Pelo Mundo

Afirmação de Chávez é ridícula, diz Departamento de Estado

23/02/2005 00:00

Washington – As afirmações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que assegurou que o governo de Washington quer assassiná-lo são "ridículas" e "falsas", afirmou terça-feira (22) o Departamento de Estado norte-americano. A idéia de que os Estados Unidos queiram assassinar Chávez "é simplesmente equivocada", disse o porta-voz Richard Boucher.

Domingo (20), em seu habitual programa televisivo, Chávez disse estar convencido de que "estão planejando minha morte em Washington". Chávez enfatizou que "se me matarem, haverá apenas um grande culpado nesse mundo, e esse é o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush", mas não apresentou nenhuma prova de suas afirmações. 

Durante a coletiva de imprensa dada no Departamento de Estado, Boucher se limitou a qualificar os comentários de Chávez como "ridículos" e “falsos”. Depois de assegurar que a idéia de uma agressão ao presidente venezuelano é "simplesmente equivocada", reafirmou as habituais críticas de Washington às autoridades de Caracas.

"Acredito que toda a região" americana "está preocupada com alguns acontecimentos que vêm se desenvolvendo na Venezuela, relacionados à oposição" ao presidente Chávez e à liberdade de imprensa, destacou Boucher. Além disso, afirmou o porta-voz, "toda a região esteve preocupada" com as supostas ações guerrilheiras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) na Venezuela.

"Temos que nos preocupar com esses aspectos do comportamento venezuelano, porque prejudicam a região. E precisamos enfrentá-los", afirmou. O porta-voz disse ainda que os Estados Unidos "sempre tiveram uma ação positiva" em torno dessas questões, já que sempre buscou "a cooperação da Venezuela e de outros países" para solucioná-las.

"Infelizmente, além dessa posição primitiva e dessas declarações ridículas, não temos visto nenhum progresso concreto para reverter esse quadro negativo" na Venezuela com relação às questões de democracia e liberdade de imprensa, destacou. Os Estados Unidos estão observando de perto a posição da Venezuela na região", advertiu Boucher. Tal atitude, completou, "não está centrada em pessoas, mas, sim, em políticas e problemas". 

OEA
O embaixador venezuelano da Organização dos Estados Americanos (OEA), Jorge Valero, disse terça-feira (22) que os Estados Unidos não obterão apoio para uma aprovar uma possível modificação na Carta Democrática Interamericana. A mudança buscaria uma eventual exclusão do governo de Hugo Chávez.

"Estes objetivos não vão encontrar respaldo majoritário na OEA. A Venezuela conta hoje com amplo apoio dos países do continente e está muito bem posicionada na OEA", afirmou Valero em uma entrevista por telefone ao canal estatal Venezuelana de Televisão. O embaixador endossou a denúncia feita na segunda-feira (21) pelo ministro de Informação e Comunicação, Andrés Izarra, que disse que os Estados Unidos estariam buscando "isolar e agredir" a Venezuela.

"A delegação dos EUA já anunciou que irá apresentar uma reforma na Carta Democrática Interamericana com um objetivo do qual não sabemos a natureza", revelou o diplomata. Segundo ele, a proposta seria introduzida na próxima Assembléia Geral da Organização de Estados Americanos (OEA), que terá início no mês de junho. A atitude poderia "buscar uma eventual exclusão da Venezuela do sistema interamericano.

As informações são da Agência Ansa.


Conteúdo Relacionado