Política

Berlim contra o golpe

Está estampado em toda a mídia mundial: o que está ocorrendo neste momento no Brasil chama-se golpe de estado.

19/04/2016 00:00

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Está estampado em toda a mídia mundial: o que está ocorrendo neste momento no Brasil chama-se golpe de estado. Podem Globo, Folha, Estadão, Veja, Isto É et caterva esbravejarem que não. Como estas velhas mídias não mandam na mídia mundial, as vozes razoáveis desta chamam o que é golpe de golpe.

 

Na prática, o deputado Eduardo Cunha e seus comandados suspenderam a Constituição Brasileira por inteiro. Aquele fechou-se em copas e disse que a Câmara não vota mais nada enquanto o Senado não votar o impeachment. Quer dizer, o deputado considera que a Câmara é a casa dele, onde ele faz o que ele quer. Peculiar maneira de ver a democracia!

 

Faz meses que o sistema judiciário brasileiro dorme em cima das acusações contra o deputado. E nada acontece. Valerá a máxima do Barão de Itararé? “Dali de onde menos se espera é que não sai nada mesmo”… O Judiciário que responsa a esta questão, sobretudo o Supremo.

 

Em todo caso, uma coisa boa está ocorrendo em meio a esta horrenda crise, cheia de circo de horrores como a sessão de domingo em Brasília, que mais parecia um misto de filme B de vampiros com uma chanchada macabra em que a democracia foi linchada.

 

A militância acordou. Já escrevi em outro local que a militância democrática brasileira estava mais melancólica do que poeta romântico diante de uma ruína.

 

Mas os desmandos e agressões da direita ao bom sendo foram tantas e tamanhas, que a militância acordou. Acordou para a necessidade de defender a democracia no nosso país, a sua auto-estima, a sua honra, a sua verdade. 

 

E não foi só no Brasil. Aqui em Berlim ela acordou também, assim como em outros lugares do mundo.

 

Aqui na capital alemã um grupo de umas quarenta pessoas reuniu-se na segunda-feira à noite e fundou um movimento que á está na internet: https://groups.google.com/d/forum/berlim-contra-o-golpe.

 

A tônica das intervenções destacou a necessidade de circular informações alternativas à sistemática desinformação patrocinada pela velha mídia golpista brasileira, de divulgar os temas relativos aos diversos movimentos sociais brasileiros (mulheres, negros, trabalhadores e trabalhadoras, movimentos indígenas, liberdade de opção sexual, dentre os muitos outros). Também foi colocada ênfase na necessidade de gerar informação, através de contatos com outros grupos semelhantes dentro e fora do Brasil, e através de uma sistemática de reflexão sobre os acontecimentos e as condições de vida no Brasil. Está se propondo uma sistemática de reuniões - provavelmente semanais - para manter a mobilização, a execução e divulgação das iniciativas.

 

O grupo que ali se reuniu era muito variegado em matéria de composição, e também das profissões ali representadas.

 

Tenho notícia de que há iniciativas semelhantes em Hamburgo e é muito provável que haja em outras cidades europeias, além de em outros continentes.

 

Devo dizer que há muito tempo não se via algo parecido por aqui. Vamos não apenas torcer, mas fazer de tudo para a iniciativa perdurar: não ao golpe!

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