Pelo Mundo

Sem-teto e sem-terra ampliam ocupações no Paraguai

22/09/2004 00:00

Diário ABC Color

Créditos da foto: Diário ABC Color

Assunção – Pelo menos dez pessoas ficaram feridas terça-feira (21), na capital paraguaia, quando cerca de 300 famílias sem-teto foram desalojadas pela polícia, à força, de um terreno privado ocupado há um mês em Luque, a 12 quilômetros da cidade. Os sem-teto afirmam que há irregularidades na posse do terreno. Os policiais ainda prenderam sete pessoas.

Cerca de 250 policiais e sete fiscais trabalharam no desalojamento. Houve resistência. Os manifestantes queimaram cobertores, o que criou uma cortina de fumaça. A polícia reagiu com disparos de armas com balas de borracha. 

O clima também é tenso na área rural do país, onde movimentos de sem-terra estão mobilizados. Na terça, houve pelo menos 10 ocupações de terras particulares nas províncias de do Alto Paraná (no leste do país), Caazapá (centro) e San Pedro (norte). As ações foram coordenadas pela Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC). 

O governo paraguaio reagiu e prometeu que efetuará as desocupações “caso a caso”. "Mas vamos dar cumprimento a todas as ordens judiciais de desocupação, custe o que custar", prometeu o vice-ministro de Segurança, Eustaquio Colmán, que citou como exemplo a desocupação da área ocupada pelos sem-teto, horas antes. 

Segundo Eugenio Ramón Giménez, um dos líderes do MCNOC, a ocupação de propriedades privadas ocorre ante "a falta de respostas do governo". O MCNOC integra a Frente Nacional de Luta pela Soberania e pela Vida (FNLSV), junto a sindicatos de trabalhadores e outras organizações sociais. A Frente exige, além das terras e de aumento salarial, a não-privatização das empresas públicas, a reforma do Estado e a rejeição da Alca. 

O governo paraguaio argumenta que o amplo leque de exigências dificulta as negociações. O vice-presidente do país, Luis Castiglioni, propôs tratar os diferentes temas em mesas separadas, o que não foi aceito pelos dirigentes camponeses e sociais. 

A Feprinco, a principal entidade empresarial, afirmou que tais discursos incentivam a violência e as invasões de propriedades privadas, a tempo de advertir sobre a possibilidade de uma "explosão social" e da "anarquia" no país.


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