Pelo Mundo

Mais de 50 mil chilenos vão às ruas contra George W. Bush

13/11/2004 00:00

Indymedia Chile

Créditos da foto: Indymedia Chile

Santiago, Chile – Uma imensa e diversificada manifestação de mais de 50 mil pessoas, que desfilou pelas avenidas e ruas do centro de Santiago do Chile, até desembocar em uma grande praça central da cidade, marcou a abertura do I Fórum Social Chileno. O Fórum se realiza paralelamente, em protesto e como alternativa à reuniao da Apec (sigla em inglês para o acordo de coorperação entre os Estados da Ásia e do Pacífico), em que 19 mandatários de países de três continentes discutem o aprofundamento dos intercâmbios na direção do livre comércio. 

A capital chilena está ocupada militarmente desde esta quinta-feira (18), quando desembarcou no país o demissionário secretário de Estado dos EUA, Colin Powell e, especialmente a partir de hoje, com a chegada do presidente norte-americano George W. Bush – que realiza sua primeira viagem ao exterior depois de sua vitoria eleitoral – e do presidente russo Vladmir Putin. 

A manifestação foi polarizada pelo repúdio a Bush, seja por sua visita ao país, depois da assinatura do vergonhoso – para Chile – acordo bilateral entre os dois países –, seja pelos bombardeios sobre Falujah e as primeiras medidas depois das eleições, em que o presidente reafirma sua linha fundamentalista de direita e sua intenção de intensificar a política belicista do seu governo. 

Da manifestação participaram índios mapuches, movimentos ecológicos, estudantes, sindicalistas, partidos politicos de esquerda e a Attac (Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos) – a principal organizadora da marcha –, em um cortejo que ocupou simultaneamente dezenas de quadras do centro da cidade, depois que o governo autorizou sua realização, embora colocando uma série de limitações. Houve forte repressão policial e dezenas de manifestantes foram detidos.

Desde os protestos do plebiscito em que a derrota de Pinochet anunciou o fim da ditadura militar, em 1988, o Chile não conhecia uma manifestação tão grande quanto a realizada hoje. Neste sábado se iniciam as dezenas de atividades do Fórum Social Chileno, com o tradicional lema popularizado no processo do Fórum Social Mundial: "Outro Chile é possível". Já chegaram à capital chilena para o evento o jornalista Bernard Cassen, dirigente da Attac francesa e o escritor chileno radicado na Espanha, Luis Sepulveda. 

Unida ao excelente resultado da frente de esquerda nas eleições municipais deste mês, a manifestação aponta para a nova cara da esquerda chilena, agora com os olhos voltados para o lançamento de uma candidatura única para as eleições de daqui a um ano, para disputar hegemonia com a bipolarização atual entre a direita tradicional e a aliança socialista-democrata cristã, no governo desde o final da ditadura, em 199


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