Pelo Mundo

Protestos contra livre-comércio na visita de Bush à Colômbia

23/11/2004 00:00

Indymedia Colômbia

Créditos da foto: Indymedia Colômbia

Cartagena das Índias, Colômbia - Os presidentes dos EUA, George W. Bush, e da Colômbia, Álvaro Uribe, se comprometeram nesta segunda (22) a reforçar o combate ao narcotráfico e os grupos armados insurgentes em atividade no país. O presidente Bush assegurou a Uribe que irá sugerir ao Congresso no ano que vem a aprovação de uma bilionária verba maior ou igual a que foi repassada neste ano à Colômbia, a título de cooperação. Segundo ele, esta verba é equivalente a 50% do montante destinado a toda América Latina. "Nossa vitória será motivo de orgulho a todos os cidadãos norte-americanos e colombianos, castigados pela droga", disse Uribe.

Bush chegou à Cartagena das Índias depois de participar da cúpula da Apec (Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), em Santiago do Chile. A rápida visita de Bush foi marcada por protestos de colombianos contrário ao apoio norte-americano ao governo do país. EUA, Colômbia, Equador e Peru negociam um tratado de livre-comércio (TLC), que enfrenta a oposição dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda locais. Uribe disse a Bush que a negociação do TLC é "um passo do processo de unificação das Américas" e disse que será "um acordo com igualdade, com oportunidades" para os setores agropecuários e a pequena indústria local.

Plano Colômbia
"O apoio norte-americano deixou para trás o discurso e se converteu em um apoio real", disse Uribe. "Confiamos nos EUA e que o presidente Bush continue a ajudar a Colômbia a se livrar da praga do terrorismo e da droga", acrescentou. Os EUA destinaram nos últimos quatro anos US$ 3,3 bilhões ao Plano Colômbia, que combate a cultura da coca no país, quadrilhas de traficantes e outros grupos armados, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e as forças paramilitares de direta. "Não podemos deixar o trabalho no meio do caminho. Vamos ganhar, mas ainda não ganhamos. Avançamos mas a cobra continua viva", disse Uribe, ao defender a necessidade do apoio norte-americano para acabar com o narcotráfico, que, segundo ele, tem a guerrilha como aliada.

Há dois meses, o Congresso dos EUA autorizou o aumento do número de assessores militares na Colômbia, de 400 para 800, e o de civis, chamados de "contratistas", de 400 para 600. "Uribe está fazendo uma excelente trabalho contra o narcoterrorismo, e isso fica evidente com a luta contra o tráfico de drogas", disse Bush. Em resposta, as Farc emitiram na mesma segunda-feira (22) um comunicado dizendo que os planos dos governos norte-americano e colombiano de abafá-la se constituiu em um enorme fracasso. No final da tarde, Bush embarcou em seu avião presidencial, o Air Force One, de volta a Washington.


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