Pelo Mundo

Morre o símbolo de um sonho que não pode morrer

11/11/2004 00:00

Alternative Information Center

Créditos da foto: Alternative Information Center

São Paulo - O que dizer de Arafat? “O presidente Arafat foi um desses poucos líderes que podem ser imediatamente reconhecidos por qualquer pessoas em todo o mundo" afirmou o Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, em comunicado lido nesta quinta feira (11) por seu porta voz. Em Nova Yorque, Annan, assim que recebeu a notícia da morte do líder palestino, garantiu que as Nações Unidas, em cuja sede as bandeiras estão hasteadas a meio mastro, seguirão o mesmo protocolo usual nas homenagens póstumas aos chefes de Estado.

 

Em editorial, a rede britânica BBC tentou resumir a ‘essência Arafat‘, tarefa nada fácil. “Em Paris, França, morreu nesta quinta, aos 75 anos, Yasser Arafat, o maior mito da historia moderna do povo palestino. Levou ao túmulo todos os segredos que tão cuidadosamente guardou em vida, e a frustração de não ter visto cumprido seu sonho mais precioso: a fundação de um Estado palestino independente, com Jerusalém como capital. Para tentar realiza-lo, utilizou todas as armas que lhe pareceram válidas, da luta armada às negociações diplomáticas. Nenhuma lhe deu os frutos que desejava, mas lograram colocar o tema no primeiro plano da política mundial.”

 

“Seu epitáfio não é fácil de escrever. Dele se disse tudo que se possa imaginar: para seus seguidores, era a imagem mais representativa da luta palestina. Para os que o detestavam, era no mínimo um “arquiterrorista”, como gostava de o chamar a rádio Voz de Israel. (...). Em vida, Arafat despertou tantas paixões que sua morte não é suficiente para lograr um consenso de elogios, como sucede com outros homens proeminentes”, escreve a BBC.

 

Adversários

O Ministro da Justiça de Israel, Tommy Lapid, comemorou a notícia da morte de Arafat, dizendo, em pronunciamento na radio militar israelense, que é “muito bom que o mundo se livrou dele. Sem Arafat, já poderíamos ter tido paz na região e um Estado palestino”. O Primeiro Ministro australiano, o conservador John Howard, fez coro com o colega israelense e afirmou que Arafat será lembrado “como um líder que falhou em aproveitar a oportunidade de trazer a paz para o Oriente Médio”.

 

Amigos

“É com grande dor e tristeza profunda que recebemos a notícia do falecimento de Arafat, o líder da Palestina e um herói para todos nós. Reafirmamos nossa solidariedade incondicional ao povo palestino em sua luta por um Estado independente palestino", afirmou o porta-voz do governo da Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo e que não mantém relações diplomáticas com Israel.

No Brasil, o Itamaraty afirmou, em nota, que “o governo brasileiro expressa suas mais sinceras condolências pela morte do presidente Iasser Arafat, líder histórico da luta do povo palestino por sua autodeterminação e sua independência. Neste momento de dor e tristeza, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva associa-se ao pesar do povo palestino. Certo de que as lideranças palestinas saberão manter vivos os ideais de seu incansável representante, o Governo brasileiro reafirma o apoio à criação de um Estado palestino livre e soberano e à construção de um futuro de paz e prosperidade para o Oriente Médio."

 

O Primeiro Ministro da Inglaterra, Tony Blair, lamentou a morte do líder que “simbolizou o esforço palestino pela paz no Oriente Médio”, lembrando que, ao dividir o Premio Nobel da Paz em 1994 com Yitzhak Rabin, então Primeiro Ministro de Israel, foi reconhecido mundialmente neste sentido. "Ele (Arafat) liderou seu povo na aceitação história da solução de dois estados na Região”.

 


Sobre si mesmo


“Eu sou um refugiado porque não tenho nada; fui banido e roubado da minha pátria” – 1969, quando se tornou presidente da Organização pela Libertação da Palestina (OLP)

 

“Hoje eu estou segurando um ramo de oliveira e a arma de um lutador pela liberdade. Não deixem o ramo de oliveira cair de minhas mãos” – 1974, na Assembléia Geral das Nações Unidas.

 

“Todos que defendem uma causa justa e lutam pela liberdade e pela libertação de sua terra contra invasores, colonos e colonizadores, não pode possivelmente ser chamado terrorista” – 1974, na Assembléia Geral das Nações Unidas.

 

“Iraque e Palestina representam uma luta comum. Estaremos juntos lado a lado, e depois da grande batalha, se deus quiser, vamos rezar juntos em Jerusalém” – 1990, fala a manifestantes em Bagdá.

 

“Ninguém pode me expulsar. Eles podem me matar com bombas, mas eu não vou sair” – setembro de 2003, depois que o Congresso de Israel votou por “remove-lo” de seu quartel general.

 

*Com informações da BBC e da Autoridade Nacional Palestina

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