Pelo Mundo

Chile explode em protestos contra APEC e Bush

18/11/2004 00:00

Indymedia Chile

Créditos da foto: Indymedia Chile

Santiago, Chile – A Cúpula de países da Ásia e do Pacífico (Asian Pacific Economic Cooperation - APEC), que acontece em Santiago, Chile, nos próximos dias 20 e 21, e que deve reunir 21 líderes das economias que o formam, como George W. Bush (EUA), Vladimir Putin  Rússia) e Hu Jintao, (China), já transformou as ruas da cidade em campo de batalha.

 

Logo pelas 10h da manhã desta quarta-feira (17), centenas de estudantes universitários e secundaristas organizaram uma marcha de protesto no centro de Santiago, violentamente reprimida por policiais com jatos de água, bombas de gás e cacetes. Iniciou-se uma verdadeira batalha por toda a região central, com enfrentamentos localizados em várias ruas e praças, ataques a uma loja do Mac Donalds, e, às 15h da tarde, um saldo de 120 manifestantes presos. Concomitantemente, em Valparaiso, interior do Chile, um tanque acabou pegando fogo durante a repressão à outra marcha estudantil.

 

Mas os protestos não devem parar por aí. O escritor chileno Luis Sepúlveda anunciou para esta sexta-feira uma nova manifestação contra a APEC, como parte do Fórum Social Chileno que acontece concomitante à Cúpula dos governos. Baixo o lema "Outro Mundo é Possível", artistas e intelectuais devem participar do protesto, que terá como alvo principal o presidente americano.

 

Para Sepúlveda, Bush obviamente não será sensível a nenhuma das mensagens dos manifestantes, mas é importante que a população demonstre sua opinião. O escritor disse ainda, referindo-se à primeira-dama, Laura Bush, "que não se atreva a pisar na casa-museu de Pablo Neruda. Seria uma ofensa à memória do Prêmio Nobel de Literatura".


O escritor explicou o sentido do protesto, que será realizado de forma simultânea à abertura da Apec, com um simples "chegou o momento de dizer não". O objetivo da cúpula, segundo Sepúlveda, não é o de uma reunião de governantes, "como se tem vendido. Esta é uma reunião para que as grandes empresas cheguem a um consenso, para buscar acordos entre os donos da economia, destinada a marginar a maior quantidade possível de cidadãos das decisões que afetam a área. A Apec vai tratar de forma muito privada de temas que não virão à público, como o gravíssimo problema o deslocamento das grandes empresas, que mudam para produzir em países onde isso fica muito mais barato", declarou o escritor. E acrescentou: "Este é um primeiro passo para depois exigir dos países mais pobres leis muito mais draconianas, que facilitem uma flexibilidade trabalhista, ou seja, salários cada vez menores. Contra isso é que precisamos protestar pacificamente, manifestar, e, sobretudo, formular alternativas. Insisto nessa necessidade de voltar a pensar, nessa atividade tão subversiva que é o pensar e formular alternativas”.


Cantores como Florcita Motuda, Alvaro Henríquez e o vencedor do Prêmio nacional de Teatro, Marés González, alinham-se a Sepúlveda.  De sua parte, o sociólogo e pré-candidato presidencial comunista, Thomás Moulian, definiu a cúpula Ásia-Pacífico como um mero rito da globalização neoliberal. "São reuniões de relações públicas, que não têm influência decisiva como as do Fundo Monetário Internacional ou da Organização Mundial do Comércio", declarou.


"Essa globalização neoliberal não é apenas a continuação da divisão internacional do trabalho. Os países abandonaram o protecionismo e se alinham ao livre comércio, mas isso não significa que ele seja mais justo, só mais intenso. Há maior possibilidade de lucro para os setores exportadores, mas isso não resolve o desenvolvimento dos povos. A capacidade econômica de países que vendem produtos com grande valor
agregado e que têm capacidade tecnológica é muito diferente diante daqueles que exportam recursos não-renováveis e que conseguem apenas abrir alguns nichos de valor agregado, como, no caso no Chile, a exportação de vinhos", afirmou Moulian.


O dirigente também lamentou a presença no país do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, por haver declarado unilateralmente a guerra ao Iraque. "Ele criou o conceito de guerra preventiva decidida apenas com seus aliados mais próximos, sem nenhuma organização democrática internacional que possa impedi-lo".
 

Um grupo de advogados, ativistas pelos direitos humanos e partidos de esquerda apresentou nesta quarta uma queixa nos tribunais de justiça para que Bush fosse interrogado no Chile pelas torturas que houveram nas cadeias iraquianas. O pedido foi rejeitado.

 

Agencias Ansa, Radio Mundo Real e Centro de Mídia Independente-Chile

 

 

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