Poder e Contrapoder

Estados Unidos lança ultimato contra a Rússia por conflito com a Síria

O Pentágono instou a Rússia a garantir que Damasco desmantele todo o seu arsenal químico, depois que as forças estadunidenses, britânicas e francesas bombardearam a Síria com mais de 100 mísseis neste sábado

14/04/2018 15:11

 

 
Do diário La Jornada, do México
 
O Pentágono instou a Rússia a garantir que Damasco desmantele todo o seu arsenal químico, depois que as forças estadunidenses, britânicas e francesas bombardearam a Síria com mais de 100 mísseis neste sábado, nos primeiros ataques ocidentais coordenados contra o governo sírio, que foram dirigidos contra o que chamaram “centros de produção” de armas químicas, em represália por um ataque com gás venenoso.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a ação militar da Casa Branca, dizendo que os três aliados haviam unido forças “contra a barbárie e a brutalidade”. Enquanto falava, as explosões sacudiam Damasco.

No sábado pela manhã, Trump comentou em sua conta de Twitter que foi um “ataque perfeitamente executado”, e que foi uma “missão cumprida”.

Não houve informes imediatos sobre vítimas e os aliados de Damasco disseram que os edifícios afetados haviam sido evacuados previamente.

A primeira ministra britânica, Theresa May, descreveu o ataque como “limitado e específico”. Disse que havia autorizado a participação britânica quando os serviços de inteligência indicaram que o governo de Assad era o culpado pelos ataques de gás em Duma, um subúrbio de Damasco, há uma semana.

Em seu discurso, May fez uma descrição gráfica das vítimas do ataque químico que deixou dezenas de mortos, amontoados nos sótãos enquanto o gás se alastrava do lado de fora. Disse que a Rússia havia frustrado os esforços diplomáticos para deter o uso de gás venenoso por parte de Assad, o que não deixou mais opções que o uso da força.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os ataques se haviam limitado, até agora, às instalações de armas químicas da Síria. Paris publicou um informe onde afirma que Damasco é responsável pelo ataque com gás venenoso contra Duma, o último bastião numa faixa de território controlada pelos rebeldes perto de Damasco, que as forças governamentais recuperaram, na maior ofensiva deste ano.

Washington indicou que seus objetivos foram um centro perto de Damasco, para a investigação, desenvolvimento, produção e prova de armas químicas e biológicas, um sítio de armazenamento de armas químicas perto da cidade de Homs e outro lugar, também vizinho a Homs, que guardava arsenal químico e onde havia um posto de mando.

Os meios estatais sírios qualificaram o ataque como uma “violação flagrante da lei internacional”. Um alto oficial da Guarda Revolucionária do Irã disse que a ação teria consequências contra os interesses dos Estados Unidos.

Os estados árabes, geralmente hostis a Assad e ao Irã, respaldaram a intervenção ocidental, incluindo tanto a Arábia Saudita quanto o seu rival, Qatar.

Em 2013, a Síria aceitou renunciar a suas armas químicas, depois de que um ataque com gás matou centenas de pessoas em Duma. Ainda se permite que Damasco tenha cloro para uso civil, apesar que seu uso como arma está proibido.

Repúdio internacional ao ataque dos Estados Unidos contra a Síria

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu neste sábado, a pedido de Rússia, para tratar da operação militar na Síria lançada por Estados Unidos, França e Reino Unido, em resposta aos supostos ataques com armas químicas.

O secretário-geral Antonio Guterres, em sua declaração anterior, instou a todos os países a “mostrar moderação, nestas perigosas circunstâncias, e evitar qualquer ato que possa provocar uma escalada da situação e piorar o sofrimento do povo sírio”.

A Rússia advertiu que qualquer ação militar contra a Síria violaria o direito internacional, pois não contaria com a aprovação do Conselho de Segurança.

Cuba e Turquia

Por sua parte, Cuba condenou o “ataque atroz” lançado pelos Estados Unidos e seus aliados, numa “ação unilateral que aumenta o conflito nesse país e em todo o Oriente Médio”.

Segundo o representante cubano nas Nações Unidas, Havana permanente aliada da Síria, e defende que “esta ação unilateral, à margem do Conselho de Segurança da ONU, constitui uma flagrante violação dos princípios do Direito Internacional e da Carta dessa organização, além de uma agressão a um Estado soberano, que alimenta os conflitos na região e no planeta”.

Já o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse temer a possibilidade de que o conflito na Síria inicie uma escalada de intervenções militares na região. Em uma conversa telefônica com a primeira-ministra britânica Theresa May, Erdogan disse que é importante que as tensões não sigam crescendo, e que só uma solução política pode levar a uma paz duradoura na Síria.

Erdogan é um inimigo declarado do presidente sírio, Bashar al Assad. Ancara apoia alguns dos grupos rebeldes que atual no país vizinho, ao mesmo tempo em que combate milícias curdo-sírias, por seus supostos vínculos com a organização armada Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que está proibida na Turquia.

Rússia: “ataque terá consequências”

O embaixador da Rússia nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, advertiu que os ataques dos Estados Unidos contra a Síria “não ficarão sem consequências”.

Em um comunicado, o diplomata russo declarou que “ao insultar o presidente russo Vladimir Putin, os Estados Unidos cometeram um ato inaceitável e inadmissível”, e que os Estados Unidos não têm o direito de culpar outros países – em referência às acusações que Trump fez ao mandatário russo, por twitter.
Uma delegação de parlamentares russos que se encontra em Damasco continuará seu trabalho, apesar do ataque dos Estados Unidos e seus aliados, segundo informou o coordenador do grupo para as relações com o Parlamento da Síria, Dmitri Sablin.

“A nação `excepcional´ pensa, em vão, que é capaz de assustar o povo sírio, mas eles defenderão sua pátria, e por nossa parte, nós seguiremos trabalhando de acordo com a agenda”, assegurou o deputado russo.



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