Pelo Mundo

Alvaro Uribe cada vez mais perto da reeleição na Colômbia

10/09/2004 00:00

Indymedia

Créditos da foto: Indymedia

Bogotá – O Congresso colombiano ficou a um passo de permitir a reeleição presidencial de Alvaro Uribe, ao aprovar pela sexta vez, das oito necessárias, a reforma constitucional defendida pelo governo. A votação ocorreu na quarta-feira (8). O senador da esquerda Antonio Navarro Wolf, um dos mais influentes opositores ao projeto, prevê que o governo sairá vitorioso. A reforma permitirá que Uribe, eleito em 2002, lance sua candidatura novamente em 2006.

Uribe angariou apoio para seu projeto com através de um amplo capital político acumulado nos últimos anos. Pesquisas de opinião indicam que o presidente é amplo favorito se participar de uma nova eleição e alguns institutos prevêem que ele pode alcançar até 80% dos votos. Segundo pesquisa do instituto YanHass, 60% dos colombianos acham que o presidente está fazendo um bom trabalho. Apenas 5% o reprovam.

No debate de quarta à noite na Câmara do Congresso, a reeleição foi aprovada com 65 votos a favor e 23 contra. Os representantes da Câmara também aprovaram uma reforma constitucional que permitirá ao prefeito de Bogotá e aos governadores, assim como aos ministros e embaixadores, candidatarem-se à Presidência da República sem ter que renunciar ao cargo um ano antes das eleições.

O bom momento vivido por Uribe é reflexo direto do Plano Colômbia. Com dinheiro enviado pelos Estados Unidos, o governo colombiano, foi ampliado o efetivo das forças de segurança. O número de seqüestros no país, por exemplo, caiu para 2 mil ao ano em 2003, ante os 3 mil do ano anterior. A população do país parece não se importar muito com as acusações de ingerência norte-americana e a classificação do governo Uribe como autoritário.

Mas Uribe está longe de ser unanimidade. Nas últimas semanas, um grupo de 90 ONGs tem vindo a público acusar o presidente de ser o responsável pelo "deterioramento dos direitos sociais e econômicos" no país. Grupos indígenas também estão em pé de guerra com o governo. No início de setembro, agentes da Unidade Técnica Judicial da Fiscalização detiveram o chefe indígena da comunidade paez, Alcibíades Escué, por sua suposta relação com uma empresa de saúde acusada de servir como fachada para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A prisão provocou protestos de sua organização indígena.

Escué, de 40 anos, dirigente indígena no departamento (Estado) de Cauca, no sul da Colômbia, foi levado Bogotá e encarcerado numa delegacia. Sua comunidade divulgou um anúncio em que rechaçaram "energicamente" a prisão qualificada como "repudiável afronta" contra a organização. Disseram ainda que trata-se de uma "perseguição aberta por parte dos organismos de segurança do Estado contra nosso movimento indígena".




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