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Os EUA são cúmplices, junto com o FMI, na guerra contra a Venezuela

A recusa do Fundo Monetário Internacional de entregar à Venezuela os Direitos Especiais de Saque revela sua cumplicidade com os Estados Unidos na guerra contra o país

08/10/2021 15:04

(Reprodução/imf.org)

Créditos da foto: (Reprodução/imf.org)

 
Durante seu discurso sobre Comércio e Desenvolvimento na Conferência das Nações Unidas, a vice-presidenta executiva venezuelana Delcy Rodríguez assegurou que a negativa do FMI em liberar ajuda financeira à Venezuela é consequência do veto de Washington contra o seu país.

A denúncia de Delcy sobre a retenção dos cinco bilhões de dólares para o governo venezuelano combater a pandemia também expôs a parcialidade das organizações internacionais em sua proclamada batalha contra a Covid-19.

Os Direitos Especiais de Saque (DES) são um sistema criado em 1969 pelo FMI para fornecer liquidez às economias mundiais e fornecer reservas adicionais a países membros, em caso de dificuldade.

Quando a crise de 2008 eclodiu, os DES foram usados para trazer a economia mundial de volta à tona. E em 2020, diante das consequências do açoite da Covid-19, a entidade financeira recorreu novamente a eles para neutralizar os efeitos globais.

Desta vez, o FMI aprovou pelo menos 650 bilhões de dólares, para ''assegurar economias resilientes''. Mas os números desmentem o discurso e as supostas intenções de ''ajudar'' aos mais necessitados.

Assim como expôs a vice-presidenta venezuelana e ficou evidenciado na mencionada conferência da ONU, mais de 63% deste montante é dirigido a países ricos e vacinados, a partir do esquema de alocação de cotas. A África, que tem 17% da população mundial, receberá apenas 5% do valor.

Enquanto isso, a Europa, com porcentagem populacional muito menor, ficará com 36% dos fundos; E os EUA ficarão com 113 dos 179 bilhões destinados ao continente americano.

Como se não bastassem estes números, o anúncio de que a Venezuela não receberá a quantia que lhe corresponde, justificado com supostos argumentos de 'falta de transparência' e 'confiabilidade' do Governo, evidencia o viés político e a dualidade de critérios do FMI.

Mais uma vez, a Casa Branca faz uso de seu poder e influência sobre nações, instituições e organizações para exercer pressão em função de seus interesses.

Em março de 2020, quando o presidente venezuelano decretou estado de atenção pela presença do vírus SARS-CoV-2, o país já vivia uma crise econômica em decorrência das medidas coercitivas unilaterais dos Estados Unidos e de seus aliados.

Desde 2014, mais de sete bilhões de dólares da Venezuela foram bloqueados em 40 bancos internacionais.

Da mesma forma, o governo estadunidense sequestrou mais de 30 bilhões de dólares e, em plena pandemia, os efeitos do bloqueio contra a nação sul-americana se agravaram, já que as sanções impedem a importação de medicamentos que não são fabricados no país. A aquisição de matérias-primas para produzi-los também é proibida, assim como a aquisição de insumos e equipamentos.

Até o acesso ao programa Covax, da Organização Mundial da Saúde, para a obtenção de vacinas anti-Covid-19, foi dificultoso para o país, que só conseguiu obter menos de 1% das vacinas solicitadas depois de várias denúncias e negociações.

Em seu relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, a relatora das Nações Unidas Alena Douhan refletiu de forma imparcial e concreta às consequências dessas ações punitivas, afirmando: ''As sanções unilaterais cada vez mais potentes impostas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e por outros países agravaram os problemas (...). A receita da Venezuela foi reduzida em 99%, e o país vive hoje com 1% de sua receita pré-sanções".

Mas enquanto o FMI se junta ao grupo dos que impõem medidas coercitivas à Venezuela com o intuito de promover uma mudança de governo favorável à Casa Branca, o executivo venezuelano busca soluções para manter programas sociais e desenvolver a economia.

Depois de mais de um ano de pandemia, e apesar de todos os obstáculos, a Venezuela conseguiu não só se colocar entre os países que melhor enfrentaram a crise sanitária, como também caminha para a imunização gratuita de 70% de sua população até o final deste ano.

*Publicado originalmente em 'Resumen Latinoamericano' | Tradução de Marcos Diniz

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