet. Krauss viveu exilado 16 anos em Cuba, de onde retornou na redemocratização.

Conforme o dirigente socialista, Kast não só caminhou ao lado de Eduardo Bolsonaro, como junto com a presidente da União Democrática Independente (UDI), correu para ver quem chegava primeiro para apoiar Bolsonaro.

“É um candidato que está mais à direita do que a direita tradicional chilena, como a UDI, que sempre procurou manter a identidade da ditadura de Pinochet. Kast saiu deste partido por considerar que a organização estava abandonando a sua identidade histórica e, de alguma maneira, estava se desfazendo deste legado. Ele é um defensor da ditadura. Por isso foi várias vezes visitar miliares presos pelas mais atrozes violações dos direitos humanos. Estou falando de nomes como Miguel Krassnoff Martchenko, brigadeiro do Exército que acumulou mais de 800 anos por todos os crimes que cometeu de sequestro, tortura e desaparição de pessoas”, condenou. | bit.ly/31d33OQ



FOTÓGRAFO DO LEVANTE CHILENO

“Revelamos a explosão social de um país na luta pela sua libertação”

“Através da lente, apreciei manifestações da arte em espaços públicos que nada têm que invejar aos grandes museus. Murais que querem apagar, esconder, e que, no entanto, voltam a renascer a cada dia”, afirmou o renomado fotógrafo chileno Ricardo Andrade Millacura, testemunha ocular da história.

Autor das fotos que compõem seus livros Testemunho de um processo (sobre o plebiscito em que, na ditadura de Augusto Pinochet, em 1988, o povo disse NÃO a postergar seu mandato por mais uma década) e 19-0-19 Estallido (que narra a explosão social de outubro de 2019), Millacura fala da relevância da Constituinte e da importância de “pôr fim às privatizações, porque no fundo são um roubo”.

Denunciando o aparato policial dos Carabineiros como extremamente perigoso, ele mostra que foi baleado no braço. Millacura aposta na força da solidariedade para que a democracia triunfe, bem como em um regime social mais justo. | bit.ly/3CYj3kD



HERANÇA NEOLIBERAL CHILENA

Próximo presidente herdará país exportador de recursos naturais e com superexploração do trabalho

A economista Consuelo Silva, mestre, doutora e pesquisadora chilena avalia que o modelo neoliberal implementado a força pela ditadura de Augusto Pinochet gerou uma economia subdesenvolvida, dependente da exportação de produtos primários sem valor agregado, sem indústrias ou tecnologia e com direitos sociais básicos totalmente vilipendiados. Para ela, mudar ou perpetrar esta situação é o que o povo chileno decidirá no segundo turno das eleições presidenciais.

O Chile foi o laboratório do modelo neoliberal de Estado, proposto por economistas da Universidade de Chicago que ficaram conhecidos como os Chicago Boys, dos quais Paulo Guedes, com orgulho, se diz seguidor. A devastação do Chile foi possível graças à ditadura militar mais sangrenta da América Latina.

A economia chilena se assenta quase que exclusivamente na exploração de recursos naturais como a mineração, em especial do cobre, esclareceu a economista. Este setor se mostra esgotado para seguir operando com a rentabilidade que tinha há 100 anos, em razão das reservas estarem num nível muito baixo. Isso se dá primeiramente porque a exploração desse minério está na maior parte em mãos de empresas estrangeiras mais interessadas em seu próprio lucro do que no desenvolvimento do país. Uma parte dessa atividade está nas mãos do Estado - cerca de 30% - e é explorada pela Corporação Nacional do Cobre (Codelco). | bit.ly/3E4HApQ



LÍDER DOS MÉDICOS DO CHILE

Izkia Siches se soma à campanha de Boric por “saúde, direitos e paz”

A líder do Colégio Médico do Chile [equivalente ao nosso Conselho Federal de Medicina], Izkia Siches, somou-se à campanha da coalizão Aprovo Dignidade para a eleição de Gabriel Boric à Presidência nesta quinta-feira (25)

Ao informar sua decisão de aliar-se a uma ampla composição de forças para derrotar o fascismo representado por José Kast, declarou: “O Chile enfrenta um desafio crucial até o futuro e que, neste momento histórico, creio que todos estamos chamados a dialogar e a contribuir, modelando o projeto que sonhamos para nosso país. Pessoalmente, estou convencida de que quero colaborar com esse caminho rumo a uma sociedade melhor, um caminho de direitos, em paz, em ordem e entre todos”, enfatizou Siches.

Para a presidente do Colégio Médico, “hoje é necessário percorrer um novo rumo e contribuir para que o projeto liderado por Gabriel Boric seja cidadão, incorpore todos os olhares, avance nos direitos e caminhe com a tranquilidade e segurança que os nossos compatriotas pedem”.

Com a respeitabilidade de quem mobilizou o país desde o ano passado para o combate à pandemia, pressionando as estruturas de governo a tomar medidas concretas contra o coronavírus, Izkia Siches apontou para a necessidade de continuar atentos. | bit.ly/3xuqE9J



TERCEIRO COLOCADO À PRESIDÊNCIA DO CHILE

“Não há espaço para a extrema direita em nosso país”, afirma Parisi

“No Chile não há espaço para a extrema direita. José Antonio Kast dificilmente terá condições de vencer e, pior ainda, considero impossível para ele governar. Piñera não poderia governar”, afirmou Franco Parisi, do Partido da Gente, terceiro colocado às eleições presidenciais de 21 de novembro.

Com 12,8% dos votos, o candidato que fez sua campanha desde os Estados Unidos, onde vive para fugir de uma milionária dívida por pensão alimentícia, não fez campanha presencial no país e nem participou dos debates com seus rivais, superando Sebastián Sichel (12,79%), indicado pelo presidente José Piñera, e Yasna Provoste (11,61%), da Democracia Cristã e do Partido Socialista, representantes dos grupos que se alternam no poder durante os últimos 16 anos.

Na manhã de Chilevisión de quinta-feira (25), Parisi disse que “mataram nas pessoas a ilusão da educação pública, da casa própria e de poder emergir”, rechaçando um eventual governo de Kast. A contundência da declaração se deu logo após o candidato do Partido da Gente ter dito numa entrevista ao jornal Últimas Notícias (LUN) que o programa econômico de Boric seria muito problemático para o Chile. Diante do exposto, a campanha de Kast começou a disparar pretensos apoios de Parisi ao ultradireitista. Parisi enviou prontamente mensagens de desmentido, esclarecendo eventuais dúvidas. | bit.ly/3D4S5Ie



ARGENTINA SOBERANA

Presidente Alberto Fernández lança movimento para recuperar soberania das Ilhas Malvinas

“Ser soberanos não é outra coisa que a possibilidade de recuperarmos o direito de decidir por nós mesmos. As Malvinas foram, são e serão argentinas. Vamos lutar até que elas voltem a ser nossas. Todos os argentinos querem recuperá-las. Não há dúvida do direito que temos sobre essas terras”, afirmou o presidente Alberto Fernández.

Durante o lançamento da Mesa de Trabalho Interministerial “Agenda Malvinas 40 anos”, na sexta-feira (19), Fernández ressaltou que a intenção do governo peronista é implementar um plano entre os diversos ministérios para divulgar a proposta oficial de retomar a questão da soberania sobre as ilhas poucos meses antes de se cumprirem quatro décadas da guerra com o Reino Unido, iniciada em 2 de abril de 1982, que acabou com o país europeu como vencedor. Entre seus pilares está o pedido de reiniciar o diálogo com Londres, ratificar a paz para resolver a disputa e homenagear os soldados mortos.

“Quando falamos em soberania, sempre acabamos falando nas Malvinas porque nossa soberania territorial está quebrada, manchada lá. Que nunca ninguém roube o nosso amor pelas Malvinas, que ninguém nos tire o direito que temos sobre aquela terra, nunca esqueçamos que há 40 anos centenas de argentinos foram para lá deixar a vida e temos o dever com a memória de cada um deles”, enfatizou o presidente. | bit.ly/3nY9zSg



BOLÍVIA FEMININA

Mulheres protagonizam a Marcha pela Pátria e a Democracia

Centenas de mulheres jovens, adultas e idosas protagonizam a Marcha pela Pátria e pela Democracia, que retomou quinta-feira (25), às cinco da manhã, rumo à cidade de Lahuachaca, no terceiro dia de viagem à sede do governo.

A líder da Confederação Nacional Bartolina Sisa de Mulheres Camponesas, Indígenas e Nativas da Bolívia, Flora Aguilar, destacou a participação feminina na história e sua luta permanente pelas reivindicações dos setores que conquistaram, com esforço coletivo, uma revolução democrática e cultural no país.

As manifestantes assinalaram que marchavam “para apoiar ao nosso processo de mudanças, ao presidente Lucho Arce e ao vice David Choquehuanca, frente as tentativas golpistas da direita”.

Flora agradeceu ao ex-presidente Evo Morales pelas inúmeras políticas sociais em benefício do segmento, “começando pela Constituição Política do Estado, em que se incluiu as mulheres, um espetacular avanço”. Entre outras conquistas, citou explicitamente a Lei 348, que combate rigidamente a violência contra a mulher e o bônus Juana Azurduy que distribui a mulheres grávidas e a crianças de até dois anos um auxílio para motivar o acompanhamento médico, que tem reduzido drasticamente os índices da mortalidade infantil. | bit.ly/3cUfUI7



CUBA É FIDEL

Ilha revolucionária recorda em 25 de novembro a partida do Comandante

“Como se para nos alertar de que se tratava apenas de uma nova viagem em direção a outros horizontes de luta e épico revolucionário, o destino quis dotar a data da morte do Comandante de grande simbolismo, ocorrida em 25 de novembro de 2016, precisamente 60 anos após o líder da Revolução Cubana, desafiando todas as impossibilidades, lançou-se ao mar, no porto de Tuxpan, no iate Granma com seus camaradas, determinado a libertar a pátria do jugo opressivo ao preço de suas próprias vidas”.

Em artigo no jornal Granma, Elier Ramírez Cañedo destacou que Fidel foi o maior promotor da solidariedade e do internacionalismo cubano, “sendo sempre muito claro que a solidariedade não só ajuda e liberta quem a recebe, mas também – e em muitas ocasiões ainda mais – a quem a oferece. Não foi por nada que ele disse em um de seus brilhantes discursos: A liberdade é conquistada através da solidariedade”.

No artigo Fidel é Cuba, Cuba é Fidel, Cañedo ressaltou que o líder colocou a Ilha “no mapa do mundo e, ao mesmo tempo, através de sua liderança, contribuiu para mudar a geografia de outras regiões importantes do mundo em favor da independência e de ideias progressistas”. | bit.ly/3xuqEXh



ELEIÇÕES EM HONDURAS

Xiomara quer pôr fim a 12 anos de violência, corrupção e neoliberalismo

Neste domingo (28), mais de cinco milhões de hondurenhos estão convocados para eleger o presidente da República, 128 deputados do Congresso Nacional, 20 do Parlamento Centro-americano, 298 prefeitos e mais de dois mil vereadores. Em disputa, o desafio de pôr fim a 12 anos de neoliberalismo e de desgoverno.

Dos candidatos à presidência, apenas dois têm chance de vitória: Xiomara Castro de Zelaya – à frente nas pesquisas - e Nasry Asfura. Membro da Aliança de Oposição formada pelos partidos Liberdade e Refundação (LIBRE), partido Salvador de Honduras, Partido da Inovação e Unidade Social Democrática, Xiomara é esposa do ex-presidente Manuel Zelaya (2006-2008), deposto por um golpe financiado pelos Estados Unidos. No outro extremo está Nasry Asfura, representante do Partido Nacional, no poder, caracterizado como o “homem de frente” do presidente Juan Orlando Hernández (JOH).

Às vésperas da votação começou a ser distribuído um “Bônus Bicentenário” de 7 mil lempiras (US$ 290 dólares) para pessoas que vivem na pobreza, qualificado como “compra de consciências” em favor do candidato governamental. À procura da ajuda, a imprensa registrou na sexta-feira (26) imensas filas na capital.

Conforme o Banco Mundial, Honduras é o segundo país mais pobre do continente, depois do Haiti: quase metade da população (4,8 milhões de pessoas) vive com menos de US$ 5,50 por dia e 14,8% dos hondurenhos sobrevivem com menos de US$ 1,90 por dia. | bit.ly/3D1AVLN



COLÔMBIA NA LUTA

“É preciso semear trabalho” defende sindicalista candidato pelo Pacto Histórico

Antes da pandemia a Colômbia registrava 10% de desemprego, informalidade de 50%, 2,7 milhões de jovens que não estudam nem trabalho, uma taxa de sindicalização de apenas 4% e uma cobertura na negociação coletiva de 6%.

Estes números, condenou Edwin Palma, ex-presidente da União Sindical Operária (USO) e candidato ao Senado pelo Pacto Histórico (coalizão político-eleitoral progressista), foram agravados pela pandemia, que aprofundou a crise econômica, política e social do país. A denúncia foi feita em um diálogo sobre os direitos do trabalho realizado recentemente em Bogotá organizado pela Corporação para o Desenvolvimento da Educação e a Investigação Social (Corpeis).

Palma assinalou que a crise generalizada não se deve à pandemia, que apenas a tornou mais visível. O sindicalista destacou que a situação é tão grave no mundo que personalidades como o Papa pediram aos sindicatos que influenciem na transformação das sociedades a fim de garantir um salário mínimo universal e uma renda básica universal para que pessoas não morram de fome. | bit.ly/314NBnG



PERU EM DISPUTA

Extrema-direita tenta destituir o presidente Pedro Castillo

A extrema-direita empurra o Peru para o abismo do caos, apostando em um golpe contra o governo progressista de Pedro Castillo, que ganhou as eleições. Com apenas quatro meses na presidência do camponês, professor rural e sindicalista, os setores ligados a Keiko Fujimori apresentam ao Congresso uma moção para destituir Castillo por “incapacidade moral”.

Após tentarem desconhecer o resultado eleitoral, alegando uma suposta fraude, por meio da qual buscaram impedir que assumisse a presidência, agora tentam a partir do Congresso a destituição na tentativa de disfarçá-lo de legalidade.

Por detrás da conspiração parlamentar, denunciou Castillo, “estão grupos que precisam prestar contas coma Justiça” e recuperar o poder ao bando de Alberto Fujimori – que presidiu o país entre 1990 e 2000, e hoje encontra-se preso por corrupção e crimes contra a humanidade, como os vários massacres que ordenou.

Sua filha, Keiko, está acusada de lavagem de dinheiro e nos próximos meses deve enfrentar um julgamento, com um pedido de 30 anos de prisão. “É por isso que querem minar o quadro institucional, querem desestabilizar o país”, condenou Castillo. | bit.ly/3D57Gr7



REVOLTA NO EQUADOR

Novo massacre em penitenciária expõe desgoverno de Lasso

O Equador vive semanas de extrema turbulência, após o último massacre na Penitenciária do Litoral, a mais populosa do país. Alguns jornalistas começaram a noticiar o movimento inusitado fora do complexo e logo vários receberam mensagens de parentes de pessoas detidas naquela prisão, alertando sobre novos atos de violência, alguns se despedindo de suas mães em vista de um massacre iminente.

Enquanto isso acontecia diante dos olhos horrorizados do país, o silêncio governamental era total, tornando-se pesado demais. E foi brutal quando as imagens de um evento diplomático de gala começaram a circular naquela mesma noite pelo 246º aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

As imagens mostravam o presidente Guillermo Lasso, o ministro da Defesa e o governador de Guayas - província onde ocorreu o massacre -, entre outras autoridades. Os risos dos convidados, as mesas com talheres servidos e taças de vinho, e a elegante decoração do local, contrastavam com a violência desencadeada nessa mesma província, os familiares dos detidos fora da penitenciária, e os pedidos de socorro.

Ocorrido no dia 11 de novembro, este foi o quarto massacre do ano, com a Promotoria confirmando a morte de 68 presos. | wapo.st/3xzKVdR



MERCEDES SOSA E A NOSSA AMÉRICA

La Negra, a voz dos sem voz, tem primeira biografia lançada em português

A voz dos sem voz, Mercedes Sosa, uma das cantoras mais conhecidas e influentes da América Latina, teve sua primeira biografia lançada em português na quarta-feira (24).

A autoria é da dinamarquesa Anette Christensen, que decidiu mergulhar na trajetória da artista e, nesse percurso, se apaixonou pela América Latina, encarou traumas de infância e transtornos psicológicos, e passou a reescrever seu próprio passado. Ao final de oito anos, transformou essa jornada em livro.

Filiada ao Partido Comunista nos anos 1960 e perseguida pela ditadura militar, “La Negra” - referência à sua ascendência indígena - foi presa e exilada no final da década seguinte. Em um contexto de censura e violência, sua música tornou-se a voz dos oprimidos e dos que resistiam ao autoritarismo no continente.

Além de sua carreira e militância política, o livro aborda momentos importantes da vida de Mercedes Sosa, como os dias de exílio na Europa e a decisão de interromper uma gravidez. | bit.ly/3o1vmbY

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