Política

13 maio 68: início da Greve Geral em França

Uma gigantesca manifestação, que mobiliza mais de 500 mil pessoas, paralisa Paris. Por toda a França há manifestações e tem início uma greve geral, que durará semanas. O protesto já não é apenas estudantil, é uma revolta social

14/05/2018 10:23

A manifestação de 13 de maio de 68 em Paris mobilizou mais de 500 mil pessoas

Créditos da foto: A manifestação de 13 de maio de 68 em Paris mobilizou mais de 500 mil pessoas

A grande manifestação que enche as ruas de Paris é encabeçada pelas principais centrais sindicais, CGT e CFDT e envolve estudantes e trabalhadores. Boa parte da população participa no movimento e a maioria apoia-o. Semelhantes manifestações têm lugar em muitas outras cidades de França. O apelo à greve geral, feito por Daniel Cohn-Bendit na manhã de 11 de maio1, após a repressão da noite das barricadas, é seguido em todo o país, contra todas as previsões, nomeadamente do governo. O Presidente da República, De Gaulle, parte a 14 de maio para uma visita à Roménia, que durará até 19 de maio.

As greves e ocupações de empresas multiplicam-se a partir de 13 de maio e aumentam, diariamente durante semanas. A 20 de maio, uma semana depois, o número de grevistas será entre 7 e 9 milhões de trabalhadores, o número de dias de greve durante este período é de 150 milhões, segundo as estatísticas2. Mais de 4 milhões de pessoas estarão em greve durante três semanas, mais de dois milhões durante um mês. A Sorbonne estará ocupada durante um mês.

Esta é a maior e mais prolongada greve geral da história de França.


As greves na Renault foram marcantes, no maio de 1968

Neste período efetuam-se negociações variadas e serão assinados os acordos de Grenelle (a 27 de maio), entre o governo de Pompidou, o patronato e as centrais sindicais3. Nestes acordos, são aprovados um aumento de 35% do salário mínimo e de 10%, em média, para os restantes níveis salariais. É também aprovada a possibilidade de criação de secção sindical em cada empresa.

Os acordos não tiveram, no entanto, significativo impacto nas greves e ocupações, que se irão manter até à dissolução da Assembleia Nacional, a 29 de maio, e à realização da manifestação de apoio ao governo a 30 de maio.

Em todo este período faltou à esquerda resposta e alternativa para a situação. O Partido Comunista de França opôs-se desde início ao movimento estudantil e a sua principal preocupação foi acabar com a agitação e a crise.

Por Carlos Santos para esquerda.net



Notas:

1 Ler artigo A noite das barricadas há 50 anos em Paris

2 Dados em npa2009.org

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