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No Uruguai, pesquisa aponta vitória de Vázquez no 1° turno

14/09/2004 00:00

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Créditos da foto: Divulgação

Porto Alegre - O candidato da coalizão Encontro Progressista-Frente Ampla (EP-FA), Tabaré Vázquez, ampliou sua vantagem sobre os demais candidatos à eleição presidencial, segundo pesquisa divulgada domingo (12) pelo jornal La República. Tabaré Vázquez aparece com 52,5% das intenções de voto, sendo seguido por Jorge Larrañaga, do Partido Nacional (Blanco), com 34%, e por Guillermo Stirling, do Partido Colorado, com apenas 11,5 pontos percentuais. Esses números apontam para uma vitória do candidato da coalizão de partidos de esquerda e de centro-esquerda já no primeiro turno, marcado para o dia 31 de outubro.

Divulgada a pouco mais de 40 dias da realização das eleições presidenciais, a pesquisa do instituto Doxa entrevistou 1.189 eleitores em todo o país. Neste universo de pesquisa, 49,2% dos entrevistados responderam que votarão com certeza no candidato da EP-FA. Outros 1,9% disseram que é provável que votem em Tabaré Vázquez. Interrogados sobre qual sua expectativa de vitória, 53% responderam acreditar na vitória do candidato oposicionista nas eleições de outubro. Cerca de 34% apostaram na vitória de Larrañaga e apenas 4,1% disseram acreditar em um triunfo de Stirling. Em uma simulação de segundo turno entre Vázquez e Larrañaga, o primeiro venceria por 52,6% contra 40,1%.

O levantamento da Doxa também questionou os eleitores uruguaios sobre o atual governo do presidente Jorge Battle. A maioria dos entrevistados qualificou de "ruim" a gestão de Battle, que, na eleição de 1999, derrotou Tabaré Vázquez no segundo turno graças a uma aliança de última hora fechada com o Partido Nacional. A pesquisa realizada entre os dias 1° e 6 de setembro também apontam uma vitória da esquerda na disputa para o Senado. A coalizão EP-FA elegeria 17 representantes, sendo seguida pelos "blancos" com 10 e pelos "colorados", que teriam apenas 4 candidatos eleitos.

Pólo tecnológico do Mercosul
Tabaré Vázquez apresentou nesta segunda-feira (13), em Montevidéu, seu plano de governo intitulado "Uruguai Inovador". Entre as propostas apresentadas, Vázquez destacou o compromisso em tornar o país em um pólo tecnológico do Mercosul. Para tanto, prometeu, caso eleito, aumentar os investimentos públicos em ciência e tecnologia. Além disso, afirmou que pretende convocar os investidores uruguaios que estão no exterior para que voltem a trabalhar e a investir no Uruguai. Outra política central defendida por Vázquez é o fortalecimento do Mercosul e o estreitamento das relações políticas e econômicas com os governos de Néstor Kirchner, da Argentina, e de Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil.

O ex-prefeito de Montevidéu reafirmou ainda que aposta em um outro modelo de desenvolvimento para o país, que estimule a produção e a justiça social. Segundo Vázquez, o futuro governo deve parar de privilegiar o setor financeiro em detrimento dos setores produtivos do país.

O futuro presidente uruguaio terá o desafio de recuperar a economia do país que sofre, há mais de uma década, um processo de estagnação. Nos últimos meses, a economia uruguaia apresentou alguns sinais de recuperação. Segundo cifras oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou um crescimento de 12,7% no período compreendido entre junho de 2003 e junho de 2004. No segundo trimestre de 2004, o PIB nacional registrou um crescimento de 2,4%. A taxa de desemprego também apresentou sinais de melhora, caindo de 18,1% para 13,5% no primeiro semestre deste ano. Como a população economicamente ativa do Uruguai é de aproximadamente 1,3 milhão de pessoas, esses dados indicam que há cerca de 173 mil pessoas desempregadas no país.

Números da crise
Essa recuperação da economia, porém, ainda não é suficiente para anular os pesados efeitos sociais da crise dos últimos anos. Essa crise, marcada pelo início da recessão em agosto de 1998, se manteve forte até o primeiro semestre de 2003, período no qual o PIB caiu aproximadamente 20%, o desemprego duplicou, chegando a 20% no final de 2002. A queda dos salários chegou a 30%, fazendo aumentar a pobreza no país. A desvalorização do real no Brasil, em 1999, e a crise argentina de 2002, agudizaram esse processo de crise, que afetou o sistema financeiro do país.

Os primeiros sinais de reversão desse quadro começaram a aparecer no segundo semestre de 2003 e são atribuídos, entre outros fatores, a uma maior competitividade das empresas uruguaias, gerada pela queda salarial, e a melhora dos preços internacionais da carne da soja e de alguns produtos manufaturados. Ela beneficia, portanto, fundamentalmente, os setores exportadores do país. Por outro lado, a dívida externa segue sendo um ponto de estrangulamento para o país. Ela anda na casa dos 13 bilhões de dólares, o que representa cerca de 115% do PIB uruguaio.

Outro obstáculo para uma retomada sustentável do crescimento do país é o déficit energético, que afeta praticamente todo o cone sul. Essa é uma das áreas na qual Vázquez aposta no fortalecimento do Mercosul como condição para a recuperação da infra-estrutura do país e para a implementação de um novo modelo de desenvolvimento regional.



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