Pelo Mundo

Saddam não possuía armas de destruição, revela jornal inglês

13/09/2004 00:00

Ansa

Créditos da foto: Ansa

Londres - O Iraque Survey Group (ISG), encarregado de identificar arsenais de destruição em massa atribuídos ao Iraque, concluirá em seu informe final que Saddam Hussein não tinha armas nucleares durante a invasão anglo-americana, em março de 2003, revelou o jornal inglês The Guardian. Em um extensa nota de capa, o jornal informa que o informe final produzido pelos inspetores do ISG "anunciará em duas semanas que Saddam Hussein não tinha nenhuma arma de destruição em massa". Um fonte do jornal não identificada ponderou, porém, que o mesmo informe dirá que “a ameaça de Saddam era real". 

O Iraque Survey Group, que inclui cerca de 1.000 agentes de inteligência norte-americanos e especialistas de armas nucleares, investigou por quatro meses, a partir de julho de 2003, as supostas ameaças iraquianas que serviram como justificativa para a invasão anglo-americana. Em um relatório interno do ISG conhecido desde outubro de 2003, David Kay, um dos diretores do grupo, declarou ao Senado dos Estados Unidos que não havia encontrado nenhuma arma de destruição em massa no Iraque, mas ressaltou que as investigações não tinham acabado e essas armas poderiam ser encontradas nos meses seguintes. O novo relatório que ainda será divulgado põe um fim a questão. 

Segundo o Guardian, as conclusões do ISG pressionarão mais o primeiro-ministro britânico Tony Blair, que, ao lado de George W. Bush, utilizou como justificativa as armas de destruição em massa de Saddam para lançar a invasão contra Bagdá. A situação de Blair deve ser ainda pior porque o informe deve ser divulgado na semana em que se celebra a convenção anual do Partido Trabalhista, fundamental para um líder que tem pretensão nas eleições gerais de 2005. Em julho do ano passado, uma investigação do juiz britânico Robin Butler sobre a participação da Inteligência britânica antes da guerra no Iraque a acusou "por dar informação errônea" para justificar a invasão à Bagdá. Ao mesmo tempo, Blair foi atacado por ter "mentido" ao Parlamento ou a população do país. 

Guerra no Iraque não acabou
Na manhã desta segunda (13), ao menos 15 pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas durante um ataque militar norte-americano em Falluja, cidade sunita situada a 50 quilômetros a oeste de Bagdá, informaram fontes sanitárias do país. Cerca de quatro da manhã (horário local), tanques norte-americanos dispararam sobre dois bairros do norte da cidade, enquanto um avião realizou uma incursão no bairro de Al-Chourta.

Quatro mortes foram causadas quando o avião disparou um míssil sobre um veículo que circulava por um caminho de Falluja. Durante os bombardeios, os soldados pediram à população, por alto-falantes, a cooperar com eles e "expulsar os terroristas do centro da cidade".


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