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Violência Policial na Argentina: é proibido ser LGBTQIA em Tucumán

 

03/10/2021 11:47

(Reprodução)

Créditos da foto: (Reprodução)

 
No fim de semana um grupo de pessoas do coletivo LGBTQIA sofreu hostilidades por parte da polícia da cidade de Tucumán no parque 9 de julho. Segundo o relato de Pipo Albano, do coletivo “Kompañeres Tucumán Peroncha”, os acontecimentos ocorreram no domingo de madrugada quando um grupo de pessoas se encontrava reunido em um parque da cidade, quando foram abordados por policiais que se referiram de maneira depreciativa em relação a eles e negaram se identificar. Os acontecimentos se tornaram públicos através de um vídeo veiculado a internet, o que levou o Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI) a pedir a identificação dos oficiais envolvidos.

Esta situação de violência policial ocorre em um contexto de críticas em relação ao Ministério da Segurança argentino pelos acontecimentos recentes, como a fuga de detentos dentre os quais estava o feminicída Roberto Rejas e no momento em que acontece o julgamento do assassinato de Facundo Ferreira no qual estão envolvidos dois policiais.


“Como sabemos o parque é um local de encontro. É algo cotidiano ir ao parque de carro com os amigos e amigas, passear, parar, beber alguma coisa, escutar música e voltar para casa. Também é sabido que a noite o parque é perigoso, mas vivemos em democracia com regras muito claras sobre a nossa liberdade de expressão, de trânsito e escolha. Escolhemos estar ou não em lugares considerados ‘perigosos’ (como se a rua não fosse perigosa ao meio dia, como se a cidade de Tucumán não fosse perigosa) Perigoso em razão de quem? Perigoso em função das pessoas que ali estão? Perigoso por quem tem o sexo como meio de trabalho e trabalha naquele lugar? Perigoso porque casais homossexuais viriam ao local procurando privacidade? Ou perigoso porque a polícia de Tucumán age contrariamente a toda liberdade democrática abusando do poder, não respeitando os cidadãos?”, disse Pipo em um desabafo pelas redes sociais.

No texto, também relata que havia outros grupos reunidos a alguns metros deles, no entanto a polícia só abordou a turma em que ele estava. “Poderiam ter escolhido qualquer outro grupo de amigos que se encontravam no lugar naquela noite, inclusive com estes teriam mais argumentos para exercer maior poder de coerção, mas escolheram os meus amigos...porque meus amigos são como eu: gays.”

As palavras de uma policial mulher ressoam ainda hoje: “por gente como vocês o mundo está podre”, disse ela. “Agora parece que os gays arruinaram o mundo, não temos acesso a nenhuma representação de poder, mas assim mesmo destruímos o mundo. Nós realizamos uma marcha do orgulho e no dia seguinte a praça amanhece cheia de brilho e cor, vocês heterossexuais quando assistem o clássico San Martin vs. Atlético Tucumán (clássico do futebol local) depredam toda cidade”.

“Estamos cansados do abuso policial, cansados que nos persigam por sermos gays, que não nos respeitem e que mesmo com as leis que nos protegem ainda tenham a audácia de nos violentar por nossa condição de gênero”, disse.

“Indigna-me escutar o choro dos meus amigos, um pranto carregado de nervosismo e impotência, um choro da dor que insiste em voltar, esta que acreditávamos estar já no passado. Não vamos permitir nunca mais estes atos discriminatórios, não vamos permitir nunca mais que a polícia avance sobre nossos direitos. Exigimos o ressarcimento por parte dos responsáveis. Exigimos que as instituições competentes tomem a frente no assunto para que isso não se torne uma prática comum sobre a cidadania. Não é a primeira vez que ocorre, porém queremos que seja a última”, concluiu.

Fonte: ANRed

*Publicado originalmente em Resumen Latinoamericano | Traduzido por Caio Cursini



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