Poder e Contrapoder

Síria: 'se sabiam a localização das fábricas químicas, por que não disseram às autoridades?'

O representante da Síria nas Nações Unidas, Bashar Jaafari, denunciado que os ataques lançados contra o seu país são 'outra mensagem de apoio aos terroristas', que vai estimulá-los a usar armas químicas em ataques futuros.

15/04/2018 13:32

 

Do portal RT
 
“Meus colegas da França, Estados Unidos e Reino Unido dizem bombardearam centros de produção de substâncias químicas na Síria. Mas se esses governos conheciam a localização dos centros de produção que eles dizem ter bombardeado, por que não compartilharam esta informação com a OPAQ (Organização para a Proibição de Armas Químicas)?”, questionou o representante da Síria na ONU, Bashar Jaafari, em uma sessão extraordinária do Conselho de Segurança convocada pela Rússia.

Jaafari precisou que um grupo de especialistas da OPAQ já chegou a Damasco, onde se reuniu com as autoridades sírias. “Meu governo vai dar seu pleno apoio a esta delegação para que possa realizar sua missão”, enfatizou o representante da república árabe.

Por outra parte, o representante da Síria ressaltou que o edifício do centro de investigação em Barzeh, um dos alvos que foi bombardeado, havia sido visitado pelos inspetores da OPAQ no ano passado. Então, lembrou que naquela inspeção se havia estabelecido “que a Síria havia cumprido seus compromissos com a OPAQ e que não havia rastros de substâncias químicas nestas instalações”. “Se os especialistas da OPAQ nos enviaram um documento oficial no ano passado, no qual dava testemunho de que o centro não utilizava para uma atividade que pudesse contradizer nossas obrigações a para com o tema, como se pode conciliar isso com as acusações agora apresentadas?”, perguntou Jaafari.

Ao mesmo tempo, Jaafari denunciou que os ataques lançados contra a Síria são “outra mensagem de apoio aos terroristas”, para estimulá-los a usar armas químicas em seus ataques futuros.

Ainda assim, o representante afirmou que a agressão ocidental “não impedirá que o povo sírio decida seu próprio futuro político”.

Estados Unidos, Reino Unido e França decidiram bombardear a Síria na madrugada de 14 de abril, em resposta ao suposto ataque químico na região de Duma, há pouco mais de uma semana. O Ocidente acusa o governo de Bashar al Assad pelo ocorrido, embora sem apresentar provas. O Estado Maior russo contestou as acusações, e informou que os sistemas antiaéreos sírios interceptaram 71 dos 103 mísseis lançados.





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