Pelo Mundo

Unidos, credores privados agora exigem reservas argentinas

05/10/2004 00:00

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Créditos da foto: presidencia.gov.ar

Buenos Aires e Washington - Um dos principais grupos de detentores de bônus argentinos pediu que o governo de Nestor Kirchner destine pelo menos US$ 5 bilhões dos US$ 18 bilhões de suas reservas para pagamento da dívida externa, sob moratória desde dezembro de 2001. A proposta de reestruturação da dívida argentina, apresentada pelo ministro Roberto Lavagna, "não vai adiante", advertiram segunda-feira (5) os dirigentes da Global Committee of Argentina Bondholers (GCAB), durante conferência realizada em um hotel na capital norte-americana. O governo argentino se propõe a pagar 25% da dívida em moratória. 

O encontro entre os credores aconteceu no dia seguinte ao término da assembléia do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, também realizada em Washington, durante a qual foram anunciadas novas exigências à Argentina, especialmente com relação ao pedido de reestruturação da dívida, que agora - incluindo os juros - chega a US$ 100 bilhões.

O Global Committee of Argentine Bondholders alertou que com a incorporação, anunciada da segunda, da Associação de Prejudicados pela Pesificação e o Default (ADAPD), outro grande grupo de credores privados, terá a força necessária para impedir o plano de reestruturação apresentado pelo governo de Buenos Aires. "Temos nas nossas costas os números capazes de impedir o plano de reestruturação da dívida soberana argentina", afirmou o italiano Nicola Stock, um dos presidentes da GCAB, no final de semana, após participar da reunião do FMI e do Banco Mundial. 

Por sua vez, a ADAPD anunciou pleno apoio ao GCAB, que dará mais poder à organização que agrupa os credores da dívida argentina em default, e que vêm mantendo uma dura negociação com o governo de Buenos Aires para a reestruturação e o pagamento. Os possuidores italianos de títulos da dívida argentina, por exemplo, rechaçaram a proposta de Lavagna. 

A posição italiana foi informada por Mauro Sandri, advogado dos credores italianos, em reação às declarações de Lavagna de que a Itália "em determinado momento deverá escolher entre uma relação estratégica com a Argentina ou uma relação com algum banco ou com os operadores da bolsa que foram em parte responsáveis do processo pela qual muitos italianos com rendimentos médios ou baixos compraram títulos argentinos". 

"A crise argentina se resolve se há uma igualdade de tratamento entre todos os credores. É a única possibilidade de resolver a crise", respondeu Mauro Sandri. "Nos últimos três anos o governo argentino pagou aos órgãos internacionais cinco bilhões de dólares, e não pagou nada aos credores privados. Essa injustiça leva a outra conseqüência muito grave", reclamou o representante dos credores italianos. 

Apesar das dificuldades com os credores privados, o governo argentino vem conseguindo avanços nas negociações com o FMI. Em troca do aumento do superávit primário de 2,4%, em 2004, para 3,2% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2005, a Argentina conseguiu que o FMI aceitasse adiar por quatro meses o pagamento de parcelas de juros de sua dívida com o Fundo, no valor de US$ 1 bilhão. Além disso, conforme o orçamento enviado ao Congresso, os gastos do Executivo em 2005 devem aumentar 14% em comparação às despesas deste ano, acima, inclusive, dos 12% previstos para aumento da arrecadação. 

* Com informações da Agência Ansa



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