Pelo Mundo

Maduro convence oposição a participar das eleições: ''basta de conflitos estéreis; é tempo de diálogo''

Em entrevista, o presidente da Venezuela comentou as negociações recentes no México, após as quais o setor mais raivoso da direita, liderado pelo ex-deputado Juan Guaidó, aceitou participar das eleições regionais de novembro

14/09/2021 13:20

(Reprodução/Twitter/@PresidencialVen)

Créditos da foto: (Reprodução/Twitter/@PresidencialVen)

 
A Venezuela ainda não contornou totalmente a crise política, mas o fato é que o atual momento é muito mais favorável ao presidente Nicolás Maduro que à oposição ao seu governo.

Em uma entrevista concedida pelo mandatário ao canal estatal VTV, o tema mais importante foi justamente este atual cenário político, o diálogo com a oposição no México e a mudança de postura, especialmente da direita mais radical, liderada pelo ex-deputado Juan Guaidó, que passou os últimos três anos pregando desconhecer a legitimidade de Maduro e agora aceita participar das eleições regionais, que serão realizadas em 21 de novembro.



Na conversa, o presidente da Venezuela comemorou que com os encontros entre representantes governistas e opositores “estão gerando acordos que permitem uma nova etapa de estabilidade política, na qual os setores que responderam à agenda da violência, hoje reconhecem a legitimidade do governo bolivariano e a trajetória eleitoral”.

“Basta de conflitos estéreis! É tempo de diálogo e de democracia nos conduzam às soluções, e que alcancemos resultados novos, com métodos novos”, afirmou Maduro.

Os encontros mencionados pelo mandatário fazem parte da Mesa de Diálogo Nacional, que já realizou duas reuniões na Cidade do México (em agosto e setembro). Reúne representantes do governo e da oposição, e é mediada pelo chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, além de contar com a observação do NOREF (sigla em inglês do Centro Norueguês de Resolução de Conflitos).

Sobre o segundo encontro entre representantes do seu governo e da oposição, ocorrido no último fim de semana, Maduro explicou que as duas partes “assinaram um memorando de entendimento, que passou a ser obrigatório após sua ratificação pela Assembleia Nacional”. Maduro lembrou que o documento estabelece que a oposição se compromete a agir para que todas as sanções econômicas impostas à Venezuela a nível internacional sejam levantadas, e que o governo possa recuperar o acesso às suas contas em instituições financeiras internacionais, que foram bloqueadas há mais de dois anos.

Sobre as expectativas para os próximos passos da Mesa de Diálogo Nacional, o líder venezuelano preferiu não fazer previsões, apenas garantiu que seu governo terá “paciência e estratégia para conseguir a recuperação e o bem-estar dos venezuelanos”.

“Quando nos sentamos com a oposição, entendemos que existem problemas pessoais, diferenças políticas, diferenças eleitorais, ódio, inveja, mesquinharia… tantas coisas que não se sabia direito o que se podia esperar. Depois de dois encontros, o que eu posso dizer à Venezuela é que nós do governo vamos ter a maior paciência e leitura estratégica. Estaremos à altura do desafio de chegar aos acordos e dispostos até a engolir quantos sapos tiverem que ser engolidos, com areia incluída, para buscar o consenso”, explicou o presidente.

Outro ponto importante que Maduro ressaltou sobre o diálogo é a menor influência da Casa Branca nos encontros. “Quando nos sentamos à Mesa de Diálogo, não nos sentamos com o governo dos Estados Unidos, mas entendemos que aquela plataforma era de políticos dependentes das opiniões dos Estados Unidos. A mediação permitiu que pudéssemos nos ater mais aos interesses da Venezuela”, comentou.

O líder bolivariano também celebrou que a oposição abandonou o discurso adotado em 2019, quando o então deputado Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela, apoiado pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, e encabeçou uma campanha para que a Comunidade Internacional desconhecesse a legitimidade do governo de Maduro.

Com o diálogo, a oposição abandonou oficialmente essa posição, e até os setores mais radicais - como o partido de Juan Guaidó, Vontade Popular – anunciaram que reconhecem a legitimidade das eleições regionais que o país organizará no próximo mês de novembro, e que inscreverão seus candidatos para participar do mesmo.

“Na Venezuela nunca existiu dualidade de poder. Quem disse que houve dois governos administrando paralelamente o território, a população, as instituições, as políticas públicas? Nunca. Houve apenas um governo legítimo, o governo eleito constitucionalmente”, disse o presidente.

Logo, acrescentou: “o que houve foi uma campanha brutal contra a Venezuela. Procuraram derrubar o governo, destruir da Revolução Bolivariana e promover uma espécie de colonização política e econômica da Venezuela”.

Maduro também falou em não permitir a impunidade para atores políticos que foram favoráveis às medidas coercitivas e responsáveis %u20B%u20Bpor danos econômicos à nação. “Deve haver justiça severa aqui, porque o dano causado à família venezuelana é grande (…) não haverá impunidade aqui nem no México”, assegurou o mandatário, dando a entender que esta será uma exigência dos seus representantes para próximos acordos.

O presidente da Venezuela também disse que a postura mais radical da oposição nos últimos anos provocou maior consciência política nas bases chavistas. “A luta de classes existirá com diálogo ou sem diálogo, “A luta de classes é algo inevitável, porque é a luta de ideias, de projetos, de realidades, pelo poder e pela distribuição das riquezas”, concluiu Maduro.

*Publicado originalmente em 'teleSUR' | Tradução de Victor Farinelli



Conteúdo Relacionado