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Política

A anestesia do golpe está acabando, diz Lula em ato com artistas e intelectuais no Rio

Ex-presidente afirmou que inventaram "uma doença chamada PT e Dilma", anestesiaram a sociedade para fazer uma cirurgia que iria concertar o Brasil e colocaram Temer no poder. "Somente agora está acabando o efeito da anestesia", disse.

17/01/2018 16:05

Ricardo Stuckert - Fotos Públicas

 

* Assine o manifesto "Eleição sem Lula é fraude"

 

Artistas e intelectuais realizaram o ato “Em defesa da democracia e de Lula” que lotou o Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro (RJ) na noite desta terça-feira (16). Em discurso de quase uma hora, Lula comparou o golpe sofrido por Dilma Rousseff a uma operação médica mal sucedida. “A anestesia está acabando e nós estamos percebendo que o Brasil está pior do que estava no tempo em que a gente governava”, diagnosticou.

Lula afirmou que mentiras e ódio disseminados pelos meios de comunicação entorpeceram a sociedade. Porém, aos poucos, percebe-se que “a terra prometida depois do fim da doença não existia”, mas sim um desmonte dos direitos e do Estado brasileiro. “Qual é o problema deles agora? A sociedade sabe que a mídia mente, que a Globo mente quando tenta inventar um crime que não existiu”, disparou.

O ex-presidente também denunciou a perseguição judicial que varreu sua vida, de familiares e pessoas próximas, que faz o seu processo tramitar em tempo recorde e que é não apresenta uma prova que o incrimine. "Acho estranho o presidente de um tribunal não ler a sentença e dizer que ela é irretocável. Só se for uma leitura dinâmica. Esse cidadão é bisneto do general que invadiu Canudos e matou Antonio Conselheiro”, destacou, em referência ao presidente do  Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz.

Líder nas pesquisas de intenção de voto para eleição presidencial de 2018, o ex-presidente declarou que não queria ser candidato, mas viu-se obrigado a disputar para defender sua inocência. Entre as propostas de campanha, Lula listou a regulação dos meios de comunicação, a federalização do ensino médio e o resgate do protagonismo do BNDES e da Petrobras.

Apoio da sociedade

Entre os artistas, estavam presentes no ato Dira Paes, Elisa Lucinda, Mônica Martelli, Herson Capri, Chico Dias, Osmar Prado, Bemvindo Sequeira, Tonico Pereira, Gregório Duvivier, Silvio Tendler, Noca da Portela, Beth Carvalho, Otto, Aderbal Freire Filho e as MCs Martina e Brenda Lima. Outros nomes como Yamandu Costa, Aldir Blanc e Wagner Tiso enviaram mensagens de apoio.

Os intelectuais e lideranças políticas foram representados por nomes como Conceição Evaristo, Marcia Tiburi, Guilherme Boulos, Roberto Amaral, Celso Amorim, Saturnino Braga, Emir Sader, Eric Nepomuceno, Franklin Martins, Luiz Pinguelli Rosa, Gleisi Hoffmann, Benedita da Silva (PT-RJ) e Lindberg Farias.

O sambista Noca da Portela presenteou Lula com seu novo CD, que possui uma faixa composta em homenagem ao ex-presidente, e relembrou, junto com Beth Carvalho, a sua música “Virada”, um dos hinos das Diretas Já . “Vamos botar lenha nesse fogo,vamos virar esse jogo que é jogo de carta marcada. O nosso time não está no degredo vamos à luta sem medo que é hora do tudo ou nada”, cantaram.

A escritora Conceição Evaristo ressaltou a importância da práxis quilombola para o atual momento. “ Conhecer a corrupção da justiça, saber que a justiça escolhe seus eleitos, conhecer a fome, a miséria, nós conhecemos desde sempre. Mas, também conhecemos desde sempre a resistência e é ela que nos permitiu chegar até aqui”, discursou.

O ator Gregório Duvivier classificou Lula como a “metonímia de um país” e ressaltou que, ainda sem saber se irá votar nele, defender o seu direito de ser candidato é lutar pelo Brasil inteiro.

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e possível candidato à presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos, denunciou a falta de provas contra Lula e seguiu a mesma linha de Duvivier. “Para defender o presidente Lula não é preciso defender o seu programa integralmente, não é preciso estar 100% afinado com seu partido. Para defender basta defender a Constituição e a democracia brasileira”, afirmou.

O ator Osmar Prado destacou a importância da classe artística se posicionar neste momento e, usando uma metáfora futebolística, pediu serenidade e solidariedade aos atores políticos. “É preciso que novas lideranças sejam bem vindas, mas é preciso tocar a bola pra quem tem chance de fazer gol”, ponderou.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, enfatizou que nenhuma voz jurídica relevante levantou-se para defender a sentença do juiz Sergio Moro, enquanto inúmeros juristas, como o argentino Raul Zaffaroni, já vieram a público denunciá-lo como fraude. “Que seja feito um julgamento jurídico. Porque o julgamento político quem faz é o povo brasileiro”, defendeu.

O chanceler do Brasil durante os governos Lula, Celso Amorim, salientou que a proibição de Lula ser candidato afeta não só o Brasil, mas será um sinal negativo para todo o mundo, em especial para a democracia latino americana. Amorim destacou que um abaixo-assinado em defesa do líder petista já ultrapassou a marca de 185 mil assinaturas, das quais cerca de 10% vem de países da região. Traduzido para o inglês, espanhol, francês, italiano, russo e mandarim, o abaixo-assinado conta com as firmas dos ex-presidentes do Uruguai, Pepe Mujica; da Argentina; Cristina Kirchner; do Equador, Rafael Correa; da Colômbia, Ernesto Samper; além do ex-premier italiano Massimo D’Alema.





Créditos da foto: Ricardo Stuckert - Fotos Públicas

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