Pelo Mundo

Mísseis cubanos contra a mentira

 

10/01/2022 10:34

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Créditos da foto: (Reprodução/Twitter)

 
As vacinas cubanas contra a covid-19 mostraram alta efetividade, segundo os estudos da fase clínica, de intervenção populacional e em sua aplicação muito bem-sucedida na ilha, chegando a um nível de eficácia superior a 90%.

Com isso, o Ministério de Saúde Pública de Cuba conseguiu diminuir a espiral ascendente de contágios que surgiu com a disseminação da variante delta, a partir de julho e agosto do ano passado. As vacinas Abdala, Soberana 02 e Soberana Plus receberam autorização para o seu uso emergencial, outorgado pela exigente agência reguladora cubana CECMED (Centro de Controle Estatal de Medicamentos e Dispositivos Médicos), um dos oito centros de referência da América Latina – assim como a mexicana COFEPRIS (Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários).

Semanas depois de os antígenos cubanos começarem a ser aplicados em velocidades recordes, começou a se observar um visível declínio nos contágios, atingindo um mínimo de novos casos e mortes no início de dezembro, quando 90% da população já havia recebido pelo menos uma dose. No dia 20 de setembro, no início da campanha de vacinação, o país registrava cerca de 40 mil contágios e 69 mortes diárias. No início de dezembro, as infecções diárias caíram para 120, com uma ou nenhuma morte por dia.

Nos últimos dias, houve um novo aumento no número de contágios, aparentemente devido à entrada no país da variante ômicron. Ainda assim, o índice de mortalidade continua baixo, o que não levou as autoridades cubanas ao comodismo.

O Ministério de Saúde Pública desenhou rapidamente uma campanha para aplicação de doses de reforço das vacinas Abdala e Soberana 02, que se iniciará no final de janeiro, e será destinado à toda a população. Atualmente, mais de 90% das pessoas estão vacinadas com esquema completo em Cuba, o que significa o maior índice entre todos os países do mundo.

Além disso, a vacina Abdala, desenvolvida pelo Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia de Cuba, acaba de ser aprovada pelo COFEPRIS, o que significa que está autorizada para ser aplicada no México. Esta vacina cubana ganhou seu nome em homenagem ao famoso poema patriótico de José Martí. Nos ensaios clínicos, ela demonstrou te eficácia de 92,28% na prevenção da doença sintomática causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, durante o ensaio clínico de fase III, no qual participaram 48 mil voluntários. O estudo também mostrou 100% de eficácia na prevenção de hospitalizações e mortes – ou seja, nenhuma das pessoas do grupo morreu ou precisou ser hospitalizada. Devido à sua eficácia e segurança, o CECMED (agência reguladora cubana) aprovou seu uso emergencial em crianças de 2 a 11 anos, fazendo com que Cuba seja o primeiro país do mundo a vacinar sua população infantil e programar o início do seu próximo ano letivo com todos os estudantes vacinados com esquema completo.

Não é de estranhar que, junto com Abdala, Cuba tenha criado outros dois imunizantes contra o novo coronavírus e que já esteja trabalhando em outros projetos de vacinas e medicamentos contra a doença. Também é preciso enfatizar que Cuba é o primeiro país a conseguir isso na região da América Latina e no Caribe, e no que conhecemos como Terceiro Mundo. Oito das vacinas aplicadas pelo programa geral de vacinação da ilha, que atinge quase 100% da população-alvo, são produzidos por no próprio país.

Além disso, a ciência Cuba é reconhecida mundialmente por suas conquistas em biotecnologia, colecionadas durante 30 anos de experiência na produção de vacinas e medicamentos. Entre eles, vale citar a vacina para a meningite meningocócica B e C, criada pelo Instituto Finlay, no final da Década de 1980. Foi o primeiro imunizante desse gênero no mundo, para o controle da meningite B, e seus criadores receberam a Medalha de Ouro da Organização Mundial da Propriedade Intelectual. Seu uso conseguiu reduzir substancialmente a incidência dessa doença. Outro destaque é a vacina contra hepatite B, que conseguiu acabar com os efeitos desse vírus em crianças menores de 5 anos, no ano 2000.

Cuba também a primeira nação da América Latina e Caribe a ser certificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por seu trabalho na saúde pública. Igualmente importante foi a conquista da Universidade de Havana, junto com pesquisadores de centros de biotecnologia cubanos, da vacina contra Haemophilus Influenzae B, que também obteve a certificação da OMS, requisito necessário para poder fornecê-la às agências da ONU (Organização das Nações Unidas). Também foi importante o desenvolvimento de vacinas pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus Influenzae B), sendo o segundo país no mundo a produzi-la, e o primeiro na América Latina e no Caribe.

As vacinas cubanas foram criadas apesar das seis décadas de uma política norte-americana de bloqueio econômico, visando o extermínio sistemático do povo cubano através da fome e das doenças. Não se trata apenas de um ato terrivelmente cruel, mas de uma versão muito mais criminosa e restritiva das medidas que impedem uma maior participação de Cuba no cenário econômico e financeiro internacional, as quais foram iniciadas na Década de 1960. A administração de Donaldo Trump adotou novas restrições, que resultaram em uma aplicação muito mais feroz dessa política de bloqueio, a qual foi mantida por seu sucessor, Joe Biden. As vacinas cubanas são a melhor prova de que para o governo socialista – ao contrário do que defendem os Estados Unidos – não há nada mais importante do que a vida humana.

*Publicado originalmente em 'La Jornada' | Tradução de Victor Farinelli



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