Política

'Em olho grande só entra cisco'

Vice-líder do governo, Sílvio Costa (PTdoB-PE) avalia que o PMDB deu um tiro no pé ao apostar no efeito manada do desembarque.

01/04/2016 00:00

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Créditos da foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

 Vice-líder do governo na Câmara, porta-voz informal dos pequenos e médios partidos da base aliada, o deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE) vem se notabilizando pelo estilo único de enfrentamento parlamentar, em que o discurso direto, com abuso das metáforas simplificadoras e dos ditos populares, são a tônica. “Em olho grande só entra cisco”, cravou ele, em entrevista à Carta Maior, ao comentar a opção da cúpula do PMDB de desembarcar do governo Dilma.
 
“O PMDB já tinha a vice-presidência da República, já tinha sete ministérios, já tinha 600 cargos no governo e teve a ilusão de que iria ter também a presidência da república. Então, ele deu um tiro do pé: pensou que ia provocar o efeito manada, o efeito dominó, que ia inaugurar um grande desembarque de siglas do governo, o que obviamente não aconteceu”, afirmou.
 
Depois do anúncio do desembarque do PMDB do governo, transmitido ao vivo pela Globo News no melhor estilo clima de final do Copa do Mundo, seis dos sete ministros da sigla anunciaram que pretendem desobedecer a determinação da cúpula e permanecerem no governo Dilma. Entre eles, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o ministro da Saúde, Marcelo Castro.
 
Para Costa, é uma situaçào insustentável. Segundo ele, a postura do maior partido da base governista sempre foi de desrespeito aos demais partidos do grupo, que sempre reclamaram que o PMDB tinha sete ministérios, mas no placar de votações da Câmara só dava cerca de 30 votos, apesar de possuir 69 deputados. “Evidentemente, nós estamos repactuando o governo. Boa sorte ao PMDB”, ironizou.
 
Para o vice-líder, é importante que o governo Dilma mantenha uma ponte com o partido de Temer para viabilizar a governabilidade exigida no regime de presidencialismo de coalisão. Mas defende que isso não passe de uma presença concreta do partido em mais do que dois ministérios. “Quem demite ou admite ministro é a presidente, mas se ela me perguntar, eu acho que deveria ficar dois ministros e demitir os demais”, afirmou, se recusando a nomear quais seriam estes dois.
 
Para Costa, não faz nenhum sentido que o partido desembarque do governo com todo o alarde, e mantenha seis dos sete ministérios que tinha antes. Para ele, repactuar os espaços com partidos médios mais fiéis à presidenta resultará em maior número de votos pró-governo no parlamento. “Com o PP e o PR, nós já resolvemos isso. Mas quem vai informar na hora certa a questão da repactuação é a presidenta Dilma”, justificou.
 
O desembarque frustrado
 
O desembarque do PMDB foi anunciado pela imprensa golpista como “a pá de cal no governo governo agonizante da presidenta Dilma Rousseff”. Durante os primeiros dias da semana, a GloboNews e a CBN se esmeraram em tecer análises catastróficas de que o governo estaria acabado após a saída do partido: a aposta era que ela criaria um efeito manada que retiraria todas as demais siglas de centro da base.
 
Mas a dita histórica reunião do desembarque do PMDB, na quarta (30), que a GloboNews transmitiu ao vivo, não durou mais do que três minutos. E falou muito mais pelas ausências do que pelas presenças. Na foto que ficou para a história, o PMDB, de Ulisses Guimarães aparece representado pelo emblemático presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu da Lava Jato sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, com mais de 13 contas não declaradas no exterior.

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