Pelo Mundo

Exército da Nicarágua toma distância do presidente Ortega

"Não temos porque reprimir o povo que se manifesta", afirma porta-voz militar

14/05/2018 13:00

Alfredo Zuniga, AP

Créditos da foto: Alfredo Zuniga, AP

 

Os protestas e bloqueios de estradas contra o governo do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, continuaram nesta semana em ao menos 10 cidades do país, após duas noites marcadas por atos de vandalismo e enfrentamentos violentos. Em meio a essa situação, o Exército decidiu tomar distância do mandatário ao afirmar que não reprimirá as manifestações antigovernamentais.

O episcopado, no entanto, busca fixar data para o diálogo com Ortega, para colocar fim à crise, que já deixou dezenas de mortos, centenas de feridos e detidos, além de vários desaparecidos.

Pela madrugada foram reportados ataques contra sedes do partido governante, a Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN), nas cidades de Chinandega, Granada, La Concepción e León.

Em Matagalpa, em Estelí e no histórico bairro indígena de Monimbó de Masaya, antigos enclaves da luta sandinista contra a ditadura dos Somoza (1934-1979), os manifestantes levantaram barricadas de mais de um metro de altura.

Em Chontales, milhares de camponeses bloquearam a circulação de veículos, o que afetou os caminhões que transportam alimentos aos mercados da capital. Houve manifestações similares em Rivas.

No famoso Mercado Oriental desta capital, considerado o maior centro mercantil do país, os comerciantes levantaram barricadas com paralelepípedos para se defender de saqueadores, que tentaram atacar os negócios.

Além disso, taxistas de Manágua começaram uma greve e bloquearam ruas e avenidas com seus automóveis, o que provocou caos no trânsito. As pessoas tiveram que chegar aos seus trabalhos a pé.

Simpatizantes da FSLN e empregados públicos gritaram consignas e flamularam bandeiras da Nicarágua junto com a flâmula rubro-negra da Frente Sandinista em favor de Ortega, na rotatória Hugo Chávez, localizada no antigo centro de Manágua.

Estudantes universitários, protagonistas das mobilizações, negam ter cometido atos de vandalismo. Culpam a agrupação pró-governamental Juventude Sandinista de causar distúrbios para justificar a repressão policial das últimas semanas, que deixou três mortos por impacto de bala.

Neste contexto, o coronel Manuel Guevara, porta-voz do Exército, indicou: “não temos porque reprimir o povo que se manifesta nas ruas. Acreditamos que o diálogo é a solução”. Disso que posição das Forças Armadas nesta crise, que já leva quase um mês, está apegada ao mandato constitucional de “proteger objetivos vitais para o funcionamento do país.

“Rechaçamos informações manipuladas que nos querem fazer aparecer reprimindo os protestos”, enfatizou.

A jornada de protestos se produz em meio de esforços realizados pela Conferência Episcopal por calmar os ânimos e convocar a um diálogo proposto pelo governo. A crise começou no dia 17 de abril, com um protesto de estudantes contra uma reforma da previdência social, a qual aumentava as contribuições dos trabalhadores e das empresas.

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