Pelo Mundo

Al-fatah tem novo líder, que não descarta luta armada

12/11/2004 00:00

Tunis – Velho protagonista da história palestina, o exilado Faruk Kaddumi, 73,  co-fundador do Al-Fatah (a mais forte e mais organizada facção palestina, liderada por Arafat) a partir de hoje líder do primeiro partido palestino, já enviou uma mensagem clara aos dirigentes de Ramallah (e aos israelenses), afirmando que a luta armada continuará se as negociações com o Estado de Israel fracassarem.


"A resistência é o caminho para se chegar a uma solução política", declarou Kaddumi para Al-Manar, a emissora de TV do Hezbollah, lembrando a famosa intervenção de Yasser Arafat em 1974 na Organização das Nações Unidas (ONU), quando o líder palestino proclamou: "Com uma mão empunho o fuzil e com a outra um ramo de oliveira". "Naquele discurso, Arafat quis dizer que estava pronto para conversas políticas com Israel, mas que, caso fracassassem, continuaria a empunhar as armas. Isso continua válido hoje", afirmou Kaddumi.


O novo líder do Al-Fatah se refugiou com Arafat em Tunis, onde a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tinha o próprio quartel-general de 1982 a 1994. Depois dos acordos de Oslo, em 1993, Arafat voltou para os territórios palestinos, enquanto que o seu velho companheiro de luta permaneceu na capital da Tunísia, com o duplo cargo de número dois da Al-Fatah e chefe do gabinete político (Relações Exteriores) da OLP, do qual o partido de Arafat é o principal integrante.


Em todos estes anos, o "falcão" do Al-Fatah se manteve afastado dos centros de poder palestinos em Ramallah e em Gaza e, pelo menos segundo afirmações da televisão do Hezbollah, não parece disposto a voltar tão cedo do exílio. Recentemente, Kaddumi foi um dos poucos líderes palestinos a ser admitido na cabeceira de Arafat, no hospital militar de Paris onde agonizou. Ontem à noite, antes mesmo do anúncio da morte do presidente da ANP, seguiu para o Cairo, onde amanhã acontecem os funerais.


Seu apelo desta quinta (10) para uma reunião da comissão executiva palestina fora dos territórios para preparar a era pós-Arafat, ficou como letra morta. Por isso é incerto o papel político de Kaddumi, que, pelo menos até as eleições e mesmo longe de Ramallah, deverá lidar com um triunvirato de dirigentes palestinos moderados e, em particular, com o sucessor de Arafat na direção da OLP, o ex-premier Abu Mazen.


O número um do Al-Fatah já adiantou que, entre as facções palestinas, deverá haver "relações estreitas", isto é, um relacionamento participativo na adoção e aplicação de decisões. O opositor dos acordos de Oslo também se disse favorável a uma autoridade
palestina que inclua os grupos integralistas islâmicos armados, como o Hamas e as demais facções contrárias às negociações com Israel.


Segundo alguns analistas, um retorno efetivo de Kaddumi na cena política palestina poderia fortalecer a aliança entre os militantes de Al-Fatah e os extremistas islâmicos comprometidos na Intifada contra Israel, defendendo ao mesmo tempo a luta pelo poder nos territórios palestinos.

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