Pelo Mundo

Ocupações do Iraque e da palestina na mira dos europeus

18/10/2004 00:00

Verena Glass

Créditos da foto: Verena Glass

Londres - Cerca de 70 mil pessoas, segundo os organizadores – e 20 mil para a polícia –, tomaram as principais avenidas de Londres domingo (17) na grande marcha contra a Guerra, contra Bush, contra Blair, contra Sharon e pela desocupação dos territórios iraquiano e palestino. Ventou, choveu, a polícia bateu um pouco em alguns manifestantes e prendeu outros. Mas no fim da tarde o sol apareceu e desenhou no céu londrino um enorme arco-íris por sobre a torre do Big Ben. O Fórum Social Europeu (FSE) 2004 terminou bem e a contento de (quase) todos.

A temática da guerra, que permeou a grande maioria das atividades do FSE e trouxe à capital inglesa uma das maiores delegações iraquianas e palestinas de todas os eventos do processo Fórum Social Mundial, também foi o ponto central dos debates da assembléia final da Rede de Movimentos Sociais.

Desde que os serviços de inteligência norte-americanos afirmaram oficialmente que a justificativa da invasão do Iraque – a presença de armas de destruição massivas no país – é infundada, o movimento social e os partidos de esquerda ingleses vêm intensificando os ataques contra o primeiro-ministro Tony Blair, partindo da premissa de que, se ele sabia da não existência destas armas, ele mentiu ao país e cometeu um crime de guerra ao qual deve responder legalmente.

Na declaração final produzida pela assembléia, os movimentos sociais afirmam que o objetivo das mobilizações continentais até o final do ano e em 2005 devem se concentrar na "retirada de todas as tropas de ocupação do Iraque, na paralisação imediata dos bombardeios e na restituição da soberania ao povo iraquiano".

Sobre o outro tópico de destaque do FSE, a ocupação do território palestino por Israel e a construção do "Muro do Apartheid", os movimentos afirmam que, de acordo com a sua condenação pela Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas e a mesma posição adotada pelos países europeus na Assembléia-Geral da ONU, exigem a imediata desocupação israelense da Palestina e a destruição da obra. "Exigimos sanções políticas e econômicas contra o governo israelense enquanto continue violando as leis internacionais e os direitos humanos do povo palestino. Neste sentido, organizaremos uma semana de mobilizações internacionais entre os dias 9 e 16 de novembro, e um Dia Europeu de Ação em 10 e 11 de dezembro, no aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU", afirma o documento.

Constituição Européia e agenda de mobilização
A ratificação da Constituição Européia pelos países-membro, que deve ocorrer em 29 de outubro próximo, também pautou o debate dos movimentos sociais, que consideram o documento uma concretização do projeto neoliberal como doutrina oficial da União Européia.

"O projeto faz [do conceito] da competição a base legal da comunidade européia (...). Ignora completamente os preceitos de uma sociedade ambientalmente sustentável. Este tratado constitucional não garante direitos iguais a todos, o livre trânsito para todas as pessoas, e cidadania para todos os que vivem em um país, independentemente se sua origem. Dá à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) um papel de destaque na política externa e na defesa da Europa, e impele para a militarização da União Européia. Por fim, privilegia os mercados e marginaliza os setores sociais, desestruturando principalmente os serviços públicos", afirma a declaração dos movimentos, que exige uma consulta direta à população dos países membros da União Européia antes da ratificação da Constituição pelos governos.

Em termos de ação direta, os movimentos planejam grandes mobilizações em Roma no dia 30 de outubro, durante o processo de ratificação da Constituição, campanhas continuas contra as bases militares da Otan, e protestos massivo durante a sua reunião anual em Nice, na França, em fevereiro de 2005. Também devem ser organizados grandes protestos durante a reunião do G8 (grupo dos países mais industrializados do mundo mais a Rússia) na Escócia, em julho de 2005.

Outras datas da agenda de mobilizações foram definidas para a luta global pelos direitos dos imigrantes, a liberdade de trânsito, o fechamento dos centros de concentração para imigrantes e contra o racismo, em 2 de abril de 2005. Por fim, nos dias 22 e 23, pouco depois do aniversário de dois anos da invasão do Iraque, deverão acontecer mobilizações massivas em todos os países, por ocasião da reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, Bélgica. Marchas contra a guerra, o neoliberalismo, as privatizações e as mudanças propostas para a jornada de trabalho devem acontecer em nível internacional no dia 19 de março.



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